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Dia Mundial do Refugiado: mais pontes e menos muros

O maior deslocamento involuntário de pessoas desde a Segunda Guerra Mundial revela uma crise humanitária que assola o mundo

Nos últimos anos vimos imagens chocantes que, por mais que pareçam distante da realidade de muitos, revelam em uma crise humanitária mundial e provocam o sofrimento de milhões de famílias. Tornar-se um refugiado nunca foi uma opção na vida dessas pessoas, mas sim uma maneira de sobreviver e, sobretudo, reconstruir uma vida marcada por conflitos, guerras e perseguições.

Você já se imaginou pegando o que consegue carregar nas mãos e nas costas, trancando sua casa e caminhando rumo a outro país, outra região onde ainda haja paz, sem data para voltar? Ou ainda subindo em um barco superlotado – em condições precárias de segurança – pronto para atravessar a força do oceano apenas para conseguir sobreviver? Foi isso que mais de 70 milhões de pessoas ao redor do mundo fizeram, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Alto Comissariado das Nações da Unidas para Refugiados (Acnur).

Comemorado em todo o mundo no dia 20 de junho, o Dia Mundial do Refugiado é uma oportunidade para celebrar a força, a coragem e a perseverança das pessoas que foram forçadas a deixar suas casas e seus países por causa de guerras, perseguições e violações de direitos humanos.

De acordo com a agência, no final de 2018, cerca de 70,8 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas regiões e, consequentemente, suas casas. Os motivos? Guerra, perseguição, violência e violações dos direitos humanos. Muito antes destes dados virem a público que, por sinal, é o maior já registrado pela Acnur desde sua criação, em 1950, o mundo viu imagens como a do menino sírio Alan Kurdi, de 3 anos, encontrado morto à beira de uma praia turca depois de tentar fugir do país pelo mar junto com sua família. Muitas outras imagens revelaram a crueldade e a indiferença de parte da sociedade que insiste em criar muros, deportar refugiados ou ignorar o fato que estamos diante do maior deslocamento involuntário de pessoas desde a Segunda Guerra Mundial.

Milhões de famílias vivem em campos de refugiados precários, longe de suas casas, sem condições básicas para iniciarem uma nova vida e, finalmente, deixarem os horrores da guerra e da intolerância para trás. Foi isso que a jornalista canadense Kate Evans viu durante seus trabalhos voluntários com refugiados. O caos humanitário, a precariedade e, sobretudo, a vontade de viver dias melhores são retratadas em Refugiados: A Última Fronteira, lançado pela DarkSide Books em 2018. Em um brilhante trabalho jornalístico em quadrinhos, Evans revela, reflete e se coloca dentro do campo de Calais, na França. Popularmente conhecido como “Selva”, o campo de refugiados de Calais foi desativado em 2016, mas os dias passados jamais foram esquecidos pelas famílias que ali viveram e pela autora, que era voluntária no local e se inseriu como personagem de seu trabalho em Refugiados: A Última Fronteira.

Dia Mundial do Refugiado: Refugiados, de Kate Evans

“A narrativa gira em torno de mim porque é limitada à minha experiência direta nos campos, como voluntária. Havia coisas muito piores que ouvi, mas eu não consegui tornar o livro maior que as coisas que eu realmente vi e experimentei. Eu, provavelmente, me vejo mais como ativista do que como jornalista ou artista”, revelou em entrevista ao site ComicGrid.

Para a autora, examinar a crise dos refugiados só seria possível se ela estivesse verdadeiramente inserida nesse contexto e o resultado é uma HQ com grandes painéis, retratos dos habitantes reais do local e um vislumbre empático e chocante da atual situação de milhões de refugiados que necessitam de acolhimento, direitos e compreensão.

O espantoso número de refugiados sírios

Os sírios representam o maior número de refugiados em todo o mundo. Quase 7 milhões de sírios deixaram seu país, suas casas, perderam parentes e bens materiais conquistados ao longo dos anos. A Síria, antes cheia de cores e cheiros típicos retratados pela jovem Myriam Rawick, em O Diário de Myriam, hoje é um país cinza devastado pela guerra civil que assola seus habitantes desde 2011.

Dia Mundial do Refugiado: relato de Myriam Rawick, autora de O Diário de Myriam

Morando no Brasil desde 2013, a refugiada síria Myria Tokmaji, de 27 anos, conseguiu reconstruir sua vida em terras brasileiras ao lado da família, mas jamais esquecerá os horrores da guerra. “Vi o cogumelo de uma bomba explodindo no horizonte, no campus da minha faculdade. Meus melhores amigos não morreram, mas morreram outros amigos. A faculdade virou piscina de sangue”, disse ao canal da youtuber Melina Souza.

Assim como Myriam, ela passou por momentos traumáticos e cruéis e, como milhões de seus conterrâneos, escolheu deixar tudo para trás e iniciar uma vida em paz, longe do barulho de bombas cruzando o céu. Até o final de 2018, o Brasil havia reconhecido 10.522 refugiados provenientes de 105 países, incluindo a Síria, República Democrática do Congo, Colômbia, Palestina e Paquistão. Atualmente, a população síria representa 35% da população refugiada com registro ativo no Brasil. De acordo com a Acnur, 5.134 pessoas continuam no país na condição de refugiado, sendo que 52% moram em São Paulo, 17% no Rio de Janeiro e 8% no Paraná.

O ACNUR e a DarkSide Books acreditam que este é o momento de mostrar aos líderes mundiais que o mundo está solidário com os refugiados e o Dia Mundial do Refugiado é mais um incentivo para registrar esse apoio. Assine a petição e junte-se a essa causa.

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