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Diários de guerra: as memórias de tempos difíceis nunca se apagam

Clássicos da literatura abordam os horrores da guerra e, por meio dessas memórias, começamos a compreender o sofrimento de milhões de inocentes

Histórias fortes nos conquistam — seja pela beleza das palavras, pelos mundos que visitamos ou pela intensidade dos acontecimentos. Mas a potência de uma história real quase sempre trará junto de uma bela jornada de esperança, o gosto amargo da maldade humana. Assim concluímos a leitura de um dos maiores clássicos da literatura, O Diário de Anne Frank, a história de uma menina judia que passou anos se escondendo da guerra de Hitler, publicado originalmente em 1947, que até hoje emociona leitores ao redor do mundo — a obra já foi traduzida para mais de sessenta idiomas. 

Apaixonada pelas palavras assim como a jovem Anne Frank, a síria Myriam Rawick também escreveu suas impressões sobre a atual Guerra da Síria, em O Diário de Myriam.  Vimos, através dos olhos de uma menina, a situação de milhões de pessoas inocentes sofrendo diariamente com bombardeios e mortes. Mesmo sem maturidade suficiente para entender a complexidade da guerra que acontece na Síria e já matou mais de 500 mil de pessoas, Myriam nos emociona e, ao longo dos dias descritos em seu diário, acaba presenciando cenas que jamais sairão de sua memória, mas que a ajudaram a compor um livro tão necessário em tempos tão sombrios como os que vivemos.

Outro relato igualmente tocante e esperançoso está presente em O Diário de Nisha, anunciado nesta terça-feira pela DarkSide Books. A obra escrita por Veera Hiranandani relata o período de Partição da Índia e coloca a pequena Nisha no epicentro desse conflito político e religioso que criou dois estados independentes do governo britânico: a Índia, de maioria hindu, e o Paquistão, de maioria muçulmana. Nisha é parte hindu e parte muçulmana. As tensões políticas e identitárias na região fronteiriça da Caxemira (que separa Índia, Paquistão e China) se estendem até os dias de hoje — mais de 70 anos após a Partição, que se deu em 1947.

A Partição movimentou mais de catorze milhões de pessoas pelas fronteiras e matou pelo menos um milhão durante as arriscadas travessias e, em meio a esse cenário desolador, Hiranandani cria uma história com a ternura e a emoção que já vivemos em A Guerra que Salvou a Minha Vida, de Kimberly Brubaker Bradley e, depois em sua continuação, A Guerra que Me Ensinou a Viver, onde a pequena Ada finalmente começa a viver de maneira digna superando traumas do passado — o registro historicamente preciso da autora nos leva diretamente para os dias cinzas da Segunda Guerra Mundial. Evocando a aura doce e as mensagens potentes de Ecos e Em Algum Lugar nas Estrelas, O Diário de Nisha revela mais uma história tocante através da marca DarkLove, dedicada a publicar vozes femininas contemporâneas da literatura mundial, que já foi reconhecida e premiada mundialmente com o Newbery Honor Award 2019, Walter Dean Myers Honor Award 2019 e Malka Penn Award para Direitos Humanos em Literatura Infantil em 2018. Outro clássico da literatura, O Jardim Secreto, de Frances Hodgson Burnett, publicado em 1911, também emocionou leitores ao abordar a chegada de uma jovem menina indiana na Inglaterra. 

O recorte histórico e rico em detalhes escolhido pela autora de O Diário de Nisha é inspirado na trajetória de sua própria família, que precisou atravessar a fronteira de Mirpur Khas para Jodhpur exatamente como a pequena Nisha faz ao longo de sua jornada. Os pais e avós de Hiranandani tiveram de recomeçar em um lugar estranho como uma família de refugiados — história que, tantos anos depois, se encaixa tristemente com a realidade de muitas famílias que sofrem com a Guerra da Síria e o como é relatado em outra obra igualmente impactante quando falamos de refugiados. A HQ Refugiados: A Última Fronteira, de Kate Evans, recebeu prêmios importantes como o John C. Laurence Award, em 2016, e o Broken Frontier Award, em 2017, por relatar a difícil jornada de refugiados na cidade portuária de Calais, na França. Por meio de um primoroso trabalho jornalístico em quadrinhos, Evans trouxe imagens pungentes e chocantes de pessoas rodeadas por ratos e lixos em uma favela assustadoramente grande, pra onde poucos tinham coragem de olhar — ali era um campo de refugiados. 

Outra obra-prima da nona arte que retrata através de painéis poderosos os horrores da guerra é Black Dog: Os Sonhos de Paul Nash, do multiartista Dave McKean. O pintor surrealista Paul Nash alistou-se no Exército britânico aos 25 anos de idade, apenas seis semanas após o início do confronto da Primeira Guerra Mundial, e engajou-se primeiro como soldado e mais tarde como oficial artista de guerra. Viu muitos de seus colegas soldados morrerem nas trincheiras na Bélgica e quando retornou à Inglaterra percebeu que havia sido terrivelmente modificado por aquelas lembranças terríveis. A partir daí, criou quadros impressionantes que nos dão apenas um vislumbre da loucura que domina a mente de quem vive uma guerra de perto. Uma citação recorrente sobre o artista afirma que “enquanto a grande maioria testemunhava as explosões ao redor, para Nash, as explosões aconteceram dentro dele”.

Se encararmos nossa história recente, iremos nos deparar com inúmeras imagens chocantes provocadas pelas guerras ao longo dos últimos anos e basta olharmos para as recentes notícias — no Dia Mundial dos Refugiados, o Alto Comissariado das Nações da Unidas para Refugiados (Acnur) revelou que mais de 70 milhões de pessoas foram forçadas a deixar seus países ou regiões por causa de guerras, perseguições e violações de direitos humanos. Jornadas repletas de humanidade, afeto e mensagens potentes foram criadas e cultivadas até mesmo em meio ao caos de guerras que já mataram milhões de pessoas — como mostrado em O Menino do Pijama Listrado, de John Boyne. Seja através da busca pela identidade, por um novo lar, por um recomeço digno ou relatando as agruras vividas em tempos difíceis, como é retratada a Guerra Civil Espanhola, em O Labirinto do Fauno, as histórias desses personagens forjados na dificuldade guerra nos ensinam a sempre buscar a empatia e a lutar por um futuro mais tolerante, pacífico e, sobretudo, igualitário para todos os povos.

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