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Jonestown é aberta ao turismo na Guiana

Local foi palco do massacre do culto de Jim Jones

14/07/2025

O ano era 1978 e uma comunidade agrícola localizada na Guiana foi palco de um massacre de 900 pessoas que seguiam o Templo do Povo, liderado pelo reverendo Jim Jones. Hoje, após décadas de abandono, o local foi aberto ao turismo por uma empresa privada.

LEIA TAMBÉM: Jim Jones: De respeitado líder religioso a profeta do Apocalipse

O anúncio já havia sido feito no final de 2024, mas tinha sido recebido com certo ceticismo. Segundo Rose Sewcharran, diretora da empresa responsável pelos passeios, o turismo “macabro” é explorado no mundo inteiro. “Temos vários exemplos de turismo sombrio e mórbido pelo mundo, incluindo Auschwitz e o Museu do Holocausto”, disse à Associated Press na época.

Meses depois, sua empresa Wanderlust Adventures conseguiu a aprovação do governo da Guiana e passou a oferecer tours para o Memorial de Jonestown. O pacote inclui voos da capital Georgetown e uma viagem de van de uma hora até o que restou do acampamento do Templo do Povo.

 Jonestow

Turismo controverso

A congressista Jackie Speier, que sobreviveu a um ataque dos membros do culto em 1978, não poupou críticas à decisão da empresa de explorar o turismo no local. Na ocasião, ela levou múltiplos tiros enquanto trabalhava com o parlamentar Leo Ryan, que viajou à Guiana para investigar as ações de Jones e acabou sendo morto.

“Eu fiquei horrorizada, porque isso não merece ser uma atração turística”, disse Speier à KTVU em dezembro de 2024. “Uma empresa achar que isso é turismo de aventura é perder completamente a noção”, completou.

O passeio inaugural a Jonestown contou com a presença de dois parentes de Sewcharran, dois jornalistas e dois turistas, relatou o New York Times. A dona da empresa defendeu que o objetivo do tour não é fazer sensacionalismo, apenas “explorar os perigos da manipulação, da autoridade inquestionada e das circunstâncias que levaram a esse acontecimento devastador”.

jonestown

Relembre o caso de Jim Jones e o Templo do Povo

James Warren Jones, mais conhecido como Jim Jones, foi o fundador e líder do Templo do Povo, movimento religioso iniciado em 1954. Ele pregava uma mistura de conceitos do cristianismo e socialismo, atraindo cerca de 20 mil seguidores para seus cultos, incluindo diversos políticos americanos. 

Em 1973, Jones e os membros mais próximos de sua igreja votaram por se mudar para a Guiana. No ano seguinte, o assentamento de Jonestown começou a ser construído lá, com direito à instalação de uma usina de geração de energia, campos para a agricultura e dormitórios. 

Em 1977, após diversas tentativas de acabar com a visão negativa que a mídia estadunidense tinha de sua igreja, Jones decidiu que era hora de se mudar de vez para a comunidade agrícola e levou dezenas de fiéis consigo. Apesar do lugar não suportar a grande quantidade de pessoas que estava chegando, elas eram proibidas de deixar o local.

jim jones

Poucos meses após essa mudança definitiva, alguns parentes de pessoas que viviam em Jonestown formaram um grupo que passa a denunciar que seus familiares não têm permissão para sair do local. Essas denúncias chamaram a atenção do congressista da Califórnia, Leo Ryan.

Temendo uma invasão, Jones passou a realizar exercícios que simulavam ataques às suas terras, que ele chamava de “Noites Brancas”. Em suas simulações, os seguidores precisavam se esconder, rezar e entoar cânticos para manter os invasores longe. Ele também ordenava que seus seguranças se escondessem na floresta e disparassem suas armas para amedrontar. Em uma dessas noites, Jones informou que, se Jonestown fosse invadida, ele distribuiria veneno a todos para evitar que fossem pegos. 

Os moradores de Jonestown passavam por longas jornadas de trabalho e com alimentação reduzida, além de serem expostos a intermináveis sermões de Jones — que cada vez mais abusava de drogas, sendo perceptível seu vício.

jim jones

Em novembro de 1978, Leo Ryan foi a Jonestown para investigar as denúncias que vinham sendo recebidas. Apesar de encenar que tudo corria bem na comunidade, 15 pessoas pediram ajuda à comitiva do congressista para fugirem de lá. Assim que essas pessoas entraram nas aeronaves, membros da guarda de Jones começaram a atirar e mataram Ryan e outras pessoas. Os sobreviventes conseguiram fugir para a selva.

Sabendo que algumas pessoas tinham sobrevivido, Jones disse a seus seguidores que deveriam cometer um “suicídio revolucionário”, que mostraria ao mundo seus ideais e que os levaria a um paraíso no além-vida. Mas vários seguidores discordaram da medida.

Uma mistura de suco e cianeto foi servida a todos e, aqueles que se negavam a tomar, tinham a mistura injetada à força com seringas. No total, 909 pessoas foram mortas. Alguns membros conseguiram sobreviver se escondendo na floresta e nos dormitórios. Jim Jones foi encontrado morto no palco do pavilhão central. A autópsia definiu um tiro de arma de fogo auto-infringido como a causa da sua morte.

jim jones

A história completa e a linha do tempo que detalha a formação do culto até o seu trágico desfecho está em Jim Jones: Massacre em Jonestown. Através de uma narrativa fascinante, ágil e detalhada, Jeff Guinn, conhecido dos DarkSiders por Manson, A Biografia, examina a vida de Jim Jones desde a sua infância, o abuso de drogas, os primeiros passos como líder religioso até a conturbada decisão de transferir seus seguidores para um assentamento nas selvas da Guiana.

LEIA TAMBÉM: Filme sobre Jim Jones terá Joseph Gordon-Levitt e Chloë Grace Moretz no elenco

Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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