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Jim Jones: De respeitado líder religioso a profeta do Apocalipse

Fundador do Templo do Povo liderou massacre a seguidores

Nascido em 1931, em Indiana (EUA), James Warren Jones, mais conhecido como Jim Jones, foi o fundador e líder do Templo do Povo, movimento religioso iniciado em 1954. O Reverendo Jones pregava uma mistura de conceitos do cristianismo e socialismo, atraindo cerca de 20.000 seguidores para seus cultos, incluindo diversos políticos americanos. O crescimento do culto permitiu a criação de um projeto agrícola auto sustentável chamado de Jonestown, onde um massacre realizado em 1978 dizimou mais de 900 vidas, com tudo orquestrado pelo próprio Jones.

A história de Jones foi transformada em livro e publicada pela DarkSide® Books em Jim Jones Profile: Massacre em Jonestown. O livro, escrito pelo premiado jornalista Jeff Guinn — já conhecido dos fãs da marca Crime Scene® por seu best-seller Manson, A Biografia —, examinou a vida de Jones desde a sua infância, o abuso de drogas, os primeiros passos como líder religioso até a conturbada decisão de transferir seus seguidores para o assentamento Jonestown nas selvas da Guiana.

LEIA TAMBÉM: LANÇAMENTO: JIM JONES PROFILE: MASSACRE EM JONESTOWN, DE JEFF GUINN

Para conhecer um pouco mais sobre o caso, o DarkBlog levantou alguns pontos da vida de Jones para os leitores começarem a investigar.

O início

Jones não era uma criança muito popular e, por não ter muitos amigos e pais ausentes, acabava passando a maior parte do seu tempo imerso em livros, principalmente nas obras de Hitler, Mahatma Gandhi, Marx e Stalin. Algumas dessas ideias acabaram sendo incorporadas à filosofia da sua seita, que pregava que todos eram iguais e que seria possível viver em harmonia. Antes de se formar no ensino médio, seus pais se separaram e ele passou a viver apenas com a mãe, concluindo seus estudos na Richmond High School, em 1948. Após a formatura, Jones foi trabalhar em um hospital e começou a namorar uma enfermeira, com quem acabou se casando.

Em 1952, Jones acabou entrando para a escola de pastores da Igreja Metodista e, pouco tempo depois, já estava coordenando grandes aglomerações de fiéis. Com uma retórica apurada, ele aumentava seu rebanho dia após dia. Sua vida familiar também prosperava: junto com a esposa, ele adotou 6 crianças e teve um filho biológico.

Créditos: Janet Fries / Getty Images

No início dos anos 1960, Jones já havia se associado a diversas igrejas e constituído a sua própria, onde começou a pregar que o apocalipse se aproximava mas que ele seria um salvador para seus fiéis e construiria um paraíso na Terra. Na época, ele começou a espalhar ideias de que uma grande guerra nuclear se aproximava e que ela seria responsável por acabar com os Estados Unidos. Em 1963 ele e sua família se mudaram para o Brasil em busca de um novo local para a igreja que ele havia fundado. Enquanto isso, os cultos de Indiana estavam atraindo cada vez menos fiéis — o que fez com que Jones voltasse para o local meses depois da chegada ao Brasil.

Com a igreja de Indiana enfrentando problemas, Jones saiu em caravanas de reavivamento e cura buscando arrecadar dinheiro. Para apressar as coisas, ele passou a afirmar que o mundo seria engolido por uma guerra nuclear em 15 de julho de 1967 e, para garantir a sobrevivência dos fiéis, a igreja deveria se mudar para o norte da Califórnia.

Nos anos seguintes, Jones passou a atacar o cristianismo e deturpar diversas ideias que ele mesmo havia defendido, além de repetir ideias de que tinha poderes divinos e queria ser reconhecido como tal entre seus fiéis.

Primeiros abusos 

Com a nova realidade da Califórnia, Jones passou a usar drogas que aumentavam a sua paranoia, fazendo com que repetisse à exaustão que inimigos estavam procurando por ele e por seus fiéis. Esses inimigos ora eram os nazistas, ora membros da Ku Klux Klan, ora o próprio governo. Além dessas paranoias, Jones espalhava medo entre seus seguidores afirmando que coisas horríveis como acidentes e mortes recairiam sobre eles caso começassem a duvidar de sua palavra e divindade.

Nessa época, a igreja passou a controlar todos os aspectos da vida de seus fiéis: eles eram obrigados a entregar toda a renda de seus trabalhos e muitos deles entregaram seus bens materiais para a igreja em troca de moradia e alimentação. Começava o sonho de uma sociedade igualitária onde todos produziriam os próprios alimentos e seriam responsáveis pela comunidade.

Créditos: Bettmann Archive

Jones, que mantinha seus seguidores cada vez mais perto de si, passou a controlar suas vidas sexuais, definir quem poderia se casar e exigir que algumas mulheres grávidas abortassem. Quem fosse contra suas palavras seria punido com diminuição de refeição, jornadas de trabalho exaustivas e humilhações públicas, além de violência física. Apesar desses abusos, o templo crescia em número de fiéis e prosperava economicamente

No final dos anos 1960, sua igreja passou a abrir filiais e Jones se envolveu com política. A partir de 1971, seus cultos, métodos de cura e sua igreja como um todo passaram a ser alvo de denúncias, críticas e investigações. Isso fez com que Jones resolvesse fechar a igreja de Indiana e partisse em busca de um novo local para se fixar. Em 1973, Jones e os membros mais próximos de sua igreja votaram por se mudar para a Guiana.

Jonestown

Em 1974, o assentamento de Jonestown começou a ser construído na Guiana, um país que havia passado por uma revolução e com um partido socialista no poder. No mesmo ano, foram instaladas uma usina de geração de energia, campos foram abertos para a agricultura e os dormitórios foram erguidos. Em Dezembro, chegou o primeiro grupo de fiéis e Jonestown começou a funcionar como uma sociedade auto-sustentável. Jones reinava absoluto no lugar.

Em 1977, após diversas tentativas de acabar com a visão negativa que a mídia estadunidense tinha de sua igreja, Jones decide que é hora de se mudar de vez para a comunidade agrícola e leva dezenas de fiéis consigo. Apesar do lugar não suportar a grande quantidade de pessoas que estava chegando, elas eram proibidas de deixar o local.

Créditos: Vice

Poucos meses após essa mudança definitiva, alguns parentes de pessoas que viviam em Jonestown formaram um grupo que passa a denunciar que seus familiares não têm permissão para sair do local. Dentre essas pessoas está Timothy Stoen, cujo filho — John Stoen —  havia sido levado para Jonestown após a sua deserção. John estava sendo criado como filho de Jones, que alegou ser seu pai biológico. Essas denúncias chamaram a atenção do congressista da Califórnia Leo Ryan. Nesse ponto, começa uma batalha legal pela custódia de John que abala as estruturas da igreja de Jones.

Na mesma época, temendo uma invasão, Jones passou a realizar exercícios que simulavam ataques às suas terras, que ele chamava de “Noites Brancas”. Em suas simulações, os seguidores precisavam se esconder, rezar e entoar cânticos para manter os invasores longe. Ele também ordenava que seus seguranças se escondessem na floresta e disparassem suas armas para amedrontar. 

Em uma dessas Noites Brancas, Jones informou que, se Jonestown fosse invadida, ele distribuiria venenos a todos para evitar que fossem pegos. Nessa mesma noite, ele serviu um ponche de frutas que, segundo ele, estava envenenado. Enquanto seus seguidores choravam esperando a morte, Jones informou que era apenas um exercício e que não havia veneno mas, aos poucos, ele foi colocando a ideia de suícidio coletivo na cabeça de todos.

LEIA TAMBÉM: FILME SOBRE JIM JONES TERÁ JOSEPH GORDON-LEVITT E CHLOË GRACE MORETZ NO ELENCO

Créditos: Vice

Em 1978, Deborah Layton, uma das foragidas de Jonestown, se junta ao coro de denúncias de violação dos direitos civis e dá depoimentos chocantes sobre as condições de vidas precárias no local. Com a mídia fazendo cobertura de tudo, Jones começa a orquestrar um plano para fazer com que tudo pareça uma conspiração do governo contra seus seguidores.

Em outubro de 1978, Feodor Timofeyev, cônsul soviético na Guiana, visitou Jonestown em resposta a um apelo de Jones para mudar seus seguidores para a União Soviética. Embora Timofeyev parecesse simpatizar com o local, as negociações não andaram e o cerco começou a apertar. 

Os moradores de Jonestown passavam por longas jornadas de trabalho e com alimentação reduzida, além de serem expostos a intermináveis sermões de Jones — que cada vez mais abusava de drogas, sendo perceptível seu vício.

Em Novembro de 1978, Leo Ryan parte para a Jonestown com o objetivo de investigar as denúncias que vinham sendo recebidas. Sua delegação era composta de parentes próximos a moradores de Jonestown, uma equipe de filmagem e repórteres de diversos jornais. Jones prepara uma recepção e consegue encenar um bem estar entre todos, mas Ryan acaba recebendo um pedido de ajuda. A equipe consegue reunir 15 pessoas que querem deixar o local e todos partem, mas, assim que entram nas aeronaves, membros da guarda de Jones começam a atirar e matam Ryan, o cinegrafista — que conseguiu captar algumas imagens — e outras pessoas. Os sobreviventes conseguiram fugir para a selva.

Créditos: Vice

Na mesma noite, 18 de novembro, Jones é informado que algumas pessoas conseguiram escapar do ataque e informa seus seguidores que logo os militares invadiriam o local para matar a todos. Apesar de Jones alegar que poderia pedir auxílio à União Soviética, parecia claro que eles não seriam aceitos após as mortes em que estavam envolvidos. Com isso, ele informa que todos devem cometer um “suicídio revolucionário”, que mostraria ao mundo seus ideais e que os levaria a um paraíso no além-vida. Quando algumas pessoas discordaram, Jones argumentou: “Pare com essas histerias. Este não é o caminho para as pessoas que são socialistas ou comunistas morrerem. Devemos morrer com alguma dignidade.”

Uma mistura de suco e cianeto foi servida a todos e, aqueles que se negavam a tomar, tinham a mistura injetada à força com seringas. 

O ato foi gravado em áudio e Jones profere ao final: “Nós não cometemos suicídio; cometemos um ato de suicídio revolucionário protestando contra as condições de um mundo desumano”.

No total, 909 pessoas foram mortas durante o ato, o que resultou na maior perda de vidas civis dos Estados Unidos em ato deliberado até o 11 de setembro de 2001. Alguns membros conseguiram sobreviver se escondendo na floresta e nos dormitórios. 

Jim Jones foi encontrado morto no palco do pavilhão central. A autópsia definiu um tiro de arma de fogo auto-infringido como a causa da sua morte.

Jim Jones Profile: Massacre em Jonestown

Através de uma narrativa fascinante, ágil e detalhada, Jeff Guinn — premiado jornalista investigativo e já conhecido pelos fãs da marca Crime Scene® por seu best-seller Manson, A Biografia —, examina a vida de Jim Jones desde a sua infância, o abuso de drogas, os primeiros passos como líder religioso até a conturbada decisão de transferir seus seguidores para um assentamento nas selvas da Guiana.

Guinn analisou milhares de páginas de arquivos do FBI, entrevistou dezenas de pessoas e também viajou para a cidade natal de Jones, onde conversou com pessoas que nunca antes haviam falado sobre o assunto. Jim Jones Profile: Massacre em Jonestown chega na DarkSide® Books com detalhes impressionantes dos eventos que levaram ao trágico novembro de 1978. Um livro definitivo a respeito de Jim Jones e do massacre em Jonestown, e um alerta para o perigo que corremos ao seguir cegamente os profetas do Apocalipse.

JUNTE-SE À INVESTIGAÇÃO: JIM JONES PROFILE: MASSACRE EM JONESTOWN

Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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