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Mika Takahashi conta como foi ilustrar Alice no País das Maravilhas

Em entrevista, a ilustradora deu detalhes de seu processo criativo para a arte presente na Limited Edition de um dos maiores clássicos da literatura

A ilustradora Mika Takahashi cresceu entre lápis de cor e papéis em branco. Vencedora do HQ Mix em 2017, na categoria Novo Talento (desenhista), ela começou a publicar seus desenhos em 2014 e, desde então, coleciona trabalhos e colaborações em ilustrações de livros. À convite da DarkSide Books, a ilustradora aceitou o desafio de recriar as ilustrações originais de John Tenniel, em Alice no País das Maravilhas, escrito por Lewis Carroll e ilustrado por John Tenniel, originalmente publicado em 1865.

No livro e em todos os seus trabalhos, Mika revela um traço marcante e autêntico e conta ao DarkBlog que buscou inspirações nas fotos de Alice Liddell, a menina que inspirou a criação desse clássico da literatura infantil, além de falar sobre suas referências dentro do mundo das ilustrações. Sua primeira HQ solo Além dos Trilhos foi publicada em 2016, por meio de financiamento coletivo. Atualmente ela é um dos nomes de maior destaque entre os ilustradores brasileiros. Para contar a história de Alice no País das Maravilhas, Mika criou ilustrações impactantes, repleta de detalhes, movimento e em preto e branco.

Pela DarkSide Books, o clássico que inspira e encanta gerações ganhou três versões: Alice no País das Maravilhas – Classic Edition, com ilustrações originais de John Tenniel; Alice no País das Maravilhas – Limited Edition, com as ilustrações especiais de Mika Takahashi, ambas pelo selo Fábulas Dark, e Alice no País das Maravilhas – Baby Edition, com texto adaptados para os pequeninos e ilustrações que podem ser coloridas, publicada pelo selo Caveirinha.

Em entrevista ao DarkBlog, Mika fala sobre suas inspirações, desafios e alegrias ao criar as ilustrações presentes em Alice no País das Maravilhas – Limited Edition. Confira:

LEIA TAMBÉM: Alice Liddell: Conheça a verdadeira Alice no País das Maravilhas

Alice no País das Maravilhas, por Mika Takahashi

Conta pra gente um pouco sobre a sua história e como começou a se interessar por desenho. É algo que você faz desde pequena?

Mika Takahashi: Meus pais são arquitetos e por isso sempre recebi incentivo para o desenho desde criança. Eu sempre fui uma criança mais quietinha e desenhar para mim era como entrar em outro mundo, assim como a Alice. Acabei me formando em Design, trabalhando em produtoras de animação e, mais tarde, como ilustradora. Minhas escolhas são baseadas na liberdade criativa e sempre buscando sair da zona de conforto.

Qual a sua relação com Alice no País das Maravilhas e como você recebeu o convite para fazer parte da Limited Edition da DarkSide Books? 

Mika Takahashi: Uma coincidência engraçada que aconteceu antes do convite foi quando eu dei um workshop e nesse dia uma menina me disse que o sonho dela era ver a minha versão da Alice no País das Maravilhas. Eu também sempre tive esse desejo, era algo que tinha na checklist da vida, sabe? Quase um mês depois recebi um email com o convite para o projeto. Nesse dia peguei minha gata no colo e saí dançando na sala. 

Pode nos contar como foi ilustrar um clássico da magnitude de Alice no País das Maravilhas, pela DarkSide Books? Algo foi especialmente desafiador ao longo do processo?

Mika Takahashi: O maior desafio foi encontrar soluções que fossem realmente autênticas. No começo do projeto tudo o que eu fazia remetia à versão da Disney ou às artes originais e não era isso o que eu buscava. Mas uma vez que consegui visualizar os personagens tudo começou a fluir.

Alice no País das Maravilhas, por Mika Takahashi

Você buscou inspirações ou referências nas ilustrações originais de John Tenniel? E como foi colocar seu estilo em personagens tão clássicos como os que encontramos no livro?

Mika Takahashi: Eu busquei referências, mas não queria me prender a elas. Eu me baseei mais nas fotos da Alice que inspirou Carroll.

Qual é o seu personagem favorito em Alice no País das Maravilhas? E por que?

Mika Takahashi: Essa é uma pergunta difícil já que todos os personagens são interessantes. Gosto muito da Lagarta porque ela é sábia e carrega um simbolismo forte sobre autoconhecimento e transformação, mas se for para me identificar com alguém seria o Arganaz que vive dormindo e tomando chá.

Como foi o processo de descoberta do seu traço e estilo e como cultivar a criatividade no dia a dia sendo ilustradora?

Mika Takahashi: Acho que ainda não me “descobri” como artista e sinto que eu nunca irei. O que eu gosto é de me desafiar e experimentar, por isso sinto que não tenho um estilo tão definido. Ao mesmo tempo busco ser verdadeira comigo mesma, com o que me faz feliz e com o que eu acredito e isso talvez resulte em um estilo por mais que eu mude a técnica. Eu costumo encontrar inspiração nos livros, fico imaginando as cenas e os personagens como se fosse um filme e isso acaba alimentando a criatividade.

As ilustrações presentes em Alice no País das Maravilhas – Limited Edition são todas em preto e branco, mas também há outros trabalhos seus com cores lindíssimas. Como você desenvolve as cores em seus trabalhos? E o preto e branco pode impor limites à criação das ilustrações?

Mika Takahashi: Para mim o mais importante de uma imagem é a sensação que ela passa e as cores ajudam a passar essa mensagem. Geralmente penso nas cores como personagens, cada uma tem uma personalidade e vontade que conversam com os traços, inclusive o preto e o branco, por isso não acho que seja uma limitação.

Alice no País das Maravilhas, por Mika Takahashi

Quais materiais você usa para trabalhar? E quais são suas principais referências?

Mika Takahashi: Uso bastante nanquim e aquarela e mais recentemente passei a usar tinta a óleo. Minha lista de referências é enorme, gosto muito da narrativa de Hayao Miyazaki e Shaun Tan, das pinturas de Aya Takano, Cecily Brown e Yoshitomo Nara.

As ilustrações servem para guiar o leitor ao longo da leitura e complementar toda a história do livro através do apelo visual gerado pelas imagens, mas muitas ilustrações vão muito além disso e nos encantam verdadeiramente. Qual foi o primeiro livro que te impressionou pelas ilustrações?

Mika Takahashi: Não consigo me lembrar do primeiro livro, pois sempre fui fascinada por livros ilustrados e mangás desde criança. Mas alguns livros me marcaram como a coletânea de contos japoneses ilustrados pela Lúcia Hiratsuka. Eu passava horas admirando todos os detalhezinhos que ela desenhou.

Tem algum conselho para quem pensa em seguir carreira de ilustrador ou quadrinista?

Mika Takahashi: Acho que o mais importante é buscar sempre ser sincero consigo mesmo e com seu trabalho, não ter medo de experimentar coisas novas e ter paciência, pois não há respostas certas na arte.

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