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O amor nos tempos da bruxa

Tópicos para pensar o amor mesmo em tempos de guerra

A gente ouve por aí que o melhor se guarda para o final. Este é o último texto desse meu ciclo com a DarkSide® Books e não poderia ser outro tema abordado nele: o amor. Que é, talvez, uma das coisas mais fáceis de sentir e mais difíceis de compreender.

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Tem aquele amor de cachorro esperando que alguém jogue a bolinha para ele pegar; tem aquele amor de gente que diz trabalhar com o que ama, que faz até a gente acreditar que isso é realmente possível; tem aquele amor de casamento de sessenta anos, em que tudo já brochou menos os arrependimentos. Porque até mesmo o amor brocha.

Uma vez eu me relacionei com um cara por três anos. O primeiro ano era aquele amor pelo desconhecido, a gente ama aquilo que não sabe o que ou quem é. Tem vez, inclusive, que a gente ama só até saber. Nos dois anos seguintes, o amor somente não deu conta. Foi um relacionamento completamente abusivo, com todas as definições que podem ter em uma relação assim. Não havia mais amor, não havia bolinha pra pegar, não havia trabalho para amar, não havia casamento e sobrava arrependimento. Havia uma ideia, um amor que existiu mas brochou, uma tentativa.

E eu me lembro, quando consegui me livrar disso, que eu quase briguei com o amor. O sentimento mesmo, sabe? Mas não seria a rota mais interessante, afinal. Do que adiantaria? O amor existiu em algum momento — pelo menos me parece — mas esse amor não deu conta de impedir os abusos. Ele tentou, mas brochou, no fim das contas. E foi até bom eu não ter brigado com o amor e ter dado novas chances a ele. 

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Hoje eu consigo ter uma boa relação com este sentimento. Eu amo amar. Por exemplo, eu tenho uma mania — repetitiva e apaixonada — de citar pessoas nas coisas que escrevo. Outro dia, escrevi um texto para pensar novas práticas pedagógicas para o ensino de arte e comecei o texto citando um monte de gente. Gente que me conhece, gente que nem sabe que eu existo, gente que morreu sem saber, e eu amo todas essas pessoas. E eu sei que muitas pessoas me amam de volta.

E os bichos, meus cachorros com certeza me amam. Um gato que minha irmã teve anos atrás, desconfio que me amava também. Talvez até mesmo o rato que apareceu aqui em casa me ame, por mais que eu tenha pavor da sua presença. Há nele uma insistência em se fazer visto, cagando por todo lado mas não mostrando a fuça. Resistindo aos repelentes de ondas sonoras, a ratoeira e ao meu desejo de que ele magicamente desapareça. Um amor que resiste.

amor do rato

Já amei um professor quando era adolescente, mas esse não me amou de volta. Era nítido. Eu tenho esse histórico de amores não correspondidos, mas, mais uma vez, não briguei com o amor. Eu escrevi um livro de poesia sobre isso, inclusive. Jamais publiquei. Ele se chama No Entanto, Talvez Você Não Saiba e a dedicatória, uma das mais honestas que já vi, diz: “para todos aqueles que eu amei mas principalmente para os que não me amaram de volta”.

Eu até tenho uma capacidade de reverter a minha própria desgraça em um amontoado de palavras que façam algum sentido. Porque, pelo menos para mim, o amor e a desgraça sempre andaram muito próximos. Mas me parece mesmo que amar não seja um trajeto linear, né? Não quero romantizar nenhuma desgraça que precede o amor, só quero dizer que me parece que não tem uma receita, afinal. Me parece que o amor é um estalo, igual foguetório no dia de Nossa Senhora. Você se assusta, não entende o propósito, acha que é outra coisa, mas aí já aconteceu. O amor é vida para mim, que ando meio morta de tudo. 

Fico pensando: poderia o amor vencer guerras? Honestamente, eu sinto que não. Mas pensá-lo nesse cenário talvez seja imprescindível. E não se assustem, eu falo principalmente das guerras internas. Nós contra nós mesmas.

Durante umas lives de meditação que fiz, a moça que conduzia disse: “o amor é a resposta independente da pergunta”. Achei pretensioso. Entendo o que ela quis dizer, mas atribuir uma incondicionalidade ao amor pode nos levar para campos perigosos. A gente ama com condição. E às vezes a prazo. O amor nem sempre dá pra ser um PIX, porque é preciso poder cancelar se houver erro. É tipo essa galera que fala sobre ir para dimensões mentais onde tudo que vibra é o amor incondicional. A gente não tem dimensão mental para isso. Amar todo mundo é um dos maiores erros que a gente pode cometer.

Por isso, o amor nem sempre será uma resposta. Muitas vezes ele vai se restringir somente a uma pergunta. Muitas vezes o amor vai ser uma carta que escrevemos para nós mesmas, por isso é importante a gente saber que a resposta também será.

O amor, estalo e permanência, acontece de diversos jeitos em nossa vida. Às vezes ele se constrói entre bruxas e deuses, como no romance de estreia de Genevieve Gornichec, No Coração da Bruxa, lançamento da DarkSide® Books. O livro conta a história da bruxa Angrboda, que tem dons de adivinhar o futuro. Após ser queimada na fogueira por três vezes e se refugiar em uma floresta, ela conhece o deus Loki, com quem se casa e tem três filhos.

Entre esses amores de cachorro que quer bolinha e de casamentos brochados, uma guerra está para acontecer. Angrboda sabe o que viu em sua previsão, mas o destino não é escrito em pedra. Cabe a ela decidir se fará ou não as mudanças necessárias nele, para que possa viver tranquila com sua família.

Eu li este livro quase que em uma tacada só, foram duas noites. Para além do desejo incontrolável de saber o que acontecerá em seguida, é um livro que nos coloca para pensar sobre quais limites a gente deveria ultrapassar em nome do amor, quais mudanças a gente deveria buscar e, principalmente, o que realmente importa é o sentimento verdadeiro. Aquele que, mesmo se brochar, ainda faz a gente querer tentar mais uma vez

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Sobre Bárbara Macedo

Avatar photoBárbara Macedo é uma travesti bruxa e makumbeira. Trabalha como oraculista, magista e mentora espiritual. Tem como enorme desejo auxiliar as pessoas a romper com os olhares binários acerca de sua própria espiritualidade e, consequentemente, visão de mundo. Pesquisa as relações entre a população da qual faz parte (travesti) e espiritualidade, com enfoque na bruxaria e na umbanda. Conheçam seu trabalho no instagram @barbara_macedo37.

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