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O UNIVERSO DARK DE FÃ PARA FÃ


Cesar Bravo From HellMacabra

O legado em Carne e Sangue

10 Contos imperdíveis da coleção Livros de Sangue

O que define o horror? A capacidade de gerar e impor diferentes fobias? A dor? As imagens anatômicas terríveis, perversões sexuais, monstros humanos e inumanos, fantasmas e sua inconfessável existência post mortem? Ou seria o horror apenas um breve mergulho nas profundezas abissais da inconsciência humana?

Se você respondeu que todas as opções estão corretas, acertou em cheio, mas talvez existam outras três palavras capazes de sintetizar perfeitamente a essência do horror: Livros de Sangue.

LEIA TAMBÉM: LANÇAMENTO: LIVROS DE SANGUE VOL. 4, POR CLIVE BARKER

Nessa coleção do pai de muitos de nós, Clive Barker, você encontrará praticamente todas as nuances e os principais pilares do horror, e se você não for um filho tomado pela ingratidão, também irá encontrar muita dificuldade em eleger umas poucas histórias como suas preferidas. Já deixando bem claro que essa não é uma tarefa fácil (mas devastadoramente satisfatória), segue um destilado das histórias e seus motivos sangrentos que jamais deixarão nossas mentes.

1. Livros de Sangue (Volume 1)

Para se fazer plena justiça, todas as histórias do primeiro volume entrariam em uma seleção de clássicos, afinal de contas, pérolas do humor ácido como “O Yaterring e Jack” e massacres como “O Blues do Sangue do Porco” jamais poderiam ficar de fora, mas uma lista é uma lista!

O conto que dá origem ao compêndio, “Livros de Sangue”, é uma história curta, mas é o tipo de leitura na qual você mergulha já sabendo que seu fôlego não será suficiente. Com a aptidão de um maestro, Clive Barker propõe todas as notas, a condução das estrofes, e deixa seus fantasmas instrumentistas falarem através da carne e do sangue dos corpos. O conto é de uma potência descritiva absurda, deixando bem claro o que ainda estará por vir. Em uma sinopse discreta: um jovem médium chamado Simon McNeal decide trapacear com o mundo dos mortos no lugar errado. Aqui as barreiras que separam uma realidade da outra se afinam com a passagem de incontáveis pés.

Livros de Sangue
Hulu/Divulgação

2. Trem de Carne da Meia-Noite (Volume 1)

Nesse conto sobre apetite e sacrifício (acho que podemos chamar assim) humanos são o prato principal de uma raça ancestral, que é a verdadeira precursora da humanidade. Conhecemos Mahogany, um súdito açougueiro cerimonial que cumpre seu dever sagrado, e somos apresentados a Leon Kaufman, um morador desiludido da metrópole que redescobre seu vício pela cidade da pior forma possível. Nesse conto, experimentamos até onde o gore de Clive Barker pode chegar. Parada obrigatória.

Trem de carne da meia-noite
Lionsgate/Divulgação

3 . Nas Montanhas, as Cidades (Volume 1)

Quando somos apaixonados por qualquer coisa, nossa tendência é exagerar, testar todos os limites, afrontar as fronteiras do impossível. É o que Clive Barker faz nesse conto, formatando e entrelaçando as populações de duas cidades inteiras do interior da Iugoslávia (Popolac e Podujevo) em organismos vivos que se confrontam a cada dez anos. Por ser uma história que exige um completo desprezo do verossímil, ela não é amplamente apreciada entre os leitores. Mas isso nunca foi um problema, não é mesmo?

4. Pavor (Volume 2)

Como costuma acontecer, o Volume 2 da coleção rapidamente nos arrasta ao Inferno, dessa vez, um inferno humano. Em “Pavor”, conhecemos dois estudantes, Steve e Quaid, que dividem um interesse peculiar pelo querido tema do medo. Eles acabam ficando mais e mais curiosos e começam a propor experimentos. No trecho mais memorável do conto, Quaid sequestra uma vegetariana restrita, a fim de testá-la. A garota fica refém em um quarto ao lado de um bife, e ela só sairá dali quando decidir não morrer de fome (o que leva um tempo razoável… e a carne não dura tanto e apodrece… e a fome que não passa… acho que vocês me entenderam). Nessa história, sentimos através dessa situação e das demais fobias exploradas o poder real do pavor, e até onde ele pode nos arrastar.

Pavor
© 2009 Lions Gate Home Entertainment

LEIA TAMBÉM: LIVROS DE SANGUE VOL. 2: FOBIAS BIZARRAS QUE ATORMENTAM A MENTE HUMANA

5. As Peles dos Pais (Volume 2)

Uma história de monstros como só Clive Barker poderia conceber. Nesse conto narrado no Arizona, o potencial imagético de Barker explode em um desfile de criaturas grotescas e, como não poderia deixar de ser, confronta o horror que se esconde dentro da nossa humanidade. Começamos sabendo que essa raça ancestral está em busca de uma criança de 6 anos, gerada em um ventre humano. Já o marido da mulher, alcoólatra e abusivo, deseja apenas sua vingança, por ter sido tirado do coito de seis anos atrás e substituído por um grupo de monstros que inseminou sua esposa. É um conto ágil e cheio de reviravoltas, inclusive para seu estômago e sua tolerância ao bestialismo.

6. Restos humanos (Volume 3)

Essa é mais uma história que encanta pela mistura do irreal com o horror humano. No conto que fecha o terceiro volume, o personagem principal é um prostituto bissexual que ganha a vida às custas de sua beleza. Como Gavin sabe, o tempo passará e logo a juventude seguirá junto com ele, então ele começa a conjecturar uma boa aposentadoria ao lado de um anfitrião rico. Não é um problema para Gavin, a indiferença nele é tão presente quanto sua beleza.

Em um desses encontros, Gavin descobre uma estranha estátua em uma banheira, que parece ter mais dele do que Gavin jamais imaginaria. Para quem procura o desespero de uma pessoa vaidosa lutando contra o desaparecimento de sua beleza, a história é de um terror absoluto (assim como seu desfecho). Nesse conto podemos observar perfeitamente como Barker conhece esse mundo pelas vísceras.

7. O Corpo Político (Volume 4)

Traduzido como “A política do Corpo” em sua adaptação em A Maldição de Quicksilver (que também conta com histórias de Stephen King), essa é uma daquelas ideias de um milhão de dólares. Na trama, as mãos de um homem chamado Charlie George começam a ter pensamentos próprios (e motivações ainda mais próprias). Com subtextos e subcamadas em várias direções, Barker mais uma vez mostra a potência avassaladora de sua imaginação. Quem, afinal, é o dono do corpo? Quem apenas pensa e pondera ou quem coloca “a mão” na massa e executa?

O corpo político
© 1997 – Twentieth Century Fox Film Corporation

8. A Idade do Desejo (Volume 4)

Uma das histórias mais perversas, cruéis e avassaladoras de Barker, “A Idade do Desejo” desconhece qualquer limite. Aqui, o sexo é tratado como um direito patológico, e graças a essa decisão editorial, Barker nos sequestra de qualquer moralidade e exibe o prazer pelo prazer, preocupando-se bem pouco com a dor que pode vir a causar no leitor. O conto é um delírio, e se você for um leitor de horror com o temperamento necessário, vai adotá-lo entre um dos preferido da vida.

9. O Proibido (Volume 5)

Conto ainda não publicado pela Caveira

Se é mesmo possível encontrar beleza na literatura de horror, “O Proibido”, conto que inspirou a gênese de Candyman, é outra prova inquestionável presente no universo de Clive Barker. Se você leu esse conto, mesmo que há muito tempo, deve se lembrar das descrições da periferia, das pichações nos prédios, de ser inserido em um mundo marginal e se ver perdidamente apaixonado por ele. Clive fez isso e muito mais nessa história, ele nos seduziu, nos enganou e, lentamente, nos ofereceu em sacrifício.

Misture lenda urbana, questões raciais reais e amores acima de qualquer julgamento e terá a uma ideia rasa da potência dessa história.

10. A última ilusão (Volume 6)

Conto ainda não publicado pela Caveira

Ainda muito jovens aprendemos: a mágica é aquilo que o mágico faz. É apenas ilusão, não é de verdade. Ainda assim, é uma ilusão real. Já a magia é o território do desconhecido e do impossível, é o que os santos e bruxas costumam fazer e conhecemos como milagres. Somente nesse ponto de “sabedoria” uma criança muita astuta poderia vir a perguntar: e o que acontece quando se mistura os dois?

Bem, nesse caso teríamos uma das histórias mais enigmáticas e surpreendentes já escritas na arena do horror, uma história que distende e enfraquece os fios da realidade a ponto de sermos capazes de transpassá-los, misturando ilusionismo, magia e o Abismo.

Também adaptado ao cinema, o conto original traz a história da morte do ilusionista Swann e da vigilância sobre seu corpo ante a cremação, solicitada por ele mesmo, postumamente, à sua esposa. Pelo seu envolvimento com o sobrenatural, o contratado para o serviço é detetive Harry D’Amour, e a ele são transmitidas as instruções para que ninguém chegue perto do caixão.  Apenas leia, porque o desfecho é totalmente inesperado. E reveja o filme se quiser o pacote completo (embora as histórias tomem rumos diferentes, valem cada minuto de diversão).

A última ilusão
© 1995 Metro-Goldwyn-Mayer Studios Inc.

Como dissemos antes, é quase impossível para um fã de Clive Barker escolher um pequeno número de histórias preferidas sem cometer uma ou outra injustiça. Se esse foi o caso, já peço meu perdão antecipado.

LEIA TAMBÉM: 7 CENAS DE FILMES DE TERROR QUE SE PASSAM EM CINEMAS

Mas me diga depois de ler todos os livros, caso tenha sobrevivido: qual sua história de sangue preferida?

Sobre Cesar Bravo

Avatar photoCesar Bravo é escritor, criador de conteúdo e editor. Pela DarkSide® Books, publicou Ultra Carnem, VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue e DVD: Devoção Verdadeira a D.

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