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O macabro uso do rádio na medicina

Radioativas conta a história de mulheres afetadas pelo elemento

02/04/2024

No início do século XX o rádio surgia como uma promessa milagrosa. Descoberto e isolado por Marie e Pierre Curie, o elemento era considerado revolucionário e uma cura para todos os males. Até descobrirem seus efeitos nefastos.

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Se tem uma coisa que aprendemos com a coleção Medicina Macabra é que muitas substâncias e procedimentos que hoje, à luz de séculos de avanços científicos, consideramos nocivos e até mesmo absurdos, um dia já foram considerados promissores e terapêuticos. 

Em Medicina Macabra 2, Lydia Kang e Nate Pedersen abordam os charlatões da saúde. Aqueles que prometiam curas milagrosas com pouco ou nenhum respaldo científico para tanto. E uma dessas promessas incluía o uso indiscriminado do rádio.

medicina macabra

A promessa do poder do rádio

O rádio foi amplamente adotado pela comunidade médica no início do século XX pela sua impressionante capacidade de destruir células cancerosas. O principal problema é que ele não é tão específico quanto ao seu alvo, afetando qualquer célula em seu caminho — cancerosa ou não.

Porém, antes que seus perigos fossem completamente compreendidos, ele se tornou a substância da moda, quase uma celebridade. Raro e absolutamente intrigante, foi descoberto naquela época que o rádio tinha uma meia-vida de 1.600 anos e seu nível era de cerca de 3 mil vezes o do urânio.

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Menos de um ano após a descoberta, Pierre Curie sugeriu que o elemento teria o potencial de ser usado no tratamento contra o câncer, principalmente em cânceres de pele. No ano seguinte, foram criados aplicadores de rádio para o tratamento de cânceres internos, que causavam a diminuição de tumores. 

pierre e marie curie
Pierre e Marie Curie

A gente até entende a empolgação com o rádio nesse momento. O problema foi justamente querer usá-lo para qualquer questão de saúde, como hipertensão, diabetes, artrite, reumatismo, gota e tuberculose. Some isso ao fato de que, por ser considerado um elemento natural e não um medicamento, o seu uso ocorreu sem qualquer tipo de regulamentação

Isso virou um prato cheio na mão de charlatões de todo tipo, que se aproveitavam do mistério, do renome e, claro, do custo elevado do rádio, para lucrar. Ele era anunciado como uma promessa de beleza e juventude, analgésico e como uma prevenção para problemas de saúde. A sorte foi que, charlatãs como eram, essas pessoas não empregavam rádio nas suas soluções milagrosas, mas vendiam como tal. Senão muito mais vidas teriam sido prejudicadas pelo elemento.

A cobiçada indústria do rádio

Não foi apenas na área da saúde que o rádio brilhou no início do século XX. Ele estava, realmente, em todos os lugares: nas mercearias, nos teatros, nas farmácias, nos ponteiros dos relógios, dentro de casa e até mesmo na água. Sim, enquanto hoje a gente faz de tudo para tirar o radônio da água, naquela época acreditava-se que “água radioativa” fazia bem pra saúde.

manteiga de rádio
Sim, isso é manteiga de rádio

Enquanto o “sol líquido” corria solto, ele estava secretamente destruindo vidas, seja pela escolha de consumir tais produtos ou pelas condições de trabalho que envolviam o uso do elemento. Nos ateliês das fábricas, garotas inebriadas pelo glamour de trabalhar com o rádio passavam dias cercadas por nuvens cintilantes de pó radioativo

Eram empregos altamente cobiçados, como já falamos, existia um grande fascínio em torno de trabalhar com rádio naqueles tempos. Mas quando essas funcionárias começaram a adoecer e a questionar seus empregadores, suas queixas legítimas foram ignoradas em vez de servir como um sinal de alerta. 

Foi ali que começou a luta por justiça apresentada em Radioativas: As Mulheres que Lutaram Contra o Tempo. A minuciosa pesquisa de Kate Moore conta a história das operárias das fábricas de relógios que trabalhavam pintando mostradores e acabaram mortalmente contaminadas pela substância. Uma história inspiradora de bravura e resistência que mudou os paradigmas dos direitos trabalhistas e segurança no trabalho — e que salvou milhares de vidas.

radioativas

O uso do rádio hoje em dia na medicina

O caso das trabalhadoras na fábrica de relógios não foi isolado: ainda na primeira metade do século o rádio começou a mostrar as consequências nefastas do seu uso desenfreado. Os pioneiros que realizavam experiências com o elemento começaram a sofrer com problemas de saúde causados pela radiação. Logo ficou evidente que os riscos do rádio eram maiores do que o seu potencial terapêutico.

Em 1928, a chegada do Contador de Geiger permitiu que os cientistas medissem com precisão os níveis de radiação. O rádio passou a ser utilizado contra tumores, selado dentro de pequeninos tubos de vidro, contidos dentro de receptáculos de platina, para só então serem introduzidos nos tecidos dos pacientes. Isso permitia que os raios gama benéficos se disseminassem, ao mesmo tempo em que os efeitos indesejados dos raios alfa e beta eram bloqueados.

As pesquisas sobre as possibilidades de uso do elemento continuaram e a segurança foi levada cada vez mais a sério. Hoje, o tratamento com rádio é empregado para determinados tipos e estágios de câncer, e comumente é realizado por meio de feixes de radiação ionizante.

radioterapia

Fica a lição e o alerta para sempre desconfiar quando algo é vendido para “a cura de todos os males”, principalmente na área da saúde. Assim como no caso do rádio, nem sempre as consequências são tão perceptíveis quanto os possíveis benefícios de alguma descoberta. Sempre vale lembrar o ditado: nem tudo que reluz é ouro, ou, nesse caso, rádio.

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Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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