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O que as pessoas perguntam aos pais dos assassinos de Columbine?

Susan Klebold fala sobre a sua vida antes e depois do massacre de Columbine e ajuda a compor um complicado retrato do fatídico evento

“Columbine” é uma palavra que mesmo após 20 anos do ocorrido é capaz de evocar várias lembranças sobre o massacre. Eric e Dylan, com armas em punho e sobretudos pretos, são uma dupla facilmente reconhecida por todos. Ao longo dos anos foram escritos livros e filmes sobre a tragédia.

O jornalista Dave Cullen pesquisou por cerca de 10 anos para trazer detalhes minuciosos sobre o caso. Columbine é considerada a obra definitiva a respeito do tema, e acaba de ser lançada no Brasil pela DarkSide Books. Cullen investiga o caso ampla e profundamente, e avalia a cobertura feita pela mídia que ajudou a propagar mitos difíceis de reverter com o tempo. Além de entrevistar os sobreviventes, professores e autoridades, Cullen analisa o peso da participação familiar com relação aos pais dos assassinos. Os pais de Eric até hoje são extremamente reservados e não dão entrevistas ou falam sobre o assunto. Os pais de Dylan adotaram comportamento semelhante por muito tempo. 

No entanto, mais de 10 anos depois, Susan Klebold, mãe de Dylan, resolveu falar publicamente sobre a tragédia através de um extenso artigo escrito para a revista O, de Oprah Winfrey. Ao longo dos anos seguintes, ela deu entrevistas para alguns jornais e programas de TV, publicou um livro sobre o assunto e fez uma palestra no TED Talks. 

Dave Cullen a entrevistou algumas vezes por telefone enquanto escrevia seu livro, publicado originalmente em 2009. Em 2016, o autor escreveu um artigo para a Vanity Fair em que relata suas impressões sobre a primeira entrevista de Susan Klebold para a TV, concedida ao canal ABC News.

Segundo o autor, uma importante pesquisa feita na época mostrou que 83% dos norte-americanos culpavam parcialmente os pais pelo ocorrido em Columbine. Logo após o massacre, por não poderem dirigir seu ódio aos assassinos mortos, todos se voltaram para os pais. “Eu ligava o rádio e as pessoas estavam falando sobre mim, chamando-me de uma pessoa repugnante”, recorda Susan. Ela ainda se lembra de um incidente enervante, em que alguém disse a ela “eu te perdoo pelo que você fez”, e deixa claro: “não fiz nada que precise de perdão”.

LEIA TAMBÉM: POR QUE ENTENDEMOS OS ACONTECIMENTOS DE COLUMBINE TÃO ERRADO?

Sobre a pergunta mais recorrente “como uma mãe pode não notar um filho que está juntando bombas e armas e planejando matar várias pessoas?”, ela responde que vasculhava os pertences no quarto do filho até quando ele entrou no ensino médio. Desde então, ela achou melhor respeitar a privacidade dele. Susan ainda diz que se arrepende desesperadamente até hoje disso, mas, como aponta Cullen no artigo, se ela ainda mexesse nas coisas do filho, será que ele não perceberia e esconderia tudo em outro lugar?

Uma grande revelação de Susan foi sobre o fato de Dylan ter pedido a ela para comprar uma arma, o que foi prontamente negado. Em um estado como o Colorado, no entanto, em que um jovem ter armas é algo comum, isso não levantou nenhuma desconfiança por parte da mãe.

Ela sabia dos problemas do filho. Dylan foi preso pelo menos duas vezes por pequenos delitos e estava frequentando um reformatório para jovens infratores. Ela se lembra de um fato assustador, mas que na época não foi entendido como alarmante: ao dar uma bronca no filho e pressioná-lo contra a geladeira, na cozinha, ele pediu calmamente para que ela não fizesse isso, porque ele não sabia até quando poderia se controlar. No mesmo dia, Dylan saiu de casa e comprou um presente de Dia das Mães para Sue e tudo voltou ao normal. 

Susan e o filho
Susan e o filho

Susan disse que levou cerca de 6 meses para aceitar a verdade. Ela só se resignou após ver as fitas que os dois assassinos gravaram no porão, onde destilavam seu ódio a tudo e a todos e se gabavam de quantos — e como — iriam matar. Ela também não sabia que o filho era depressivo e suicida; encarava seu comportamento errático como natural de um adolescente. 
Por fim, Susan se lembra do último contato com o filho: ele estava saindo apressado pela manhã. Ela o chamou e ele apenas respondeu “tchau”. 

Dave Cullen diz no artigo que, durante as entrevistas por telefone com Susan, ele se viu reticente com as declarações dela. Mas, ao assistir sua entrevista, e ver uma mulher destruída pela culpa e pela tristeza, as dúvidas sumiram. A verdade estava ali.

A culpa de Susan Klebold — o peso que ela carregará por toda a vida — é o de pensar que poderia ter impedido tudo. Se ela tivesse prestado atenção aos sinais, se o tivesse seguido naquele último dia, se continuasse de olho nas atividades e pertences do filho, se percebesse sinais de uma saúde mental frágil, tudo poderia ter sido diferente. Ou não. Estas possibilidades cheias de culpa é o que ela sempre vai carregar consigo. Este é o peso de ser a mãe de um assassino.

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