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O que os filmes Psicopata Americano e Coringa têm em comum?

Diretora Mary Harron comenta a recepção que os filmes tiveram em seus lançamentos.

Eles são assassinos, cruéis e com sérios problemas psicológicos. Ainda assim, há pessoas que os idolatram. Outras, enxergam a crítica social que eles carregam. Estamos falando dos protagonistas de Psicopata Americano e Coringa.

Passadas quase duas décadas entre os lançamentos dos dois filmes, as produções tiveram uma recepção controversa, definida pelas reações polarizadas de público e crítica. Afinal, filmes protagonizados por vilões conseguem transmitir o desconforto e a crítica a que se propõem ou servem apenas para enaltecer um comportamento tóxico e romantizar a violência?

Em uma entrevista recente à revista Vulture, Mary Harron, diretora de Psicopata Americano, comentou sobre os 20 anos de lançamento do filme e comparou a reação do público com o lançamento de Coringa, em outubro de 2019. Hoje o filme dela é considerado cult, mas na época as primeiras impressões da crítica não foram amigáveis, apesar do buzz causado no lançamento: “Eu lembro do New York Post descrevendo-o como a maior bomba do Festival de Sundance – apesar de haver muito interesse na estreia em Sundance. As filas contornavam o quarteirão”. 

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Harron relembra que no momento da estreia as únicas pessoas que riam na plateia eram aquelas envolvidas no filme: ela, o ator Christian Bale e o editor Andy Marcus, apesar de se tratar de uma sátira. O resto da audiência viu tudo em silêncio. Mas hoje ela percebe que mais pessoas são capazes de rir com o filme, entendendo o seu tom satírico.

Os tempos mudaram, mas nem tanto

Apesar de entender que Psicopata Americano era um filme à frente do seu tempo e, portanto, melhor entendido nos dias atuais, ela não acredita que houve uma mudança significativa na cultura, o que justifica as reações igualmente controversas a Coringa. A própria Harron se declara uma fã do filme: “Além de ser uma produção de cinema brilhante, eu acho que é um grande retrato da loucura. Há uma classe que você raramente encontra em filmes dos Estados Unidos”.

Quando foi lançado em 2019, Coringa dividiu a opinião do público entre aqueles que o consideravam o melhor filme derivado de quadrinhos de todos os tempos, comparando-o a produções de Martin Scorsese, como Taxi Driver. No entanto, outra parcela do público e da crítica alertou sobre uma possível romantização da violência, além de aumentar o estigma em torno de doenças mentais. Tal comportamento poderia ser utilizado como justificativa para uma parcela de homens também praticar atos violentos.

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A diretora considerou as discussões acerca de Coringa absurdas, principalmente por conhecer este tipo de reação tão bem. “Estes ataques geralmente são direcionados a algum filme de cinema-arte. Eles nunca falam sobre a violência extrema no entretenimento de massa”. Para Mary Harron, filmes como John Wick mostram mais violência do que Psicopata Americano e Coringa e não recebem a mesma reação. Para ela, isso ocorre porque o tipo de violência destes dois últimos filmes, apesar de menor, é mais perturbadora.

Harron estende as comparações a produções, inclusive, direcionadas a audiências mais jovens, como é o caso dos filmes de super-heróis da Marvel. “Nestes filmes você pode explodir a maior parte de Manhattan e as pessoas amam. Mas as pessoas ficam desconfortáveis com ambiguidade moral. Se a mesma violência é praticada por uma pessoa (como o John Wick) que está buscando alguma vingança nobre, as pessoas reagem diferente. Mas quando é alguém como o Coringa, que é profundamente perturbado mentalmente, você é colocado em uma posição desconfortável.”

Para ela, a mudança da opinião pública em relação a Psicopata Americano não necessariamente representa uma mudança verdadeira na cultura, apenas que as pessoas tiveram tempo para absorver melhor a mensagem do filme. Para ela, as pessoas continuam repudiando produções que as incomodam, alegando que elas não trazem nada de novo, assim como aconteceu em 2000. “O filme foi visto especificamente como uma produção dos anos 1980, e, claro, é um filme datado. Mas o que aconteceu nos 20 anos desde o capitalismo do fim do século 20 – agora capitalismo do século 21 – só ficou cada vez pior. Aqueles caras [como Patrick Bateman] ainda estão por aí”.

Apesar de já estar um pouco saturada de responder questionamentos sobre toda a polêmica em torno de Psicopata Americano, Harron diz que é grata pelo filme. Embora ele tenha demorado para ser compreendido, ele fez sucesso suficiente para que ela continuasse no ramo.

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