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Crime Scene

Por que não lembramos das assassinas em série

Geralmente vítimas da violência, as mulheres revelaram-se assassinas em série letais e cruéis ao longo da história

Não é de hoje que somos apresentados a histórias macabras de personagens enigmáticos cujo desfecho era um verdadeiro banho de sangue e vísceras pelo ambiente. Crescemos entre a curiosidade e o medo de ver além do que deveríamos da verdadeira obsessão de um assassino em série: matar. Mas geralmente os protagonistas dessa histórias eram homens. Sim, eles são maioria — e quando nos perguntávamos se sequer existiam mulheres fazendo isso e quais seriam suas particularidades e modo de agir, começavam as dúvidas e informações incompletas sobre o passado e os crimes dessas misteriosas damas assassinas.

Segundo a imprensa americana, Aileen Wuornos foi “a primeira assassina em série da América”. Ela foi presa em 1992, acusada de sete homicídios, mas registros históricos — ainda que raros e de difícil acesso —  revelam que as assassinas em série já existem há muito tempo. A americana Nannie Doss, retratada em Lady Killers: Assassinas em Série, de Tori Telfer, dominou os jornais em meados da década de 1950. Sorridente e bem humorada, ela surpreendeu os policiais ao falar com desenvoltura e satirizar perguntas sobre arsênico e casamentos infelizes — a vovó Nannie havia matado quatro dos cinco maridos.

Pelo noticiário sensacionalista dos anos 1990, os brasileiros conheceram o temido Maníaco do Parque, um dos mais populares assassinos em série do país, que estuprou nove mulheres e matou outras onze. Outro nome que inegavelmente surge quando tocamos neste assunto é Jack, o Estripador. Cruel e sem limites, o assassino mais famoso do século XIX matou mais de dez mulheres em uma conservadora Londres da Era Vitoriana.

Geralmente vítimas de assassinos sanguinários, as mulheres também revelaram-se letais ao longo da história. “Os historiadores ainda se perguntam quem foi Jack, o Estripador, mas quase nunca falaram de sua conterrânea, a assustadora Mary Ann Cotton, que confessou três ou quatro vezes mais vítimas, a maioria crianças“, cita Tori Telfer em seu livro.

Cruéis, atormentadas e, sobretudo, humanas, as mulheres representam menos de 10% do assassinos seriais — ou, pelo menos, achamos isso, levando-se em consideração que alguns casos podem nem ter sido noticiados ou documentados, como sugere Telfer.

LEIA TAMBÉM: TORI TELFER FALA SOBRE ASSASSINAS EM SÉRIE

Mas como lidamos quando descobrimos que essa parcela de mulheres frias e cruéis esconde histórias perturbadoras de mortes com tristes episódios de violência, alguns ainda na infância, como o caso de Elizabeth Báthory? Nascida em 1560, Báthory viveu uma vida de luxo e riqueza por pertencer a um dos mais poderosos clãs aristocráticos da época. Báthory presenciou crueldades ao longo da infância, e parecia inabalável diante de tais episódios… até que desenvolveu o cruel hábito de matar. O resto da história você vai conhecer no livro.

Aproximando o assunto dos dias atuais, a russa Tamara Samsonova, de 71 anos, foi flagrada por câmeras de segurança carregando a cabeça de uma de suas amigas, de 79, em uma panela, no ano de 2015, pela rua de sua casa em São Petersburgo. Depois de prendê-la, a polícia encontrou uma espécie de diário com relatos de cerca de dez assassinatos cruéis. Rapidamente, Samsonova foi apelidada de Vovó Lecter — menosprezando a profunda crueldade e o nível de violência contido naquela “inocente” idosa.

A imprensa russa cobriu amplamente o caso e Samsonova ganhou outros tantos apelidos, inclusive a já batida comparação com Jack, o Estripador. Ainda segundo a imprensa, Samsonova falava alemão e inglês e trabalhou durante anos em um hotel. Para os vizinhos, a senhorinha era apenas uma pessoa qualquer que morava sozinha na pacata rua Dimitrov.

Em 1998, o agente do FBI Roy Hazelwood afirmou: “Não existem assassinas em série”. O trabalho de Hazelwood contribuiu significativamente para o refinamento do perfil criminal e da compreensão moderna da mente de assassinos em série. Nessa afirmação, no entanto, ele se equivoca brutalmente.

Em Lady Killers: Assassinas em Série, Telfer também manifestou ter sido assombrada por uma estranha sensação de responsabilidade moral ao entrar em um assunto tão complexo e pantanoso: “Não quero fazer com que inconscientemente o assassinato soe como algo trivial ou engraçado. Não quero fazer com que assassinas em série pareçam as verdadeiras feministas. Não quero fazer parte da longa tradição que glamouriza os assassinos em série, embora com certeza eu tenha cometido um ou outro deslize. Mas acredito no poder curativo e esclarecedor da narração, e penso que há algo de proveitoso em olhar para o mal, em tentar compreendê-lo, imaginando se talvez somos todos um pouco responsáveis”.

Parece claro que as disfunções da humanidade ainda vão trazer muito sangue e sofrimento, afinal o sadismo, a perversidade e o egoísmo fazem parte da natureza humana. Talvez, por esses mesmos motivos, a complexidade da mente e dos atos de assassinos em série que, ora nos provocam repulsa, ora uma estranha e envergonhada empatia, cativem leitores do gênero true crime ao redor do mundo. Lady Killers: Assassinas em Série reuniu as mais notáveis assassinas da história para que os crimes cometidos por essas mulheres possam nos ajudar a compreender a estranha sociedade em que vivemos.

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