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Quem foi Henry Hill, o mafioso que inspirou o livro de Os Bons Companheiros

Lançamento do selo Crime Scene relata a história do mafioso com uma narrativa permeada de brutalidade.

Algumas histórias de vida são tão absurdas que parecem ter saído da mente criativa de algum roteirista de Hollywood. Mas há aquelas que, apesar de terem parado no cinema, são reais – mesmo com todas as suas peculiaridades. Este é o caso de Henry Hill, o mafioso que inspirou o filme Os Bons Companheiros.

Mesmo com as romantizações e liberdades tomadas pela equipe de roteiristas na adaptação do livro de Nicholas Pileggi, publicado no Brasil pela DarkSide® Books, a vida de Hill não se torna menos curiosa. Nas telonas ele foi interpretado por Ray Liotta em uma trama que conta sua jornada e seu envolvimento com os mafiosos James Conway (Robert De Niro), cujo nome de verdade era James Burke, e Tommy DeVito (Joe Pesci), que se chamava Thomas DeSimone.

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Vida bandida desde cedo

Filho de pai irlandês e mãe descendente de italianos, o pequeno Henry Hill cresceu com seus sete irmãos no Brooklyn. Desde cedo ele admirava os gângsters locais que socializavam em um ponto de táxi do outro lado da rua de onde ele morava. Entre eles, Paul Vario, um figurão da família Lucchese, a máfia local.

Em 1955, com apenas 11 anos ele foi ao ponto de táxi em busca de um emprego de meio período, enquanto ainda estudava. Desde aquela época começou a desempenhar algumas tarefas nos negócios de Vario, como uma sapataria, uma pizzaria e o próprio ponto de táxi.

Com 14 anos Henry já estava amigo dos filhos de Paul Vario, que lhe deram o cartão do sindicato dos pedreiros. O emprego era uma fachada para que Hill tivesse acesso a construções locais, onde buscava apólices e pagamentos de dívidas para Vario. Com um emprego “legítimo”, Henry Hill deixou de frequentar a escola e passou a trabalhar em tempo integral para a família Vario.

A primeira prisão ocorreu aos 16 anos, quando Hill e Lenny, um dos filhos de Vario, tentaram comprar pneus para a neve com um cartão de crédito roubado. Quando interrogado, a única informação que ele deu foi o seu nome, deixando de lado qualquer envolvimento com a máfia. O advogado de Vario conseguiu a liberação do jovem Henry com o pagamento de fiança e o silêncio dele durante o interrogatório aumentou seu prestígio entre os mafiosos, apesar de sua origem irlandesa – algo não muito bem visto entre a maioria dos gângsters na época.

Aos 17 anos Henry Hill precisou servir ao exército, onde permaneceu por três anos. O timing não poderia ter sido melhor: naquela época havia uma grande investigação em cima de famílias mafiosas, o que permitiu a Hill verificar uma lista parcial de investigados, mas ele não encontrou o nome de Vario lá.

Mesmo no exército ele manteve contato com a máfia e continuou a fazer seus trambiques. Encarregado da cozinha, ele vendia suprimentos de comida, emprestava dinheiro de agiotas a colegas soldados e vendia cigarros contrabandeados. Antes de seu tempo de serviço acabar, ele foi detido por ter roubado o carro de um xerife local, além de ter brigado em um bar com civis e com fuzileiros navais.

Henry Hill entra de cabeça no mundo do crime

A sua vida pós-exército foi uma das mais movimentadas na ficha criminal: incêndio criminoso, intimidação, um esquema de carros roubados e sequestro de caminhões. Também foi nesta época que ele conheceu e se casou com sua esposa Karen, que o acompanhou por boa parte da vida e foi interpretada em Os Bons Companheiros por Lorraine Bracco.

Um dos episódios que aumentou seu prestígio foi o roubo de US$ 420 mil de um voo cargueiro da Air France no Aeroporto JFK, em Nova York. Ele e Tommy DeSimone receberam a informação de uma alta quantia de dinheiro que chegaria e fizeram tudo de uma forma muito sutil: aproveitando o horário de refeição dos seguranças, acessaram o depósito pela área de retirada de bagagens do aeroporto com uma cópia da chave. O roubo só foi percebido na segunda-feira seguinte quando o caminhão para buscar a quantia chegou e perceberam que o dinheiro havia sumido.

A parte do dinheiro que ficou com Henry Hill foi utilizada por ele para comprar um restaurante e tentar ter um negócio legítimo, afastando-se da máfia. Porém, seu restaurante The Suite acabou virando um ponto de encontro para os mafiosos das famílias Lucchese e Gambino.

O envolvimento com drogas e o roubo da Lufthansa

Hill manteve contato com Jimmy Burke e Thomas DeSimone, assim como no filme, e acabou preso novamente em 1972. Desta vez, ele fez conexões dentro da prisão que o inseriram no mundo do tráfico de drogas, algo proibido na máfia naquela época. Em 1978 ele saiu em liberdade condicional e continuou envolvido com narcóticos.

No mesmo ano de sua saída, houve o roubo de quase US$ 6 milhões da Lufthansa, orquestrado por Jimmy Burke. Embora Henry Hill não tenha se envolvido diretamente no roubo, ele recebeu sua parte dos lucros por ter repassado a informação.

Em 1980 ele voltou para trás das grades por tráfico de drogas e pela suspeita de envolvimento com o roubo da Lufthansa. Nesta época ele estava convencido de que seus colegas de máfia queriam matá-lo: Vario pelo envolvimento com drogas e Burke pelo fato de Hill tê-lo dedurado sobre o roubo da Lufthansa.

Com uma pena pesada lhe aguardando de um lado e a iminência da morte de outro, Henry Hill concordou em se tornar um informante para a polícia. Seus depoimentos renderam pelo menos 50 prisões e ele e a família entraram para o programa de proteção de testemunhas, mudando de nome e endereço para não sofrerem retaliações da máfia.

Os Bons Companheiros e o epílogo de Henry Hill

A vida de Henry Hill até este ponto rendeu uma das principais produções sobre máfia de Martin Scorsese, adaptada do livro de Nicholas Pileggi: Os Bons Companheiros. O filme foi indicado a seis Oscars®, incluindo o de Melhor Filme, e rendeu a Joe Pesci a estatueta por ator coadjuvante no papel de Tommy DeVito. 

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O longa foi produzido com a consultoria de Hill, que orientava não apenas Ray Liotta, que lhe interpretou, mas ajudou De Niro e Pesci a construírem seus personagens com base nos mafiosos reais. A Warner Bros. pagou a Hill cerca de US$ 500 mil pelos direitos da história e pela consultoria, o que provavelmente foi seu maior pagamento desde o roubo da Lufthansa, com a vantagem de não ter o medo de levar um tiro ou ser preso por isso.

Apesar do glamour de Hollywood que Os Bons Companheiros lhe proporcionou, a vida familiar de Henry estava ruindo. No mesmo ano em que o filme foi lançado, sua esposa Karen pediu o divórcio, após 23 anos de um casamento rodeado pela vida bandida de Hill e pelo vício em drogas – o principal motivo para a separação. Não demorou muito para que ele fosse expulso do programa de proteção de testemunhas por ter continuado a praticar crimes, mesmo com a nova identidade.

Henry Hill reconhece não ter sido um bom pai para seus filhos, apesar de eles lhe dizerem o contrário. Nenhum deles pode carregar o nome dele por risco de qualquer tipo de retaliação por causa do passado de Hill – tanto na máfia como no papel de informante.

Ele se casou mais duas vezes e passou os últimos anos de sua vida causando surpresa em médicos pelo seu crítico estado de saúde. Com a segurança de que todos os seus algozes estavam mortos ou presos, o homem que passou boa parte da vida se escondendo aproveitou a velhice para tentar estender seus 15 minutos de fama para faturar um pouco mais e manter sua vida confortável na Califórnia.

Na reta final da vida, ele, incentivado por sua última parceira, Lisa Caserta, desenvolveu uma nova habilidade: pintura. Apesar de ter possuído muitas propriedades no passado, ele perdeu boa parte de suas posses em apostas, fazendo da pintura uma fonte de renda através das vendas pela internet.

Mas um dos problemas que sempre rodeou Hill foi uma vida definida por vícios: bebida, drogas, apostas. Mesmo com sérios problemas de saúde no fim de sua vida e o cuidado de Caserta com sua alimentação, ele sempre dava uma escapadinha e aceitava alguns dos drinks que lhe pagavam em bares. Ele faleceu em 2012, um dia após seu aniversário de 69 anos, por complicações após um ataque cardíaco.

Apesar da sua vida de gângster ter lhe rendido dinheiro e uma vida confortável, Henry Hill chegou aos seus últimos anos com alguns arrependimentos, como o de não ter guardado um pouco mais de dinheiro. Ele não acreditava que filmes como Os Bons Companheiros glamorizassem a vida dos mafiosos, pois mostram os perigos do mundo do crime. Apesar de lembrar dos dias de gângsters como “os bons tempos”, em sua maioria por causa do dinheiro e do respeito que recebia em Nova York, as atrocidades que Henry Hill presenciou o acompanharam até o fim de seus dias.

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