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Susan Hill: Conheça a autora de Eu Sou o Rei do Castelo

O medo é delicioso quando estamos em segurança

22/04/2024

Conhecida principalmente por suas histórias de fantasmas, Susan Hill é uma escritora para lá de versátil. Com mais de 60 obras publicadas, variando entre romances, contos, livros infantis, peças, histórias de não ficção e autobiografias, a britânica ganhou destaque no mundo literário após receber em 1971 o Prêmio Somerset Maugham por Eu Sou O Rei do Castelo.

LEIA TAMBÉM: COMO FOI TRADUZIR EU SOU O REI DO CASTELO

Obra-prima do suspense psicológico, o livro nos transporta para uma mansão sombria onde as coisas apenas aparentam estar no lugar certo. Eu Sou O Rei do Castelo, lançamento da Macabra em parceria com a DarkSide®, narra o duelo entre duas crianças de 11 anos, cuja guerra territorial acaba desencadeando perseguições cruéis, violência e o questionamento da sanidade. 

Em Eu Sou O Rei do Castelo, um de seus romances mais premiados, Susan Hill mostra sua escrita habilidosa e envolvente, jogando-nos em uma narrativa assustadora, dolorosa e perturbadoramente real. Com uma carreira prolífica e mais de 50 anos de história literária, a autora continua na ativa, conhecida principalmente por suas atmosferas perturbadoras que questionam a natureza humana.

eu sou o rei do castelo

Talento precoce

Nascida em 5 de fevereiro de 1942 em Scarborough, uma cidade costeira no Condado de North Yorkshire na Inglaterra, durante a Segunda Guerra Mundial, Susan Hill era a única filha de um militar da Força Aérea Real e uma costureira autônoma. Quando a jovem tinha 16 anos, a família se mudou para a cidade de Coventry, devido ao novo trabalho do pai em uma fábrica de aviões. Embora tenha saído de Scarborough ainda nova, muitos de seus romances e contos foram ambientados na cidade natal à beira-mar

Desde cedo, Hill se mostrou interessada em teatro e literatura. Aos 19 anos, enquanto frequentava a escola de gramática em Coventry, escreveu seu primeiro romance: The Enclosure. A obra, que foi publicada quando estava no primeiro ano da faculdade, acompanhava o colapso de um casamento e causou polêmica devido ao teor adulto e sexual.

Em 1963, a escritora se formou em Inglês no King’s College de Londres, onde atuou como crítica literária para o jornal local. Logo após a formatura, publicou seu segundo romance: Do Me a Favor, uma história sobre isolamento, perda e desapego em um relacionamento de classe média, que foi massacrada pela crítica especializada. 

susan hill

Depois da experiência universitária, Hill começou a trabalhar em tempo integral como escritora, jornalista literária e radialista. Entre 1968 e 1974, escreveu o que chamou de seus “livros sérios”, tornando-se membro da Sociedade Real de Literatura em 1972. Em 1968 publicou Gentleman and Ladies, que foi indicado ao prêmio John Llewellyn Rhys. A obra aborda temas como doença, solteirice e envelhecimento, sendo que muitos críticos apontam que aqui já é possível enxergarmos dois ingredientes principais de sua escrita: a crueldade e a morte

“A casa é minha, eu cheguei primeiro”

Em 1969, a escritora publicou A Change for the Better e em 1970 foi a vez de um de seus livros mais aclamados: Eu Sou O Rei do Castelo, um grande sucesso que lhe rendeu o prêmio Somerset Maugham e figurou por muitos anos em listas de leituras e debates acadêmicos. Na obra, acompanhamos Edmund Hooper, um menino de 11 anos que mora com o pai viúvo em uma grande e remota casa vitoriana. A relação entre pai e filho é desconfortável e distante, mas tudo muda para pior quando Joseph Hooper contrata uma governanta, a viúva Helena Kingshaw, que vai morar na residência junto com o filho, Charles. Astuto e manipulador, Edward não quer que eles se mudem, afinal ele era o rei do castelo

Eu Sou O Rei do Castelo acompanha o reinado de terror que os meninos infligem um ao outro, explorando o sadismo com que abordam as fraquezas e medos do “adversário”. A temática trouxe comparações com outras obras-primas da literatura, como O Senhor das Moscas de William Golding. Em 1989, Hill descreveu o livro como um romance sobre a crueldade e o poder que o mal tem de possuir até mesmo uma criança pequena. No entanto, acima de tudo, ela afirma que Eu Sou O Rei do Castelo é sobre isolamento e falta de amor.

temas eu sou o rei do castelo

Tragédias pessoais, obras sombrias

O trabalho de Hill, que já era marcado pela morbidez e suspense, ficou ainda mais sombrio após eventos trágicos de sua vida pessoal. Em 1972, seu noivo, David Lepine, um jovem organista da Catedral de Coventry, morreu subitamente devido a um ataque cardíaco. Em 1974, a escritora lançou In The Springtime of the Year, um romance semiautobiográfico em que aborda a perda, solidão e isolamento por meio de uma personagem sofrendo a morte repentina do marido. 

Em 1975, após se casar com Stanley Wells, um pesquisador de Shakespeare, Hill deu uma breve pausa na carreira literária, concentrando-se na família e escrevendo peças de rádio. No entanto, após o nascimento de sua primeira filha em 1977, mais um evento traumático marcou sua vida: a morte da segunda filha, que faleceu apenas algumas semanas depois de seu nascimento. Em suas incursões autobiográficas, como o livro Family, de 1989, Hill narra a tragédia de perder a filha, assim como o desejo de se tornar mãe novamente após sofrer abortos espontâneos

Após tantas perdas e dores, em 1983, a autora fez seu retorno triunfal à ficção com uma de suas obras mais famosas: A Mulher de Preto, uma clássica história de fantasmas que segue a tradição de autores consagrados como Charles Dickens, Montague Rhodes James e Henry James. O livro, que representou um ponto de virada em sua carreira e rendeu reconhecimento mundial, acompanha um jovem advogado enviado para uma remota residência para lidar com a propriedade de uma cliente recém-falecida. No entanto, ao chegar no lugar ele se depara com um fantasma vingativo.

a mulher de preto

Assim como Eu Sou O Rei do Castelo, A Mulher de Preto explora as ansiedades modernas sobre crianças e sua segurança, assim como nossos sentimentos ambíguos em relação aos pequenos. Um verdadeiro fenômeno literário, teatral e cinematográfico, A Mulher de Preto foi transformado em peça em 1987 e se tornou uma das produções com mais tempo em cartaz em Londres (a última performance foi em março de 2023, contabilizando um total de 13.232 apresentações!). A obra também foi adaptada como filme para a televisão em 1989 e para os cinemas em 2012, protagonizado por Daniel Radcliffe.  

Após o sucesso de A Mulher de Preto, Hill começou a escrever mais romances e contos góticos, principalmente histórias de fantasmas, como The Mist in the Mirror (1992), The Man in the Picture (2007), The Small Hand (2010) e Dolly (2012), além de editar coletâneas temáticas do gênero. Diversas vezes, afirmou que desejava prestar homenagem aos clássicos publicados durante a Era Vitoriana, algo que ficou evidente em suas histórias, que apresentam intertextualidade com obras e histórias da tradição gótica do século XIX. 

Suas narrativas góticas acabam também dando muito destaque à interação entre memória e imaginação, além de questões como tempo e envelhecimento. Outra característica comum é a intercalação entre passado e presente por meio de narradores autodiegéticos, que relatam sua juventude e experiências pessoais traumáticas, como é o caso de A Mulher de Preto

susan hill

Mais de 50 anos de carreira

Desde 1971, Hill vem se dedicando a vários estilos literários, como coletâneas, prosas líricas, autobiografias e livros infantis (pasmem, ela já publicou dezesseis livros voltados para crianças!). Mostrando sua capacidade de trabalhar com diferentes estilos e convenções literárias, em 1993, publicou Mrs. De Winter, uma sequência do clássico Rebecca de Daphne Du Maurier

Atualmente, a escritora continua se dedicando à histórias de fantasmas, tanto em romances quanto coletâneas, e à ficção policial, por meio da série do detetive Simon Serailler, cuja estreia aconteceu em 2004 no livro The Various Haunts of Men. No entanto, engana-se quem acha que a carreira de Susan Hill acaba por aí. 

Entre 1986 e 1987, ela foi apresentadora da estação de rádio BBC Radio 4 e em 1996, fundou sua própria editora, a Long Barn Books, editando e publicando um jornal literário trimestral. Como se não bastasse, em 2020 ela ganhou o título de Dama Comandante da Ordem do Império Britânico por seus serviços à literatura. Aos 81 anos, é uma usuária assídua das redes sociais e continua comandando sua editora. 

susan hill

Em entrevista concedida em 2015, Hill afirmou que é delicioso sentir medo quando sabemos estar em segurança: “é como ser uma criança de novo, sabendo que você pode se esconder debaixo do cobertor a qualquer momento se a história ficar muito assustadora”. 

Quando questionada se acreditava em fantasmas, ela apenas disse: “às vezes”. Talvez essa resposta curta, mas impactante, personifique bem as histórias criadas por Susan Hill. Às vezes as ameaças são os fantasmas. Às vezes são apenas os seres humanos. 

LEIA TAMBÉM: EU SOU O REI DO CASTELO: 5 TEMAS DO LIVRO QUE FALAM COM TODOS NÓS

Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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