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Eretismo: O que urina, sífilis e mercúrio têm a ver com o Chapeleiro Maluco?

Doença teria inspirado famoso personagem de Alice no País das Maravilhas

02/08/2023

No idioma inglês, a expressão “mad as hatter” (“louco como um chapeleiro”, em tradução livre, ou algo como “mais louco que o Bátima”, no multiverso “Bátima Feira da Fruta”) é usada para descrever pessoas… excêntricas, peculiares, estrambólicas. Na mão do palhaço, sabe? Mas o que quase ninguém sabe é que muito provavelmente a expressão é derivada de uma doença neurológica grave. Essa condição, inclusive, teria inspirado Lewis Carroll a criar o Chapeleiro Maluco, de Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho.

LEIA TAMBÉM: 6 CURIOSIDADES MACABRAS SOBRE ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS

O ditado que personifica o rapaz que convida Alice para tomar um chá muito doido surgiu por volta de 1820, cerca de três décadas antes de clássico da literatura inglesa e sua continuação, Alice Através do Espelho, ganharem o mundo.

alice no país das maravilhas

O eretismo, popularmente conhecido como a síndrome do Chapeleiro Maluco, é causado por intoxicação por mercúrio, muito comum na fabricação de chapéus de feltro durante o século XIX — quando chapéus eram acessórios praticamente obrigatórios. Usado para endurecer as fibras da pele de animais, geralmente coelhos (olha só…), tornando-as mais firmes, o elemento virava vapor e, inalado pelos artesãos, que trabalhavam em oficinas fechadas, acumulava-se em seus organismos

Os sintomas desse excesso de mercúrio no organismo incluíam dores de cabeça, baixa autoestima, mudanças de personalidade, tremores e… delírio. Em casos graves, podia levar a alucinações, delírios e paranoia. Os chapeleiros, então, passavam a ter comportamento estranhos, excêntricos, “maluquinhos”… Te lembrou alguém? Pois é.

alice

Antes do mercúrio, alguns chapeleiros ingleses utilizavam urina para enrijecer o feltro dos chapéus. Quando a tendência chegou à França, um famoso chapeleiro, notório pela qualidade de seu trabalho, experimentou trocar o xixi por um composto de mercúrio usado para tratar a sífilis. Deu certo, mas por pouco tempo. E o resto é história.

Afinal, reza a lenda que, ao observar trabalhadores reais do século XIX com os sintomas da tal doença, Carroll, ele mesmo um homem de saúde frágil, teria se inspirado para criar um de seus personagens mais famosos. Confirmar, ele nunca confirmou. Outras teorias são ventiladas, e até mais aceitas. Mas que essa faz sentido… ah, faz.

LEIA TAMBÉM: QUAL A RELAÇÃO ENTRE OS BEATLES E ALICE ATRAVÉS DO ESPELHO?

Sobre Liv Brandão

Avatar photoJornalista, criadora de conteúdo e roteirista. Passou por veículos como O Globo e UOL sempre falando de cultura e entretenimento. É especialista em séries de TV, mas também fala de filmes, música, literatura e o que mais vier.

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