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A contribuição de Michael McDowell para o terror atual

Conheça a trajetória do autor de Elementais

Histórias de terror em casas mal-assombradas também acontecem em plena luz do dia. Esta é uma das lições de Elementais, livro de Michael McDowell que faz parte da nova coleção Dark House da DarkSide® Books

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Ambientada no estado sulista do Alabama, a história captura uma atmosfera peculiar, conforme o próprio McDowell descreve: “O Alabama é emocionalmente denso, e você tem que lidar com tudo lá. É a intensidade da moralidade. Considero isso uma parte significativa do sucesso que eu tive.”

A escolha do estado não ocorre por acaso, pois foi na área rural dele que Michael McDowell nasceu e cresceu. Alfabetizado em uma escola pública, o autor não considera que teve qualquer tipo de desvantagem, afirmando que se sentia em casa quando frequentou a Universidade de Harvard.

Depois de ter saído do Alabama, McDowell raramente voltou ao seu estado natal. Apesar de ter passado a maior parte de sua vida adulta entre Boston e Los Angeles, o Alabama permaneceu uma das suas fontes de inspiração mais presentes, celebrando e ao mesmo tempo condenando as comunidades e instituições sociais nas quais cresceu.   

Nunca escrever a mesma história duas vezes

Michael McDowell começou seu relacionamento sério com a escrita quando estava na faculdade, aspirando uma carreira como escritor. “Eu tive muita sorte de ser tão ignorante que eu não tinha ideia de como era difícil se sustentar escrevendo.” Ele trabalhava como secretário e no tempo livre escrevia, o que considerava positivo: “Eu não teria conseguido escrever tanto como escrevi se eu estivesse lecionando.”

Fonte: IMDb

Os primeiros romances que McDowell escreveu nesta rotina nunca foram publicados. Sua carreira começou pra valer por volta de 1978, quando ele foi assistir ao filme Barry Lyndon: “que era terrível. Mas antes dele exibiram um trailer de A Profecia (que é a única coisa que eu vi de A Profecia). Nele, a criança se chamava Damien. E eu tinha acabado de assistir a O Exorcista, e nele a criança se chamava Regan. Então eu pensei, não é conveniente demais que crianças demoníacas tenham nomes tão interessantes? Então pensei ‘e se você tivesse uma criança demoníaca chamada… Fred!’”, recorda em uma entrevista concedida a Douglas E. Winter.

Escrita inicialmente como um roteiro, a história teve o ângulo transferido de uma criança para um objeto amaldiçoado. Com o script pronto, McDowell adaptou a trama para um romance como um exercício. E foi assim que surgiu o seu primeiro livro, O Amuleto, publicado em 1979. A partir daí, passou a se dedicar à carreira de escritor.

Apesar de uma produção constante, Michael McDowell nunca escreveu o mesmo tipo de história duas vezes. Cada uma delas ela única e diferente de todo o resto do que era publicado na época. Mesmo assim, as temáticas do sul gótico e dos romances históricos eram preponderantes em suas obras.

Dos livros para o cinema

No final dos anos 1980, a carreira de McDowell retornou à escrita de roteiros, mas desta vez com bastante sucesso. Sua primeira oportunidade aconteceu por acidente, quando os produtores de Galeria do Terror lhe telefonaram para conversar sobre os direitos de uma de suas histórias, que seria adaptada para a série. Só que na verdade eles estavam falando de outro autor, Michael P-Kube McDowell. Constrangidos com a confusão, perguntaram se McDowell teria alguma história para lhes mostrar, ao que ele respondeu que sim – e em seguida começou a escrever.

Em outra tentativa de roteiro o autor acabou escrevendo o filme que marcaria a infância de muitas crianças sinistras dos anos 1980 e 1990: Beetlejuice. A parceria com Tim Burton renderia outro fruto supernatural para o público infantil: O Estranho Mundo de Jack

Entre outros roteiros escritos por Michael McDowell, mais uma parceria de sucesso: ele fez o roteiro que adaptou o livro A Maldição, de Stephen King. Ele e King eram bons amigos e constantemente celebravam o trabalho um do outro. A última obra de McDowell, Candle Burning, foi finalizada após sua morte em 1999 pela escritora Tabitha King, esposa de Stephen.

LEIA TAMBÉM: O OLHAR APURADO DE TABITHA KING PARA BOAS HISTÓRIAS

A versatilidade do terror de Michael McDowell

Na entrevista com Douglas E. Winter, Michael McDowell se orgulha de ser um escritor comercial: “Eu estaria super disposto a escrever para uma editora que chegasse para mim e falasse ‘preciso de um romance sobre uma líder de torcida nazista submarina e precisa ter 309 páginas e preciso de quatorze capítuos e um prólogo’.” O escritor também não dava muita importância às críticas e à aprovação dos acadêmicos: “A ideia de analisar um volume de texto que eu acho muito bom me parece desagradável e sem sentido.”

O fato de ter uma abordagem mais comercial não significa que McDowell tenha alguma espécie de fórmula para suas obras. Graças à sua criatividade ou ao histórico acadêmico, ele sempre conseguiu manter suas histórias originais. A escolha do terror provavelmente se deu justamente porque o gênero o liberava de qualquer tipo de expectativas acadêmicas, dando um mundo de possibilidades à sua imaginação macabra.

Confortável para escrever sobre violência e gore ou tensão sobrenatural, Michael McDowell se provou ser um autor versátil, navegando pelos subgêneros do terror. Sua intensa atividade como escritor nunca diminuiu a dedicação do autor a cada uma de suas histórias, como ele mesmo afirmou em entrevista ao Fangoria: “Não quero dar a impressão de que não sou um escritor atencioso só porque escrevo muito. Sou extremamente cuidadoso e tenho muito orgulho do meu trabalho. Encaro-o como uma arte, uma arte que estou tentando aperfeiçoar.”

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Sobre DarkSide

Eles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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