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DarkloveEntrevista

A força transformadora dos animais

Em Para Sempre vou te Amar um cachorrinho muda a vida de uma família

Sophie é uma menina com transtorno de espectro autista e que costuma gritar por horas a fio. Em Para sempre vou te amar, ela e a família se mudam constantemente de casa, até morarem com uma tia e a menina conhecer o cachorro do vizinho. A conexão com o animal dá mais tranquilidade a Sophie e a todos.

LEIA TAMBÉM: CONHEÇA “PARA SEMPRE VOU TE AMAR”, DE CATHERINE RYAN HYDE

Mas não é apenas na ficção que isso acontece. Quantas pessoas tiveram suas vidas tocadas por um animalzinho de estimação? Seja com o convívio desde a infância ou descobrindo a paixão pelos bichos depois de adulto, pessoas e animais são capazes de estabelecer laços que mudam uma vida inteira.

Para Alexandre Silva, a paixão pelos bichinhos influenciou diretamente nos rumos de sua carreira. Ser veterinário era um desejo desde os 7 anos de idade. Ele teve com sua família diferentes bichos, como cães, gatos, papagaio e passarinho – chegaram a ser quinze ao mesmo tempo.

Embora tenha começado outras faculdades, a vocação para a veterinária falou mais alto e hoje ele cuida dos mais diferentes animais. Um dos bichinhos que mais marcou sua trajetória pessoal e profissional foi a Nina, uma schnauzer que ele carinhosamente chama de “a primogênita lá de casa”.

Nina, a schnauzer carinhosamente chamada de “primogênita”

Assim como muitos animais, a Nina entrou para a família sem o conhecimento de todos – foi uma iniciativa de Alexandre e sua mãe, que o pai só soube no dia seguinte. Apesar da primeira reação pouco amigável, logo ele saiu para comprar acessórios e brinquedos para a cadelinha, que se tornou parte da família. Nesta época Alexandre nem cursava veterinária ainda.

Há pouco mais de um ano, os exames de Nina apresentaram alterações e a família iniciou o tratamento para que ela melhorasse. Apesar da melhora momentânea, logo ela precisou passar por uma cirurgia arriscada, seguida de cuidados ainda mais intensivos com sua saúde. 

Em determinado dia, percebendo o sofrimento de Nina, já com 13 anos, Alexandre se deu conta de que era egoísmo deixá-la passar por isso. “De todas as decisões que tomei ao longo desses cinco anos desde que estou formado, de realizar a eutanásia e eu mesmo fazer esse procedimento, deve ter sido a maior dor que senti até hoje”. Apesar de trabalhar com isso e ter de lidar com este tipo de situação com alguma frequência, o veterinário garante que não é algo com o qual se acostuma.

Parceria que vem desde cedo

Assim como a pequena Sophie do romance de Catherine Ryan Hyde, muitos de nós tem seu primeiro contato com animais ainda na infância ou na adolescência. Este é o caso de Ricardo Theiss, que sempre quis ter um cachorro e conseguiu sua parceria animal por volta dos 12 anos de idade, quando uma cadelinha teve filhotes debaixo da casa de seu avô. “A Meg foi minha primeira dog”. Foi ali que aprendeu sobre ter responsabilidade sobre outro ser: “Como eu insisti pra ter, era responsável por tudo relacionado a ela. O que era justo. Ela fugia muito! Aprendeu a abrir o portão para fugir!” 

Meg ensinou Ricardo o que era ter responsabilidade sobre um bichinho

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O convívio com animais também veio cedo para Gervasio L. R. Marquetti. Apesar de ser uma criança alérgica a pelos de animais, teve sua primeira chinchila aos 11 anos de idade. Fox viveu por nove anos e abriu caminho para outros bichinhos: “Agora tenho um zoológico em casa: são três chinchilas, quatro gatos e dois cachorros”. O fato curioso é que a partir do momento que passou a ter animais em casa, ele deixou de ser alérgico.

Fox foi o primeiro de uma dinastia de chinchilas

O relacionamento vai, os gatos ficam

Apesar de ter tido uma cachorrinha quando ainda morava com os pais, Giselle Trettin mudou para o time dos gatos depois de adulta. Há dez anos ela conta com a companhia do Oliver e do Negão, os dois adotados. Os gatinhos passaram até pelo divórcio de Giselle, que na época disse que “poderia abrir mão de todos os bens materiais se necessário, menos dos bichanos. Discutiria judicialmente a guarda, se necessário”. Para ela, a maior mudança tem a ver com a missão de cuidar de outro ser: “Eles me ensinaram o que é ter responsabilidade por cuidar de alguém, de um serzinho. Mudaram a minha vida por sentir um amor e um cuidado tão grande por essas criaturinhas.”

Giselle e sua pequena pantera Negão
Oliver (esq.) e Negão (dir.) estão há 10 anos com Giselle

Quem também passou por uma separação foi o Martinho, gato da Laís Luz. Apesar de querer um cachorro, ela ganhou um gato de seu marido (agora ex). Mesmo com a experiência nova, logo encontrou no bichano um grande companheiro. E foi assim que ele se manteve após o fim do casamento: “Ele foi o meu companheiro da nova vida pós-término, e me ajudou muito nesse recomeço”. Não demorou muito e a família cresceu com a chegada da Matilda, a segunda gata de Laís, que originalmente queria um cachorro.

Martinho (abaixo) e sua irmã mais nova Matilda (acima)

Descobrindo a companhia na vida adulta

Nathalia Tarnowsky nunca imaginou ser a “louca dos gatos”, título que carrega com orgulho nos dias de hoje. Por insistência do marido, concordou em ter um gato, “mas tinha que ser bem peludo”, defendia depois de ter assistido à nova versão de O Rei Leão. A primeira experiência foi breve, porém intensa. Simba, um filhote de persa, foi seu primeiro gato, mas já chegou à casa do casal com Peritonite Infecciosa Felina (PIF), e morreu em poucos meses. Apesar do trauma, Nathalia logo abriu seu coração para Nahla e Chiara, duas gatinhas que estão longe do estereótipo do gato preguiçoso e vivem destruindo a casa, mas ao mesmo tempo se tornaram a companhia ideal para Nathalia, que se descobriu mais paciente com as constantes confusões da dupla. E sim, as duas são bem peludas.

Nahla (esq.) e Chiara (dir.) ajudam Nathalia (a humana) a carregar com orgulho o título de Louca dos Gatos
Nahla e Chiara são as grandes companheiras de Nathalia

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Para a Cristiane Hardt, sua cachorrinha Lola foi a grande companheira após uma separação. Por oito anos, as duas estabeleceram uma rotina bem-definida: passeios em uma rua tranquila aos domingos de manhã, a Lola dormindo no sofá enquanto a Cristiane trabalhava e, claro, muito carinho e atenção quando encerrava o expediente. “Ela ocupava bastante do meu tempo, mas era uma ocupação gostosa porque era retribuída com muito carinho”. Como a Lola teve alguns problemas de saúde ao longo da vida, ensinou valiosas lições à sua tutora: “A Cris pós-Lola aprendeu a superar desafios, a entender que dinheiro não é tudo, a amar incondicionalmente. Ela me ensinou a ser uma pessoa melhor, mais empática, e a valorizar os pequenos momentos de felicidade pura.”

Lola ajudou Cristiane a superar desafios

Com seu gato Del, Diego Trettin encontrou companhia na medida certa. Ele até queria adotar um gato algum dia, mas Del apareceu meio de supetão na sua vida e Diego precisou se adaptar à realidade de gateiro de primeira viagem: “Eu tinha pesadelos de que ele fugia ou se acidentava, voltava para casa correndo do trabalho para ver se estava tudo bem, acordava de madrugada e cutucava ele para ver se estava vivo”. Para ele, a companhia de Del se tornou ideal: “Eu sou uma pessoa que ama estar sozinha, mas não gosto de me sentir sozinho”. Além disso, ele considera que se tornou mais empático, solícito e atencioso com as pessoas depois de conviver com um gato.

Del é a companhia perfeita para Diego

Animais são terapêuticos?

Raphael Machado acabou se tornando “pai de pet” através do conselho de uma amiga em um momento “meio depressivo” de sua vida. Apesar de ter relutado, a gatinha Val se tornou complemento da sua terapia. Ele e o noivo disseram que fariam um teste por alguns dias, mas não demorou muito para Val se tornar a nova dona da casa. Logo, ela ganhou um irmão felino: Tom. “A gente construiu uma relação de pais e filhos mesmo”, define. Até hoje, Raphael descreve com certo fascínio as manias e as diferentes personalidades de seus filhos bichanos. Da mesma forma, os gatos dedicam atenção extra quando percebem que seus pais estão desanimados. “Não é aquilo de ‘gato ameniza a dor’, mas a gente se distrai e acaba se concentrando neles. E algo ali acontece que você se sente até feliz.”

Val mudou a ideia que Raphael tinha sobre gato
Tom chegou para completar a família de Raphael

Quem compartilha desta sensação é Paloma Oliveira ao descrever o bem que seu cãozinho Lincoln lhe faz. Apesar de ter comido vários pares de sapato, destruído um jogo de sofá e ter roído todos os móveis, os benefícios de Lincoln na vida de Paloma são maiores. “Em 2017 comecei a ter crises de ansiedade porque não estava dando conta da faculdade e de trabalhar em período integral. Cheguei a cogitar o pior, mas o que me segurou foi ter a responsabilidade de cuidar dele”. Ela também percebe o apoio do doguinho quando precisa: “Quando termino a minha sessão de terapia a primeira coisa que tenho que fazer é pegar ele no colo. Nos dias mais difíceis ele não para de me lamber.”

Lincoln ajuda Paloma a lidar com a ansiedade

Diego Becker tem sentimentos parecidos com seus dois gatos: Asbel e Drico. Assim como a Nathalia, ele também não queria ter gatos e entrou neste mundo por insistência do parceiro. Além de ter mudado completamente a sua opinião sobre os bichanos, Diego gosta da sensação que eles provocam: “Eu adoro quando eles estão por perto, quando dormem com a gente aconchegados. Eu me sinto menos ansioso perto deles. Quando eles deitam no meu peito parece que eles têm o poder de tirar o que estava fazendo mal.”

Fernando (esq.) abriu o mundo dos gatos a Diego (dir.). Hoje os dois formam uma família com os gatos Drico (esq.) e Asbel (dir.).
Asbel (esq.) e Drico (dir.) são o yin yang que fazem Diego se sentir melhor

A sensação de Diego tem fundamento. Segundo a psicóloga Nathalye Melo, “o calor do corpo do animal, pertinho do nosso, num momento de ansiedade, nos acalma e nos passa a sensação de acolhimento e pertencimento”. Além disso, ela acrescenta que a responsabilidade por um animal implica uma rotina, uma organização e um planejamento.

Apesar disso, Nathalye indica que animais não devem entrar na vida das pessoas com o propósito de “preencher um vazio”: “São seres que precisam de amor, cuidado e atenção. Não tem a opção ‘enjoei, quero devolver’. Mas quem resolver tê-los por amor vai encontrar um amor de fato incondicional, como humanos não conseguem dar.”

Além de falar como psicóloga, ela também fala por sua experiência pessoal com o cãozinho Bruce Jorge. Ela o adotou durante o seu primeiro casamento e Bruce esteve com ela durante o luto do término. “Quando eu estava triste com o fim do relacionamento, não tinha vontade de sair de casa. Mas, pelo Bruce, me obrigava a sair duas vezes ao dia para ele fazer as necessidades na rua. Essas saidinhas bobas me fizeram perder o medo de encarar as pessoas”.

Quando a psicóloga se mudou de Santa Catarina para Alagoas neste ano, nenhuma companhia aérea quis embarcá-lo por conta da pandemia. Deixá-lo para trás nunca seria uma opção, então ela encarou três mil quilômetros de estrada ao longo de quatro dias para que Bruce Jorge estivesse desde o início nesta nova fase.

Nathalye viajou 3 mil quilômetros de carro para poder levar Bruce Jorge na mudança
A rotina de Bruce ajudou Nathalye durante o término do relacionamento

Para a Sophie de Para sempre vou te amar, o encontro com um animal foi transformador, assim como para tantas outras pessoas. Porém, lembre-se que além do bichinho mudar a sua vida, você também irá mudar a vida dele. Tenha certeza de que a sua vida tem espaço para ele, lembre-se de que amor incondicional é uma via de mão dupla e aproveite o máximo desta jornada compartilhada com um amiguinho de outra espécie.

LEIA TAMBÉM: PARA SEMPRE VOU TE AMAR: AUTISMO E A RELAÇÃO COM ANIMAIS

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Sobre DarkSide

Eles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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