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A Garota da Casa ao Lado: a história, o livro e o filme

Conheça mais sobre a inspiração e o legado do livro de Jack Ketchum.

Em A Garota da Casa ao Lado, o leitor conhece a história de uma adolescente cuja vida ganha tons macabros, para algumas pessoas cruéis demais para serem lidos. A garota sofre tortura e humilhação descabidas por parte de sua tia, que deveria estar cuidando dela. Mas o que poderia – e deveria – ter sido apenas fruto da imaginação fértil de Jack Ketchum na verdade é inspirado em uma história real, tão violenta quanto a própria ficção.

LEIA TAMBÉM: A GAROTA DA CASA AO LADO, POR JACK KETCHUM

Intrigado pela maldade humana ter atingido patamares tão absurdos, Ketchum se inspirou no caso de Sylvia Likens, uma jovem que, na década de 1960 estava aos cuidados de uma conhecida dos pais, Gertrude Baniszewski. Porém, a mulher que deveria zelar por Sylvia e sua irmã Jenny foi a responsável pelos mais desumanos tipos de tortura, que resultaram no assassinado da adolescente.

O que deveria ter sido um verão leve e de descobertas para as garotas e seus vizinhos acabou ganhando tons macabros que foram abordados por Ketchum em A Garota da Casa ao Lado, que acabou sendo adaptado para as telonas, ganhando o título de A Menina da Porta ao Lado no Brasil.

Tanto a história verdadeira, como o livro de Jack Ketchum e sua adaptação para o cinema continuam a chocar, a perturbar e a revoltar as pessoas que se deparam com os eventos narrados. Um legado de horror que atravessa gerações.

A história: O caso Sylvia Likens

Assim como a Meg do livro, Sylvia era uma jovem de 16 anos que amava a vida. Ela era a terceira de cinco filhos de um casal que trabalhava no circo. Depois de sua mãe ter sido presa por furto, o pai dela fez um acordo para que ela e sua irmã mais nova Jenny fossem morar com Gertrude Baniszewski, mãe de uma colega de escola das meninas. Gertrude já tinha sete filhos seus, mas concordou em tomar conta das meninas Likens em troca de US$ 20 por semana, que seriam pagos pelo pai.

Tudo começou de forma bem pacífica. Apesar de uma casa repleta de crianças e adolescentes, as rotinas eram mantidas com a ajuda da própria Sylvia, que auxiliava nas tarefas domésticas. A garota continuou amiga de Stephanie, a filha de Gertrude que era sua colega de escola. Mas tudo mudou quando o pai das meninas Likens parou de fazer seus pagamentos em dia. 

Os castigos incluíam espancamento, abuso verbal que evoluíram para abuso sexual, humilhações e tortura. Mas Gertrude não era a única a aplicar tais punições. A mulher incentivava seus filhos e até crianças da vizinhança a fazerem o mesmo.

Ao longo dos meses os castigos ficaram cada vez mais extremos e degradantes para Sylvia, como ser obrigada a comer excrementos de fraldas de bebê, passar longos períodos sem comer ou beber água, ser presa no porão, ter seu corpo violado por garrafas, sofrer queimaduras de brasas de cigarro e até mesmo ter a frase “sou uma prostituta e tenho orgulho disso” tatuada de forma amadora no seu corpo.

Após uma tentativa de fuga as coisas ficaram piores para Sylvia, que não suportou muito mais tempo. A jovem faleceu como consequência dos maus-tratos que vinha sofrendo há meses. Isso aconteceu em Indianápolis em 1965.

Julgamento Gertrude Baniszewski

LEIA TAMBÉM: CASO SYLVIA LIKENS: O CRIME QUE DEU ORIGEM AO LIVRO A GAROTA DA CASA AO LADO

O Livro: A Garota da Casa ao Lado

A escrita de Jack Ketchum é controversa e desafia os limites do leitor. Conhecendo a história que deu origem ao livro A Garota da Casa ao Lado é de se imaginar os temas e passagens desagradáveis aos quais o leitor será submetido. Trata-se de uma experiência visceral, que exige um envolvimento ativo, como se a pessoa que está lendo fosse cúmplice dos crimes ali cometidos.

Não satisfeito em apenas conhecer o caso de Sylvia Likens e das atrocidades cometidas por Gertrude Baniszewski, o autor incluiu seu principal questionamento na história: por quê? Meg Laughlin se questiona por que está no porão em em um colchão imundo em vez de uma cama confortável. Por que ela só é alimentada com torradas e quase nada de água? Por que toda a humilhação, tormenta e estupros? E, principalmente, por que sua tia Ruth não gosta dela?

Sylvia Likens

Meg é a personagem inspirada em Sylvia, enquanto a tia Ruth preenche o papel de Gertrude. Assim como na história original, a garota vai viver na casa da mulher com sua irmã mas nova, Susan. A diferença é que, além de Ruth ser uma parente, no livro o motivo é a morte dos pais das garotas.

Um novo interlocutor é adicionado à ficção: o vizinho David Moran, de quem Meg se torna amiga. Com o crescente desprezo e maus-tratos, a motivação de Ruth é ainda mais nebulosa do que a de Gertrude. Quando David se dá conta da humilhação e sofrimento da amiga, já é tarde demais.

Embora intrigado pela forma desumana com que Gertrude tratava Sylvia, em seu livro de 1989 Ketchum não fornece ao leitor um porquê definitivo para as atrocidades cometidas pela tia Ruth. Por mais que as camadas da mulher se revelem, compreender o que leva alguém a tratar outro ser humano de tal maneira permanece um mistério que nem o próprio escritor se arrogou a tentar justificar.

O Filme: A Menina da Porta ao Lado

Há várias passagens do livro que ficam abertas à interpretação de quem o lê. No entanto, a linguagem cinematográfica é mais objetiva e leva ao espectador a visão do diretor. Em A Menina da Porta ao Lado alguns locais e passagens ficam mais escancarados, como o porão, o estupro e o maçarico

A produção de 2007 foi adaptada da obra de Ketchum com direção de Gregory Wilson. A história é contada do ponto de vista de um David adulto e reproduz muito do que Jack Ketchum abordou no livro. Stephen King classifica o longa como uma das produções mais aterrorizantes que ele já assistiu.

Mesmo com uma Meg alguns anos mais velha do que sua versão do livro, ainda se trata de um filme incrivelmente difícil de ser assistido. Por mais que algumas passagens tenham sido amenizadas, ainda é um longa capaz de despertar revolta e repulsa, ao mesmo tempo em que consegue envolver o público na trama.

Seja pelo caso em si, pela literatura ou pelo cinema, a história de Sylvia Likens se mantém viva no imaginário das pessoas, levantando questionamentos e servindo de alerta para a profundidade da maldade humana, que é capaz de ceifar vidas inocentes de forma tão degradante.

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Sobre DarkSide

Eles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

4 Comentários

  • Kenia Candido

    12 de dezembro de 2020 às 10:28

    Nossa adorei a postagem.
    Preciso adquirir este livro para ler e conhecer a história.

    Bjos

    • DarkSide

      12 de dezembro de 2020 às 10:50

      Que bom que se interessou!

  • Mannuh

    26 de fevereiro de 2021 às 15:01

    Sempre quis ler esse livro, agora depois de ler um pouco mais sobre o livro, me pergunto: será que consigo? A própria leitura deste breve artigo já causa repulsa pelas atrocidades cometidas e traz mais um questionamento, que talvez nem mereça resposta: Até onde vai a maldade humana?

    • DarkSide

      1 de março de 2021 às 11:08

      Esta é realmente uma leitura perturbadora e que mexe com nossas emoções.

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