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A macabra medicina dos médicos que fazem cirurgias em si próprios

Quando o conceito de "faça você mesmo" vai longe demais

Quem já precisou passar por uma cirurgia deve se lembrar bem de todos os cuidados necessários no pré e pós-operatório. Graças à sedação e anestesia geral aplicados na maioria desses procedimentos, conseguimos passar pela etapa mais traumática completamente desacordados. Mas e se, além de desperto, fosse você que estivesse realizando a cirurgia?

LEIA TAMBÉM: HISTÓRIAS MACABRAS DA MEDICINA QUE PARECEM CONTOS DA CAROCHINHA

A essas alturas você já deve estar um pouco familiarizado com as bizarrices e casos assustadoramente reais da história da medicina. A coleção Medicina Macabra traz um apanhado de casos curiosos, divertidos e um tanto enervantes que aconteceram de verdade — ou que pelo menos foram registrados como tal.

Um tipo de caso particularmente perturbador é o dos médicos que decidiram performar suas próprias cirurgias. Acordados. No máximo com uma anestesia local e olhe lá! Você teria coragem? Pois esses médicos tiveram:

1. Leonid Rogozov

O que você faria se estivesse em uma expedição na Antártida e começasse a sentir uma dor muito intensa no lado direito do abdômen, indicando uma provável apendicite? Foi por isso que o médico soviético Leonid Rogozov passou em abril de 1961. Ciente de que uma apendicite exige intervenção urgente, sem possibilidade de voos para casa por causa do mau tempo e sendo o único médico do grupo, só havia uma coisa a ser feita: remover o próprio apêndice.

Não foi uma decisão fácil, conforme o próprio Rogozov registrou em seu diário. Depois da aprovação de seus superiores, o cirurgião designou os colegas de expedição para serem seus assistentes e aplicou uma anestesia local em si próprio. Ele administrou o bisturi no próprio corpo, guiando-se mais pelo tato do que pela visão, e precisou parar de vez em quando para evitar que desmaiasse.

Após duas horas de operação, o Rogozov removeu seu apêndice inflamado e fechou o corte. Além de sobreviver, o médico foi tratado como herói no seu retorno para casa. Por causa desse episódio, alguns países obrigam que médicos em viagem para a Antártida removam o apêndice em uma cirurgia eletiva antes da viagem.

Leonid Rogozov
Arquivo pessoal / Leonid Rogozov

2. Charles-Auguste Clever Maldigny

Quem já teve pedras nos rins sabe da dor excruciante que elas podem causar. Hoje elas podem ser removidas até por laser, dependendo do caso, mas no século XIX as coisas eram bem diferentes e bem mais brutais. Na época era realizada uma litotomia, conhecida por sua alta taxa de mortalidade.

O médico Charles-Auguste Clever de Maldigny já havia passado por esse procedimento no passado, portanto, decidiu se aliviar das calcificações por um método menos desagradável. Com a ajuda de um espelho, ele fez uma incisão acima do osso pélvico, cortou até a bexiga e tirou um cálculo do tamanho de uma noz que aparentemente teria se formado ao redor de uma esponja cirúrgica que os cirurgiões tinham deixado ali em uma operação passada.

Além de ter sido um sucesso, ele não morreu (o que já era grande coisa naquela época). Anos depois, Maldigny voltou a sofrer com pedras nos rins, mas dessa vez optou por deixar que outro cirurgião as removesse por meio de um método menos invasivo chamado litotripsia

LEIA TAMBÉM: CASOS ARREPIANTES, CONSTRANGEDORES E ENGRAÇADOS EM MEDICINA MACABRA

3. Mohab Foad

Na maioria das vezes as cirurgias realizadas pela própria pessoa são motivadas por uma emergência ou por falta de opção melhor, mas no caso do cirurgião Mohab Foad, ele só estava curioso mesmo. O médico chegou a agendar uma cirurgia para reparar um ligamento torcido em agosto de 2021, que seria realizada por outro profissional.

Porém, quando ele aplicou a anestesia local, Foad começou a sentir como se o seu dedo anestesiado estivesse desconectado do seu corpo. Segundo seu depoimento ao The Cincinnati Enquirer, ele sentiu como se o dedo não fosse o dele e decidiu pedir um bisturi para realizar a própria cirurgia. O cirurgião chegou a intercalar os procedimentos com um colega antes de receber os pontos.

4. Evan O’Neill Kane

Embora o dr. Evan O’Neill Kane compartilhe da experiência de remover o próprio apêndice com Leonid Rogozov, ele não parou por aí. Esse cirurgião do início do século XX também amputou o próprio dedo infectado e, com 70 anos, operou a própria hérnia

O dr. Kane optou por remover o próprio apêndice para determinar se seria seguro realizar cirurgias apenas com anestesia local, evitando a perigosa anestesia geral da época. Já as outras duas operações foram mais para chamar a atenção mesmo, pois poderiam muito bem terem sido executadas por outros cirurgiões. Na da hérnia ele até chamou a imprensa para acompanhar o procedimento. Porém, dessa vez ele nunca se recuperou completamente, contraindo uma pneumonia e falecendo três meses depois. 

O médico inspirou o personagem John Thackery (Clive Owen), que faz uma cirurgia em si próprio por causa de um intestino isquêmico na série de TV The Knick.

Evan O'Neill Kane
Imagem: AP

5. Viktor Yazykov

Até aqui acompanhamos histórias de cirurgiões que sabiam o que estavam fazendo (pelo menos é o que a gente espera). Mas Viktor Yazykov é um velejador que em 1998 estava participando de uma prova solitária de viajar mais de 43 mil quilômetros ao redor do mundo em nove meses. 

Como se isso não fosse desafiador o suficiente, Yazykov machucou feio o cotovelo direito e ficou preocupado quando o membro começou a dar sinais de uma infecção séria. Ele buscou orientação com o médico designado para a prova, Daniel Carlin, por e-mail. O dr. Carlin respondeu o e-mail com um passo a passo de como fazer uma punção para drenar o abscesso.

Sem qualquer tipo de comunicação em tempo real com o médico, Yazykov seguiu as instruções com os utensílios de primeiros socorros disponíveis. Durante o procedimento, descobriu que o seu problema não era um abscesso, e sim uma hemorragia piorada pelas aspirinas que ele havia tomado. O velejador então fez um torniquete com cordas para estancar o sangramento, o que bloquearia a circulação para o restante do membro.

Felizmente a comunicação com o médico foi restabelecida e o dr. Carlin o orientou a desfazer o torniquete e, em vez disso, aplicar pressão diretamente na ferida para parar o sangramento. Yazykov acabou se recuperando e conseguiu continuar com a prova. Uma volta ao mundo a mais e nenhum braço a menos. Sucesso!

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Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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