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A medicina que deu origem a Frankenstein

Conheça a tecnologia que inspirou Mary Shelley a criar seu icônico monstro

11/09/2023

Publicado originalmente em 1818, Frankenstein é um marco na literatura. Uma das histórias mais impactantes já escritas, a obra monstruosa de Mary Shelley deixou um enorme legado, fincando seu nome no horror, na ficção científica e na cultura pop.  

LEIA TAMBÉM: FRANKENSTEIN NA CULTURA POP

Muito se fala sobre como Frankenstein influenciou o cinema, a televisão e a literatura, assim como a nossa própria noção de monstruosidade. Mas e quanto às influências de sua criadora? Como a jovem Mary Shelley deu luz a uma obra tão marcante? O que acontecia ao seu redor no nascer do século XIX?  

A boa notícia é que agora os DarkSiders monstruosos podem obter algumas respostas para essas perguntas em Frankenstein: Anatomia de Monstro, novo livro da Macabra em parceria com a DarkSide® Books. Escrito por Kathryn Harkup, também responsável pelo Dicionário Agatha Christie de Venenos, Frankenstein: Anatomia de Monstro disseca a ciência por trás do clássico de Mary Shelley, oferecendo uma compreensão do mundo complexo e visionário de Frankenstein

frankenstein anatomia de monstro

Prepare-se para embarcar em uma fascinante jornada pelo contexto histórico, cultural e científico em que Shelley escreveu, além de conhecer mais da vida e da mente brilhante da própria autora. Por meio de uma pesquisa minuciosa e aguçada, Harkup abre os caminhos para entendermos os fatos científicos por trás da ficção científica de Frankenstein. Frankenstein: Anatomia de Monstro é uma leitura obrigatória para os fãs e é por isso que a Caveira resolveu dar um gostinho dos temas que o DarkSider vai encontrar nesse lançamento. Quem está pronto para uma viagem no tempo?  

A medicina de Frankenstein: Um mundo de possibilidades

Provavelmente uma das coisas mais fascinantes sobre Frankenstein é que a história em si não possui uma base sobrenatural fantástica. Pelo contrário, toda a argumentação da autora deriva de argumentos científicos e filosóficos vigentes na época

Para começo de conversa, é significativo como foi a partir do século XVI que os anatomistas passaram a explorar o interior de cadáveres humanos, documentando os mecanismos internos do corpo. Isso fez com que no século XVII fosse tendência enxergar o corpo humano como uma máquina orgânica. Um bom exemplo é a ilustração do coração feita pelo médico William Harvey, que o esboçou como uma bomba. O que Kathryn Harkup nos aponta em Frankenstein: Anatomia de Monstro é que a obra de Mary Shelley se insere como um passo lógico dentro desse pensamento, afinal Frankenstein sugere justamente a possibilidade de construir uma criatura a partir de partes do corpo — tal qual uma máquina com seus componentes reunidos e dispostos de forma correta. 

LEIA TAMBÉM: POR QUE FRANKENSTEIN É CHAMADO DE PROMETEU MODERNO

Falando em cadáveres, na segunda metade do século XVIII o fascínio pelo corpo humano aumentou ainda mais, principalmente entre os estudantes de medicina, já que a anatomia se tornou um pré-requisito para aqueles que desejavam exercer a profissão. Na Inglaterra, por exemplo, o número de cadáveres que poderiam ser adquiridos de forma legal era bem limitado e exclusivo aos professores de anatomia. Isso fazia com que muitos estudantes recorressem aos ladrões de corpos, que durante a noite roubavam cadáveres de cemitérios. Sim, é isso que você está pensando. Esse contexto foi uma das inspirações para Victor Frankenstein e também para a construção de sua Criatura. 

victor frankenstein

Victor Frankenstein, inclusive, contou com vários modelos da vida real. Entre o século XVIII e o XIX muitos anatomistas ficaram famosos e ganharam notoriedade na sociedade. Entre eles, um citado por Kathryn Harkup em Frankenstein: Anatomia de Monstro é o cirurgião John Hunter. Entre seus diversos feitos, Hunter dissecava corpos humanos, realizava experimentos de ressuscitação em animais e teve até a oportunidade de testar suas teorias em uma cobaia humana. Embora o médico tenha falecido antes do nascimento de Mary, ela possivelmente teve contato com sua carreira e seus feitos por meio de seu pai, William Godwin, que já havia o encontrado, assim como por meio de seus alunos. 

Outra coisa que pensamos quando Frankenstein nos vem à mente são os tecidos e membros costurados da Criatura de Victor. Isso faz bastante sentido quando consideramos que o interesse por técnicas cirúrgicas e enxertos de pele ressurgiu na Europa Renascentista, ganhando cada vez mais espaço e discussão entre estudiosos. Embora o primeiro transplante humano tenha sido efetivamente realizado muito depois da publicação de Frankenstein — em 1883, para sermos precisos — a própria ideia de transferir órgãos e estruturas biológicas também circulava há muito tempo, possuindo uma longa história de relatos, testes e tentativas, aparecendo de forma bastante revolucionária na obra de Mary Shelley.

frankenstein

Está vivo! Está vivo! O poder da eletricidade

Uma coisa importante quando pensamos em Frankenstein é que nos séculos XVIII e XIX, o conhecimento médico estava inextricavelmente atrelado ao conhecimento filosófico e científico. Disciplinas como a química, física, filosofia natural e biologia possuíam fronteiras muito mais vagas e indistintas do que possuem hoje. O que isso significava? Bem, que o mundo de Shelley — assim como o mundo que precedeu seu nascimento — fervilhava com ideias e avanços científicos, consolidação de novas áreas de conhecimento, muitas possibilidades e quase nenhum campo especializado de estudo. 

Um bom exemplo disso — e também grande influência na escrita de Frankenstein — foi o cruzamento entre o fascínio pelo fenômeno da eletricidade com a curiosidade pela biologia humana. Talvez o nome mais famoso nesses estudos feitos ao final do século XVIII foi o do físico Luigi Galvani, que emprestou seu nome ao galvanismo, ou seja, ao uso da eletricidade para estimular os músculos. Galvani estudava a resposta de corpos de animais mortos quando estes entravam em contato com correntes elétricas. 

galvanismo

O galvanismo lançou uma série de experimentos, já que a ideia de que a eletricidade poderia gerar força vital acabou se tornando bastante popular. Isso se tornou assunto entre as classes mais altas e as comunidades científicas, que eram influenciadas por demonstrações públicas chocantes. Por exemplo, Giovanni Aldini, sobrinho de Galvani, começou a aplicar estímulos elétricos para reanimar animais, até que em 1803 realizou esses experimentos publicamente o corpo de um criminoso.  

Essas descobertas na área da eletricidade influenciaram outros estudiosos, como o físico Alessandro Volta, que passou a estudar o efeito da eletricidade nos corpos, e o químico britânico Alexander Ure, que em 1820 realizou o mesmo experimento de Aldini no cadáver de um criminoso, conseguindo fazer com que mexesse o rosto e os braços.

galvanismo

Embora tenha sido muito influenciada pelas descobertas recentes no campo da eletricidade, Mary Shelley nunca fez nenhuma menção à tempestade elétrica. Pois é, sinto te decepcionar, mas isso é coisa do cinema. Mary é um pouco vaga na descrição de como a Criatura ganha vida e como foi exatamente a fatídica noite de sua reanimação. No entanto, como Frankenstein: Anatomia de Monstro nos mostra, é inegável que o fascínio pela eletricidade e por suas descobertas estão bem ali. 

Medicina Macabra, Criatura eterna

Frankenstein foi um dos primeiros livros a utilizar os avanços e experimentos científicos e médicos como parte de sua narrativa fictícia. Como Kathryn Harkup bem nos lembra, em certos aspectos, o livro de Mary Shelley pode ser encarado como um resumo das conquistas científicas da época e também do século anterior. Talvez isso seja justamente o que tornou a história ainda mais aterrorizante: tudo aquilo — a criatura que ganhava vida, as partes de cadáveres costuradas, a morte revertida — poderia ser de alguma forma possível considerando os avanços vivenciados. 

A contribuição da obra para a cultura pop foi — e continua sendo — enorme, mas o que Frankenstein: Anatomia de Monstro nos mostra é que Mary Shelley também foi influenciada pela ciência e filosofia de sua época, demonstrando ter compreensão e plena noção dos conceitos, discussões e experimentos que estavam em alta. Além do mais, muitos dos temas levantados por Shelley em Frankenstein continuam presentes — de forma reformulada e revisitada, é claro — até hoje na medicina, como é possível notar nos transplantes de órgãos e na técnica de desfibrilação. 

frankenstein anatomia de monstro

Novo integrante da biblioteca Medicina Macabra, Frankenstein: Anatomia de Monstro é uma obra feita sob medida para alimentar nossas curiosidades mórbidas e científicas, oferecendo uma excursão detalhada pelo mundo de Frankenstein e por um contexto histórico e cultural repleto de revoluções químicas, cirurgias experimentais, testes elétricos e muito mais. Frankenstein: Anatomia de Monstro é uma grande carta de amor à genialidade e pioneirismo da obra de Mary Shelley, que vislumbrou as infinitas possibilidades e sentidos da vida, da ciência e também das nossas próprias existências. 

Por isso, chegou a hora: pegue seu bisturi, vista seu jaleco e venha conosco nesta viagem científica guiada brilhantemente por Kathryn Harkup. Garantimos que vai valer a pena. 

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Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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