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A Pista: O curta francês que inspirou Os Doze Macacos

Conheça a produção que inspirou o longa de Terry Gilliam

15/11/2023

De tempos em tempos surgem filmes que desafiam nossas noções de tempo e espaço e testam nossos limites de compreensão. Esse é o caso de Os Doze Macacos, longa de 1995 dirigido por Terry Gilliam e protagonizado por Bruce Willis e Brad Pitt. 

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Na história, cuja adaptação literária acabou de aterrissar na DarkSide® Books, acompanhamos James Cole, um prisioneiro que em troca da redução de sua sentença é enviado de volta no tempo — de 2035 para 1990 — para investigar as origens de um vírus que dizimou a humanidade. Transcendendo os gêneros cinematográficos e com reviravoltas de tirar o fôlego, Os Doze Macacos logo se tornou um clássico da ficção científica adorado pelos fãs. 

os doze macacos

Mas você conhece a inspiração por trás do filme de Terry Gilliam? A história de James Cole e sua viagem no tempo foi baseada em um curta francês de 1962 chamado A Pista. Vem que a Caveira te conta tudo o que você precisa saber sobre essas duas obras!

Refilmagem não, inspiração sim

Tudo começou com o produtor de Os Doze Macacos, Charles Roven, que assistiu ao curta francês dirigido por Chris Marker e comprou seus direitos para uma refilmagem. Ele logo entrou em negociações com a Universal Pictures para produzir um longa de ficção científica, que acabou nas mãos do casal de roteiristas David e Janet Peoples

O que era para ser uma refilmagem se transformou em inspiração e os roteiristas decidiram utilizar o argumento de A Pista para abordar outros temas contemporâneos. Nesse sentido, Os Doze Macacos não é uma cópia ou refilmagem de A Pista, construindo sua história em uma mesma continuidade criativa e temática. Mas afinal de contas: sobre o que fala A Pista? E quais são suas diferenças com o filme de Bruce Willis?

La Jetée (1962) — A Pista

Dirigido e roteirizado pelo artista Chris Marker, A Pista é um curta do movimento francês da Nouvelle Vague. Com menos de 30 minutos de duração, é construído a partir de fotografias em preto e branco, com exceção de uma única imagem em movimento, que acompanhadas pela voz de um homem se unem para criar a narrativa. 

a pista

Enquanto Os Doze Macacos é ambientado na Filadélfia com os seres humanos lidando com uma pandemia viral que destruiu o mundo, A Pista troca o cenário por Paris em um futuro aniquilado pelos eventos nucleares da Terceira Guerra Mundial. Os cientistas que sobraram pesquisam os mecanismos de viagem no tempo em uma tentativa de “resgatar o presente”, utilizando prisioneiros como cobaias. É aqui que entra o protagonista, um homem atormentado por memórias de infância, que é enviado para o passado na tentativa de reconstruir a civilização. 

Um dos pontos principais de A Pista, que aparece em Os Doze Macacos, é justamente o poder e a subjetividade da memória. O protagonista, interpretado por Jean Négroni, é torturado por uma memória de sua infância, antes da guerra, em que vê uma mulher em uma plataforma de observação do aeroporto de Orly, pouco antes do acidente que resultaria na morte de um homem

Os dois filmes compartilham da mesma premissa, mas seus resultados são bastante diferentes e únicos. Algumas semelhanças incluem o conceito central de viagem no tempo, assim como a reviravolta final que pega os espectadores de surpresa. Ambas as produções também orbitam a mesma temática, utilizando da sensibilidade para expressá-la nas telas.

a pista

No entanto, apesar da estrutura similar, A Pista e Os Doze Macacos possuem muitas diferenças em suas abordagens, narrativas e técnicas. Para começo de conversa, o curta é parte da Nouvelle Vague, sendo produzido na França da década de 1960, enquanto o longa é produto de Hollywood, pensado nos Estados Unidos dos anos 1990. A Pista conta com um protagonista-narrador, sem nome e bastante passivo e resignado, enquanto Os Doze Macacos se inspira nos filmes de ação ao trazer Bruce Willis como James Cole. 

Os filmes também optam por caminhos e visuais distintos. Enquanto o longa de Gilliam preza por um cenário futurista gótico e ângulos estranhos que conferem um visual único, A Pista utiliza imagens estáticas acompanhadas por uma narração que explica a ação da história. Nisso, o curta de Chris Marker transmite a ideia de um mundo em que o tempo está eternamente estagnado. 

Outro ponto é que, diferentemente de Os Doze Macacos, A Pista não traz nada relacionado ao Exército dos 12 Macacos e epidemias virais. O personagem de Jeffrey Goines, interpretado por Brad Pitt, existe apenas no filme de 1995.

os doze macacos

Clássicos da ficção científica

Tanto A Pista quanto Os Doze Macacos conquistaram seu lugar entre as grandes obras de ficção científica. Enquanto o curta inovou com seu estilo e técnica, o longa equilibrou o tom filosófico com o entretenimento. Por mais diferentes que sejam, com enredos e estilos de direção próprios, as duas produções ainda conseguem dialogar.

Por meio de temáticas poderosas como o tempo, a morte e a memória, ambos nos mostram que o caso aqui vai muito além da refilmagem ou homenagem. Na verdade, trata-se do cinema em sua forma mais viva, frutífera e artística. Trata-se de exaltar e contar histórias inesquecíveis, que mexem conosco e deixam seu legado. 

Se você, assim como a Caveira, é fã de narrativas extraordinárias precisa conferir essas duas produções, assim como o livro de Elizabeth Hand, Os Doze Macacos, uma adaptação envolvente e ágil do filme de 1995. Perfeito para os fãs de novelizações como Poltergeist, Os Doze Macacos é uma obra que nos faz refletir sobre presente e futuro, e que com certeza vai te levar por uma jornada de ficção científica e terror nunca antes vista. Prepare-se, o futuro está chamando

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Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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