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A utilização do Teste de Rorschach no caso Richthofen

Teste da mancha de tinta foi utilizado para avaliar possibilidade de reintegração à sociedade

Compreender os abismos da mente humana permanece um desafio para os profissionais da psicologia e da psiquiatria, principalmente quando isso envolve investigar as motivações de criminosos. Diversos exames, protocolos e questionários são aplicados nesta abordagem, incluindo o famoso Teste de Rorschach.

LEIA TAMBÉM: QUEM FOI HERMANN RORSCHACH, QUE DESENVOLVEU O TESTE DE MANCHA DE TINTA

As origens do teste que se utiliza de manchas de tinta para investigar a mente estão em Teste de Rorschach, livro de Damion Searls que conta como Hermann Rorschach uniu arte e ciência em uma ferramenta de investigação utilizada até hoje. 

Aplicações do Teste de Rorschach

O principal objetivo do Teste é fornecer informações sobre variações cognitivas e de personalidade. Ele ajuda a identificar motivações, tendências responsivas, operações cognitivas, afetividade e percepções pessoais e interpessoais

Trata-se de um teste projetivo, ou seja, uma abordagem que se baseia na hipótese projetiva, em que a pessoa examinada procura organizar uma informação ambígua, projetando aspectos de sua personalidade nesta interpretação. A partir disso, o psicólogo que aplicou o teste tem a possibilidade de reconstruir o que levou a pessoa a dar tais respostas.

A hipótese projetiva, na qual se baseia o Teste de Rorschach, tem fundamento no conceito freudiano da projeção: um mecanismo de defesa em que o indivíduo atribui inconscientemente características negativas da própria personalidade. Além disso, na projeção generalizada ou assimilativa há a tendência de determinadas características da personalidade, necessidades e experiências de vida influenciarem o indivíduo na interpretação de estímulos ambíguos.

As principais vantagens dos testes projetivos em relação aos estruturados, de acordo com seus defensores, são: enganar os mecanismos de defesa do indivíduo e permitir ao intérprete (psicólogo que interpreta os resultados) ter acesso a conteúdos não acessíveis à consciência de quem está sendo testado.

Nos Estados Unidos, o Teste de Rorschach é utilizado quase que exclusivamente por psicólogos. Ele é aplicado por psicólogos forenses em 36% dos casos. Além de seu uso para fins de criminologia, o Teste é empregado em alguns casos de guarda familiar, clínicas de psicologia e em escolas.

Caso Richthofen e o Teste de Rorschach

O crime que chocou o Brasil provocou muita especulação sobre as motivações dos assassinos. Afinal, o que explica a participação de uma jovem no planejamento e na execução da morte dos pais? E mais: trata-se de um crime pontual ou a liberdade de Suzane representa uma ameaça à sociedade?

Detalhes do caso são contados no livro Casos de Família: Arquivos Richthofen e Arquivos Nardoni, de Ilana Casoy, publicado pelo selo Crime Scene. A obra mostra ao leitor o comportamento dos três assassinos, com direito a contradições e erros decisivos, a distância de Suzane ao relatar os fatos, o descontrole de Daniel Cravinhos na reprodução simulada do crime, depoimentos e técnicas de investigação da polícia, dos médicos legistas, peritos e especialistas, que levaram à confissão dos assassinatos.

LEIA TAMBÉM: CASOS DE FAMÍLIA: 7 CURIOSIDADES SOBRE O CASO RICHTHOFEN

Condenada a 39 anos de prisão, Suzane constantemente desperta o interesse da mídia e do público por seu comportamento enquanto cumpre pena. Em 2018, quando existia a possibilidade de que ela cumprisse o restante da sua sentença em liberdade, um Teste de Rorschach foi aplicado para auxiliar no entendimento de ela oferecer ou não ameaça a outras pessoas.

O exame foi um pedido do Ministério Público para corroborar a decisão de permitir ou não a reintegração de Suzane à sociedade. O parecer do MP foi contrário à progressão da pena porque, com base nos resultados do teste, considerou que ela apresenta risco potencial à sociedade devido à sua dificuldade em avaliar o resultado de seus atos.

À época, a imprensa divulgou que o Teste ainda indicou que Suzane apresenta comportamento egocêntrico e narcisista, não sentindo culpa ou remorso por suas ações do passado. Além disso, a avaliação apontou comportamento infantil, imaturo e falta de capacidade de autocrítica.

Quatro anos antes, em 2014, ela já havia sido submetida ao Teste de Rorschach quando seu regime poderia progredir para o semiaberto. Naquele ano os resultados foram semelhantes, indicando egocentrismo elevado, conduta infantilizada, possibilidade de descontrole emocional, personalidade narcisista e manipuladora, agressividade camuflada e onipotência. 

A controvérsia que cerca o Teste de Rorschach

Até que houvesse um sistema que unificasse a interpretação dos resultados obtidos no exame, o Teste de Rorschach recebeu muitas críticas pela sua falta de padronização. Mesmo com evoluções neste sentido, o exame está longe de ser aceito por todos os pesquisadores. 

Alguns autores apontam que o exame em si não é capaz de identificar a maior parte dos transtornos mentais da maneira como eles são definidos nos sistemas atuais. Apesar do Teste ser reconhecido em diversas áreas de pesquisa e como complementação ao diagnóstico de esquizofrenia ou desordens do pensamento, muitos cientistas não recomendam sua aplicação como método de diagnóstico psiquiátrico e em contexto forense.

Outra controvérsia diz respeito à divulgação do Teste, principalmente das imagens utilizadas, da forma de aplicação e interpretação. Muitos psicólogos acreditam que o simples conhecimento destas informações por parte da pessoa a ser testada já interfere na confiabilidade do teste, pois o paciente poderia simular suas interpretações, direcionando para um diagnóstico equivocado.

Ao longo dos tempos, o Teste evoluiu para se tornar um método mais confiável e atualizado de diagnóstico. O sistema de Exner é uma das metodologias que unificam a sua interpretação. No Brasil, tanto o Teste de Rorschach como o sistema de Exner são validados pelo Conselho Federal de Psicologia e o exame só pode ser aplicado por um profissional qualificado para tal.

LEIA TAMBÉM: DE ANDY WARHOL A JAY-Z: O TESTE DE RORSCHACH NA CULTURA POP

Sobre DarkSide

Eles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

2 Comentários

  • Franklin Siqueira Santos

    18 de junho de 2021 às 10:26

    As explanações (Resenhas.) concernentes ao conteúdo dos livros são fantásticas, pois inteiram o leitor sobre o que ele encontrará naquele livro. Parabéns pela transparência e por nos oferecer só a nata da literatura dark.

    • DarkSide

      18 de junho de 2021 às 16:19

      Caveirinha se esforça para trazer o que há de melhor na literatura dark. <3

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