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Quem foi Hermann Rorschach, que desenvolveu o teste de mancha de tinta

Método utilizado na Psicologia até os dias de hoje é abordado no lançamento do selo Crime Scene.

O que você enxerga em uma mancha de tinta em um papel pode mesmo revelar aspectos da sua mente? Segundo o psiquiatra e psicanalista suíço Hermann Rorschach, sim. Ele foi um dos responsáveis por desenvolver o teste que hoje leva seu nome. A história completa de como esta metodologia está no livro Teste de Rorschach: A Origem, de Damion Searls, publicado pela DarkSide® Books através do selo Crime Scene.

LEIA TAMBÉM: TESTE DE RORSCHACH – A ORIGEM, POR DAMION SEARLS

Filho mais velho de três, Rorschach sempre teve sua vida dividida entre a arte e a ciência. Seu pai era um professor de artes que encorajou o filho a se expressar criativamente. Ele era um entusiasta da klecksografia e colecionava cartões com manchas de tinta. O jovem Hermann era tão fascinado pela técnica que seu apelido era Klex.

Entre a arte e a ciência

Quando chegou a época de concluir o colégio, Hermann Rorchach ainda se via dividido sobre qual carreira seguir: das artes ou da ciência. Ele chegou a escrever uma carta ao biólogo alemão Ernst Haeckel pedindo conselho. No fim das contas, um fator crucial para que ele não seguisse os passos de seu pai foi o falecimento do patriarca enquanto ele ainda estava decidindo sua carreira.

Decidido a seguir o conselho de Haeckel e a investir na carreira científica, o brilhante aluno de uma escola em Schaffhausen, na Suíça, entrou para a faculdade de medicina na Universidade de Zurique. Em seus estudos também aprendeu russo e, em 1906, quando morava em Berlim, chegou a ir para a Rússia nas férias.

Viajar tomava boa parte do tempo de Rorschach após a faculdade. Em uma visita a Dijon, na França, ele conheceu um homem que lhe ensinou sobre a cultura russa. Isso dividiu o jovem médico quanto a permanecer na Suíça ou a se mudar para a Rússia. Ele acabou ficando em seu país quando conseguiu um emprego como assistente médico em um hospital psiquiátrico. Eventualmente se mudou para a Rússia, mas logo retornou à Suíça.

Enquanto trabalhava no hospital, em 1912, Hermann Rorschach concluiu seu doutorado sob supervisão do psiquiatra Eugen Bleuler, que também foi professor de Carl Jung, fundador da psicologia analítica.

LEIA TAMBÉM: PSICOPATA AMERICANO: UMA REFLEXÃO PARA OS DIAS ATUAIS

A convivência nos círculos intelectuais da área levou Rorschach a se lembrar com bastante frequência da sua coleção de manchas de tinta. Em 1918, ele começou a perceber que pacientes diagnosticados com esquizofrenia faziam associações a partir das manchas de klecksografia diferentes das pessoas “normais”. Ele já havia feito testes semelhantes com crianças enquanto estudava medicina, mas foi a partir dos achados no hospital que ele desenvolveu o Teste de Rorschach como uma ferramenta para o diagnóstico de esquizofrenia.

Sua pesquisa deu origem ao livro Psicodiagnóstico, que formaria as bases para o teste de tinta. Porém, logo após a publicação o psiquiatra veio a falecer de peritonite, aos 37 anos de idade. A vida de Hermann Rorschach foi breve, mas seu legado vive até os dias de hoje graças às suas pesquisas na área que permitiram o desenvolvimento do teste

O Teste de Rorschach e seu legado

Hermann Rorschach não foi o primeiro a utilizar as manchas de tinta em testes. Autores como Binet, Henri, Dearborn, Kirkpatrick, entre outros, já utilizaram a técnica, porém, em estudos sobre imaginação e criatividade. Rorschach conduziu seus estudos no sentido de diagnosticar esquizofrenia.

Originalmente, o psiquiatra usava 40 pranchas diferentes, que mais tarde viraram apenas 15. O elevado número de imagens atrasou os planos de publicação do teste, já que os custos de produção eram bem elevados e a maioria dos editores se recusava a desenvolver um projeto tão caro. Em 1921 ele conseguiu que um editor de Berna publicasse a obra.

Na época, a publicação foi um fracasso e Rorschach não teve a oportunidade de aprofundar seus estudos devido à sua morte prematura. A comunidade científica não se mostrou interessada na técnica e a maioria dos 1.200 livros impressos estava em um depósito no momento da morte de seu autor.

Levou cerca de uma década para que os primeiros artigos começassem a ser publicados e o teste passou a ser respeitado. Com o autor já falecido, surgiram novos sistemas de codificação e interpretação do Teste de Rorschach. Outros autores passaram a advogar pela metodologia, como Hans Binder, Hans Behn-Eschenburg e David Levy, que a levou para os Estados Unidos. Com isso, surgiu a necessidade de unificar os diferentes sistemas criados a partir do que preconizava Rorschach – até hoje ainda há diferenças entre o sistema europeu e o norte-americano.

Os primeiros estudos do Teste de Rorschach no Brasil datam de 1927, e foram influenciados tanto pelo modelo europeu como pelo norte-americano. Entre os diversos sistemas utilizados no país, destacam-se os de Silveira, Klopfer, Exner, Francês e do R-PAS. Segundo a atual legislação brasileira, somente um psicólogo pode aplicar o teste, segundo normas éticas, além do guia de aplicação e interpretação do método que esteja de acordo com os critérios do Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos.

Em 2001 o teste da mancha de tinta foi chamado de “pseudociência” e considerado controverso pela revista Scientific American, após alguns psicólogos terem apresentado interpretações divergentes com base nos mesmos dados. Porém, em 2013 e 2015 duas avaliações sistêmicas e meta-análises foram publicadas, devolvendo a credibilidade ao teste perante a comunidade científica. 

Até hoje o Teste de Rorschach é um dos métodos de avaliação psicológica mais citados em pesquisas científicas publicadas na área da psicologia. 

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Sobre DarkSide

Eles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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