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Agatha Christie: 130 anos de influência na literatura de suspense

Em suas obras, a Dama do Crime nos ensinou que o culpado nem sempre é mordomo.

Um assassinato foi cometido. Você está em uma sala com vários possíveis suspeitos, todos com seus álibis, mas também com seus motivos para cometer tal crime. O desafio agora é descobrir quem é o culpado e como o crime foi cometido. Se você está familiarizado com esta fórmula, deve isso a Agatha Christie.

Agatha Mary Clarissa Miller nasceu em Torquay, no litoral britânico, no ano de 1890. Filha de uma família de classe média-alta, a futura escritora foi escolarizada em casa na maior parte da sua vida estudantil. Ela se tornou uma leitora voraz logo cedo, o que influenciou fortemente sua carreira como autora, principalmente através dos trabalhos de Alexandre Dumas, Charles Dickens e Walter Scott.

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Com 12 anos, após a morte do pai, a jovem Agatha começou a frequentar uma escola para meninas, mas achou difícil se adaptar à disciplina do local. Aos 15 anos sua mãe a enviou a Paris para estudar em um colégio interno, onde focou em treinamento vocal e piano. Porém, ela percebeu que não tinha o temperamento e nem o talento para seguir uma carreira musical.

O destino de Agatha Christie estava mesmo na literatura, mas isso não significa que seu caminho tenha sido fácil. Com 18 anos ela escreveu seu primeiro conto, A Casa da Beleza, enquanto estava acamada se recuperando de uma enfermidade. Depois disso ela não parou mais de escrever histórias, com suas primeiras tramas abordando seus interesses pessoais em espiritualidade e fenômenos paranormais.

O início tortuoso de uma carreira memorável

Mais ou menos pela mesma época em que escrevia seus contos, Christie começou a trabalhar em seu primeiro romance: Neve sobre o deserto, ambientado no Egito, para onde a escritora havia viajado alguns anos antes. Ela ficou decepcionada com o fato de que todas as seis editoras contatadas por ela se recusaram publicar sua obra

Porém, foi sua mãe que a encorajou a não desistir por causa disso, sugerindo que a filha buscasse conselhos do bem-sucedido romancista Eden Phillpotts, um amigo da família. Ele não apenas incentivou que a jovem continuasse a buscar uma carreira na literatura como a apresentou ao seu agente, Hughes Massie, que também havia rejeitado o romance de Christie. Ele sugeriu que ela trabalhasse em um segundo livro.

Nesta época ela também estava no ápice de sua vida social, circulando por festas, andando a cavalo, caçando, dançando e andando de patins. Aos 22 anos ela foi apresentado a Archie Christie, que se tornaria seu marido e lhe daria o sobrenome pelo qual é conhecida até os dias de hoje.

Durante a Primeira Guerra Mundial Archie serviu ao Exército Britânico e Agatha também deu sua contribuição ao país como voluntária da Cruz Vermelha. Neste período, ela trabalhou primeiro como enfermeira e depois como assistente de farmácia. Foi desta forma que ela obteve tanto conhecimento sobre fármacos e substâncias venenosas, amplamente exploradas em seus livros e tema da obra Dicionário Agatha Christie de Venenos, de Kathryn Harkup, lançado no Brasil pela DarkSide® Books

Fã de romances policiais, após a guerra Agatha Christie começou a trabalhar em sua primeira obra do gênero, O Misterioso Caso de Styles, em 1916. Foi nesta história que ela estreou seu mais icônico investigador: o belga Hercule Poirot, que apareceu em 33 romances e mais de 50 contos da autora.

O manuscrito original foi rejeitado por duas editoras, mas a autora não desistiu. Ela continuou tentando por alguns meses até que a editora The Bodley Head aceitou dar uma chance à publicação, desde que a escritora mudasse o final da história. Desta forma ela assinou seu primeiro contrato e publicou seu primeiro livro em 1920.

Escritora, mãe, esposa… e desaparecida

Com algumas publicações, Agatha Christie logo conseguiu construir seu nome e vender seus livros sem muita dificuldade. Mesmo assim, ela se dedicou à família e teve uma filha aos 28 anos: Rosalind Margaret Clarissa. Três anos depois, ela e o marido embarcaram em uma turnê de volta ao mundo para uma exposição do Império Britânico. Desta forma a escritora teve a oportunidade de viajar para África do Sul, Austrália, Nova Zelândia, Havaí e Canadá. Uma curiosidade: em Waikiki ela e o marido estiveram entre os primeiros britânicos a surfarem em pé.

Mas em 1926 a vida de Christie sofreu um plot twist tão desconcertante quanto os de suas obras. Após o falecimento da mãe, de quem ela era bem próxima, a escritora entrou em profunda depressão. Os jornais começaram a noticiar que ela havia se recolhido em um vilarejo para se recuperar de um colapso causado por excesso de trabalho.

Poucos meses depois, Archie pediu o divórcio de Agatha pois havia se apaixonado por outra mulher. Depois de uma discussão do casal, ela desapareceu de casa e seu carro foi encontrado na manhã seguinte em uma pedreira com apenas roupas e uma carteira de motorista vencida em seu interior. Um cenário tão misterioso quanto os romances da autora.

Este episódio atiçou a imprensa com uma história repleta de sensacionalismo para os leitores. Um jornal chegou a oferecer uma recompensa de 100 libras para quem a encontrasse. O acontecimento chegou a figurar na capa do New York Times. Foram necessários 10 dias para que ela fosse encontrada hospedada em um hotel como uma turista da Cidade do Cabo com um nome falso – e o sobrenome da amante do marido.

Os motivos para o desaparecimento de Christie permanecem um mistério para médicos e para biógrafos. Alguns atribuem a um evento de perda de memória, enquanto outros defendem a hipótese de um colapso nervoso ou até mesmo de uma ação consciente para envergonhar o marido ou colocá-lo como principal suspeito de um assassinato.

Um novo casamento e mais uma Guerra para Agatha Christie

Nos anos seguintes ela finalizou o divórcio e teve a oportunidade de embarcar no famoso Expresso do Oriente para Istambul e depois Bagdá. Em suas viagens pelo Oriente Médio conheceu arqueologistas e um deles acabou se tornando seu segundo marido: Max Mallowman, com quem ela permaneceu casada até o fim de sua vida. Esta experiência internacional a inspirou a escrever um de seus maiores sucessos: Assassinato no Expresso do Oriente.

Na Segunda Guerra, Agatha voltou a trabalhar com farmácia em um hospital universitário, quando atualizou seu conhecimento sobre venenos. Seu romance O Cavalo Amarelo foi uma sugestão do farmacêutico-chefe do hospital. Em 1977, médicos britânicos solucionaram um caso de envenenamento com base no livro da autora.

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Durante a Guerra, Christie chegou a ser investigada pelo serviço secreto britânico MI5 por causa de seu livro M ou N. A trama aborda espionagem durante os períodos de guerra, o que levou o MI5 a desconfiar que a escritora tinha espiões no centro de decodificação de códigos.

Apesar da saúde da escritora ter deteriorado depois de ela ter completado 80 anos, Agatha continuou a escrever em seus últimos anos de vida, tendo publicado seu último livro, Portal do Destino, em 1973. Ela faleceu em 1976 e acredita-se que tenha convivido com demência no fim da vida.

O legado da Dama do Crime

Com um forte interesse por farmacologia e arqueologia, Agatha Christie desenvolveu um estilo bem característico para suas narrativas de romance policial. Tudo começa com um crime que quebra um estilo de vida, evento ou viagem aparentemente tranquilos, e que leva a um processo de investigação. Seus detetives mais conhecidos são Hercule Poirot e Miss Marple.

Suas tramas se enquadram num subgênero conhecido como whodunit, uma expressão derivada de “who’s done it?”, traduzido como “quem fez isso?”, ou seja, em busca de um culpado para os crimes dos livros. A autora tem uma característica bem particular: normalmente o culpado é o personagem menos provável. Os crimes costumam ser desvendados e explicados pelo detetive aos demais personagens em uma reunião.

Além de influenciar fortemente outros livros que envolvem a investigação de crimes, a obra de Agatha Christie e sua fórmula são utilizadas em inúmeras peças de teatro, filmes e demais obras de ficção. Até mesmo jogos de tabuleiro, como Detetive e Scotland Yard, permitem que o jogador banque o investigador e desvende mistérios.

Conhecida como Dama do Crime, Agatha Christie é considerada uma das escritoras mais importantes de todos os tempos. Basta ler um dos seus livros ou ver a quantidade de trabalhos inspirados em suas obras para entender que tal reconhecimento não é motivo de mistério.

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8 Comentários

  • Ana Lúcia Ferreira

    17 de setembro de 2020 às 22:24

    Conheci a obra da autora aos 15 anos. Foi amor à primeira lida. O caso dos dez nwgrinhos, hj conhecido como E não sobrou nenhum é um primor. Cem gramas de centeio tbm. Ela é maravilhosa, e inspirou muito autor.imortal sua obra.

  • Jordania

    18 de setembro de 2020 às 14:23

    Foi por causa dos livros dela que eu me interessei pela leitura. Ninguém lia os livros que estavam disponíveis pra leitura quando eu olhei na ficha do primeiro livro que eu li, tinha quase 10 anos do ultimo empréstimo. Revirei a biblioteca procurando os outros.

  • Eduardo Prazeres

    18 de setembro de 2020 às 15:33

    Agatha Christie é uma referência incontestável para todo escritor, de qualquer gênero, que queira trabalhar o suspense como elemento narrativo de suas obras.

  • Sophia

    20 de setembro de 2020 às 13:54

    Esperando ansiosamente esse livro! Comecei a ler Aghata ainda criança nos anos 80, e ne impressiinou como naquele momento eu tive medo lendo sozinha, a noite, enquanto todos dormiam, o livro foi o que na época ainda tinha o título de “O Caso dos 10 Negrinhos”. Só faltava mesmo um Livro da Darkside pra minha coleção!!! ❣️❣️❣️

  • Sophia

    20 de setembro de 2020 às 13:56

    Esperando ansiosamente esse livro! Comecei a ler Aghata ainda criança nos anos 80, e me impressionou como naquele momento eu tive medo lendo sozinha, a noite, enquanto todos dormiam, o livro foi o que na época ainda tinha o título de “O Caso dos 10 Negrinhos”. Só faltava mesmo um Livro da Darkside pra minha coleção!!! ❣️❣️❣️

  • Talita Brito

    23 de setembro de 2020 às 19:20

    Sou apaixonada pelos livros desse icone, amo a sensação de prender a tespiração enquanto está perto de descobrir os assassinos, é maravilhoso e os livro são perfeitos.

  • Van Spala

    2 de outubro de 2020 às 04:46

    Ela detêm o título de Dama do Crime e não é pra menos: seus livros são SEN-SA-CIO-NAIS!!! E O Caso dos Dez Negrinhos é brilhante! Essa mulher era um gênio!!!

  • Túlio

    23 de outubro de 2020 às 01:07

    Sempre quis ter um box de sherlock holmes e da Agatha Christie publicados pela Darkside, sou apaixonado pelos livros da Darkside sinto que a diagramação e o carinho dado pela editora traria de certa forma uma releitura interessante para os livros de investigação, essa semana comentando com uma amiga, estávamos sonhando como uma releitura de forma “halloween” dos livros como Medico e o Monstro, Corvo e outros que trazem uma intensidade e um compromisso diferente para a leitura.

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