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Conheça Joyce Carol Oates, uma das escritoras mais produtivas da atualidade

Autora está na antologia Seres Mágicos & Histórias Sombrias.

A maioria das matérias sobre Joyce Carol Oates têm na abertura uma extensa lista de obras da autora. Desde seu primeiro livro, em 1963, ela já publicou 58 títulos, além de um vasto número de peças, contos, poesia, críticas e obras de não-ficção. Não é à toa que Oates é considerada uma das escritoras mais produtivas – e relevantes – da atualidade.

LEIA TAMBÉM: CONHEÇA ESCRITORES POR TRÁS DE SERES MÁGICOS & HISTÓRIAS SOMBRIAS

Nascida em 16 de junho de 1938 em Lockport, Nova York, Joyce foi a primeira de três filhos. A paixão pela leitura e pela escrita surgiu cedo, com um empurrãozinho da avó materna, Blanche Woodside. A obra que despertou esta paixão foi o clássico Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll – um presente de Blanche. A autora define a experiência: “Foi o maior tesouro da minha infância e a influência literária mais profunda da minha vida. Foi amor à primeira vista”.

Na adolescência ela devorou as obras de autores como Charlotte Brontë, Emily Brontë, Fiódor Dostoiévski, William Faulkner, Ernest Hemingway e Henry David Thoreau, influências que ela considera profundas até hoje. Nesta época, aos 14 anos, ela começou a escrever, quando sua avó lhe deu uma máquina de escrever.

A autora conquistou uma bolsa de estudos para a Universidade de Syracuse, onde ela praticou escrevendo romance após romance e sempre jogando-os fora depois de terminados. Enquanto universitária, Joyce começou a ler a obra de Franz Kafka, D. H. Lawrence, Thomas Mann e Flannery O’Connor, que também são influências fortes nas suas obras.

A carreira literária de Joyce Carol Oates

Aos 26 anos ela publicou seu primeiro romance, With Shuddering Fall. Em 1966, ela publicou o conto Where are you going, where have you been?, dedicado ao cantor Bob Dylan e escrito após ela ouvir a música “It’s all over now, Baby Blue”. A história é levemente inspirada no serial killer Charles Schmid e foi publicada em diversas antologias, além de receber uma adaptação para o cinema no filme Conversa Suave, estrelado por Laura Dern. Apesar do amplo volume de livros publicados, Joyce Carol Oates afirma que até hoje ela ainda é mais conhecida por este conto.

O segundo livro de Joyce, A Garden of Earthly Delights, inaugurou a série Wonderland Quartet, que contou com quatro publicações, entre 1967 e 1970 – todos eles foram finalistas do prêmio National Book Award for Fiction. O terceiro romance da série, them (1969) se passa predominantemente nos guetos de Detroit, com população em sua maioria negra que lida com crime, tráfico de drogas e conflitos raciais.

A violência é um tema recorrente nas obras de Joyce Carol Oates, que baseia muitos acontecimentos de seus personagens em situações reais que chegaram ao conhecimento dela. Pobreza na área rural, abuso sexual, tensão de classes, desejo de poder, amadurecimento feminino e eventos sobrenaturais são alguns dos tópicos presentes em suas histórias.

Além da dedicação a suas obras, Joyce Carol Oates fundou em 1974 a revista literária The Ontario Review, em parceria com seu marido Raymond J. Smith. Seis anos depois, os dois fundaram a Ontario Review Books, uma editora independente. Eles permaneceram casados até 2008, quando Smith faleceu por complicações de pneumonia.

Além do trabalho como escritora, JCO, como também é conhecida, atuou como professora universitária. Entre as instituições onde lecionou destacam-se a Universidade de Detroit, Universidade de Windsor, em Ontario, e a Universidade de Princeton, New Jersey, local onde passou a maior parte de sua carreira acadêmica: de 1978 a 2014. Desde 2016 ela ministra aulas de escrita criativa para contos na Universidade de Berkeley, uma instituição pública.

O processo de escrita de Joyce Carol Oates

Não é à toa que Oates é conhecida como uma das escritoras mais criativas da atualidade: desde a década de 1970 ela tem publicado uma média de dois livros por ano. Isso porque ela respira a escrita – até quando não está trabalhando ela está rabiscando palavras. 

Desde 1973 Joyce manteve diários com informações detalhadas de sua vida pessoal e literária. No total, ela acumulou mais de 4 mil páginas destes registros. Em 2008 ela declarou que deixou de manter diários e apenas passou a arquivar cópias de seus e-mails.

Outro lugar em que a autora escreve bastante é no Twitter. Em seu perfil @JoyceCarolOates ela publica tweets de uma forma intensa e constante sobre sua rotina, suas opiniões políticas e, claro, sobre literatura.

A escritora também é adepta de corridas. Mais do que apenas uma forma de cuidar da saúde, JCO aproveita os exercícios para vislumbrar cenas para suas histórias, além de repensar alguns rascunhos. O conceito do seu romance You Must Remember This surgiu em uma destas corridas, quando ela se deparou com uma ponte ferroviária e teve ideias para uma história.

Um incentivo inusitado para sua escrita vem de seus gatos. Apaixonada pelos felinos, ela já dedicou algumas obras a eles. Além disso, eles têm um papel fundamental em mantê-la escrevendo: “Eu escrevo tanto porque a minha gata fica no meu colo. Ela fica ronronando e então eu não quero me levantar”. Vários tutores de gato entendem perfeitamente do que ela está falando.

O conto Figuras Fósseis

Quem ainda não está familiarizado com a escrita de Oates, pode ter uma ideia do poder narrativo da autora na antologia Seres Mágicos & Histórias Sombrias, em que ela participa com o conto Figuras Fósseis.

A história trata sobre as diferenças e as ligações entre irmãos gêmeos que são completamente diferentes entre si: Edgar e Edward. Um deles é o “irmão demônio”, que suga boa parte da vitalidade de seu gêmeo ainda no útero. Como consequência, este irmão sempre foi maior, mais forte e mais bem-sucedido, enquanto o outro tinha problemas de saúde, notas baixas na escola e acabou em uma cadeira de rodas.

Ao mesmo tempo em que Joyce explora as diferenças entre os dois e os rumos opostos que suas vidas tomaram, ela reforça o laço familiar e a dicotomia de pessoas que são fruto do mesmo ventre. Com pinceladas do sobrenatural, ela cria um suspense sustentado pela culpa e pela esperança de algum tipo de redenção.

5 Comentários

  • Carlos Henrique

    15 de junho de 2020 às 19:48

    Caveirinha,
    publique livros da Joyce.

    • DarkSide

      16 de junho de 2020 às 09:26

      Em breve, mais novidades da Joyce na casa da Caveirinha.

  • Daniel

    8 de setembro de 2020 às 16:12

    Sinto falta de publicações da autora por aqui. Joyce Carol Oates é um monstro literário!

    • DarkSide

      8 de setembro de 2020 às 16:34

      Cola no meu esqueletinho porque em breve teremos novidades da autora.

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