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Caveira Viu: A Freira 2

O demônio vestido de freira retorna aos cinemas

12/09/2023

É difícil ignorar o espaço que a franquia Invocação do Mal conquistou nos últimos anos dentro do cinema de horror. Desde o primeiro filme lançado em 2013, o universo criado por James Wan não para de crescer. Não é para menos, afinal, juntas, as produções somam mais de 2 bilhões de dólares em bilheterias, o que tornou a franquia na mais rentável dentro do gênero de horror. 

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A expansão era algo inevitável. O que começou com o casal Ed e Lorraine Warren enfrentando ameaças sobrenaturais, levou a produções voltadas para seus memoráveis antagonistas. Primeiro foi a boneca Annabelle, que até o momento já ganhou três filmes para chamar de seus. Depois foi a vez do demônio Valak, um dos favoritos dos fãs desde sua aparição em Invocação do Mal 2

Depois de aterrorizar uma inocente família britânica e ser derrotado pelo casal Warren no segundo filme, Valak ganhou sua estreia solo em 2018. Ambientado nos anos 1950 na Romênia, A Freira inseriu-se simultaneamente no Invocaverso como um spin-off e uma prequel. Protagonizado por Taissa Farmiga e Demián Bichir, o longa dirigido por Corin Hardy seguia um padre católico e uma noviça indo até um convento investigar uma força maligna que aterrorizava o local. 

a freira
Warner Bros./Divulgação

Embora o filme tenha sofrido com críticas negativas, a bilheteria foi um enorme sucesso, tornando A Freira a produção mais bem-sucedida de toda a franquia. Por mais que o enredo se encerrasse com um gancho direto para Invocação do Mal 2, em 2019 iniciaram-se os boatos de que Valak voltaria para uma sequência… 

E o demônio vestido de freira realmente voltou aos cinemas. A Freira 2 acabou de chegar nos cinemas brasileiros e a Caveira fez um pacto para lá de sinistro para assistir e voltar correndo para te contar o que achou desse mais novo filme da franquia Invocação do Mal

A Freira 2: Mais um capítulo na história de Valak

Dirigido por Michael Chaves, mesmo cineasta de A Maldição da Chorona (2019) e Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio (2021), A Freira 2 se passa quatro anos após os eventos do primeiro filme. A Irmã Irene, vivida por Taissa Farmiga, tenta deixar para trás o que aconteceu no convento de Santa Carta, encarregando-se de cuidar da novata e rebelde Irmã Debra (Storm Reid). Já Maurice, interpretado por Jonas Bloquet, se desloca pela Europa até encontrar trabalho como zelador em um colégio interno para meninas na França. O problema é que Maurice não saiu ileso de seu encontro com Valak e vem involuntariamente carregando algo consigo. Quando uma série de mortes misteriosas assola diversos religiosos e parece levar a algum lugar específico, o Vaticano decide chamar novamente a Irmã Irene para investigar.

a freira 2
Warner Bros./Reprodução

A Freira 2 procura incansavelmente corrigir os erros de seu antecessor. Talvez seja justamente nessa tentativa de expiar os pecados que o filme de Michael Chaves pisa em falso, caindo em seus próprios e recém-cometidos erros. Embora tenha sido criticado pelo enredo fraco e sustos previsíveis, o primeiro filme de A Freira acertou em cheio em duas coisas: na atmosfera aterrorizante e nas aparições demoníacas de Valak. O que parece é que, ao procurar se livrar do que deu errado, A Freira 2 também abre mão do que deu certo, abdicando de seus pontos mais fortes. 

Vamos ser justos, o filme começa bem com uma cena impactante e bem construída que revela novamente a profanidade de Valak. O problema vem mais para frente, quando o enredo passa a alternar entre a jornada da Irmã Irene e da Irmã Debra, que buscam desvendar o grande mistério da vez, e o colégio interno em que Maurice está trabalhando. Aqui já temos o primeiro problema do filme: a ambientação e atmosfera da escola não chega aos pés do convento escuro e sinistro do primeiro longa. 

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Na tentativa de deixar os jumpscares óbvios de lado, A Freira 2 comete outro pecado imperdoável e relega sua grande estrela. Sim, desde o final do primeiro filme nós sabemos que Maurice está possuído por Valak. Acontece que isso diminui substancialmente a presença demoníaca da freira, interpretada novamente por Bonnie Aarons, que é “trocada” por um Maurice possuído. Embora o diretor Michael Chaves consiga colocar algumas distrações e ameaças pelo caminho, uma das partes mais sinistras do filme permanece em segundo plano. 

Ainda assim, A Freira 2 consegue causar alguns bons sustos e manter um ritmo interessante com a busca das irmãs por Valak e seus motivos. Por mais que o mistério consiga manter o espectador interessado por certo tempo (afinal de contas, queremos saber o que diabos esse demônio quer), o roteiro escorrega em excessos e na expansão superficial da mitologia do antagonista e da própria Irmã Irene, que agora também entra na jogada de ter seu passado explicado. Embarcando em soluções muito parecidas com a do primeiro filme e procurando manter a mesma aura de religião e mistério de relíquias católicas, A Freira 2 acaba entregando um desfecho que não agrega muito no resultado final

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© 2023 Warner Bros. Entertainment Inc.

No entanto, o filme tem seus pontos positivos. Michael Chaves constrói bem as sequências, os sustos não são tão óbvios e o enredo tem uma melhora significativa em seus diálogos, abandonando o humor forçado do primeiro longa. Infelizmente, o final atrapalha completamente a continuidade da franquia como um todo, o que pode deixar os fãs confusos. Por mais que a cena pós-crédito tente agradar, ela não serve para muita coisa além de nos deixar perguntando: onde tudo isso se encaixa? 

Por mais que queira se afastar do primeiro filme, A Freira 2 não é assim tão diferente de seu antecessor quanto gostaria. Com mais violência e personagens povoando sua trama, o longa se mantém na média e entrega algo muito similar ao que já vimos anteriormente. Os fãs definitivamente vão sentir falta da presença assustadora de Valak, que acaba deixado de lado em seu próprio filme, mas ainda podem se divertir despretensiosamente com os sustos e mais essa batalha entre a Irmã Irene e o demônio. 

Talvez a grande lição que A Freira 2 nos forneça, junto com o primeiro filme, é que o que tornou Valak realmente assustador em Invocação do Mal 2 foi o fato de não sabermos quase nada sobre ele. Talvez… mas só talvez, fosse melhor ter continuado assim.  

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Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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