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Caveira Viu: Bodies Bodies Bodies

Chegou a hora da GenZ confrontar o seu assassino

ESSE POST CONTÉM SPOILERS DO FILME BODIES BODIES BODIES

Um grupo de pessoas passa uma noite em uma mansão isolada por um furacão. Uma delas aparece morta e cabe aos sobreviventes descobrir quem é o assassino, além de, claro, salvar a própria pele. O enredo poderia facilmente fazer parte de um mistério de Agatha Christie, não fosse pelo grupo de jovens da Geração Z e seus smartphones.

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Bodies Bodies Bodies é o novo slasher da A24 e, com muita espirituosidade, insere a geração de jovens com seus 20 e tantos anos em uma noite de terror regada a álcool, entorpecentes, bastõezinhos de neon, intrigas e paranoias.

Sobre o que é a história de Bodies Bodies Bodies

Sophie (Amandla Stenberg) leva a nova namorada, Bee (Maria Bakalova) para conhecer os amigos, que decidiram fazer uma festa em uma luxuosa mansão dos pais de David (Pete Davidson) enquanto um furacão passa pela região. Também fazem parte do grupo: 

– Jordan (Myha’la Herrold): ex de Sophie e meio que a mãezona da galera;

– Emma (Chase Sui Wonders): namorada de David, atriz e queridinha de todo mundo;

– Alice (Rachel Sennott): a podcaster da turma que trouxe um namorado bem mais velho que o resto da galera;

– Greg (Lee Pace): o namorado mais velho que o resto da galera que tem um cuidado todo especial com o corpo.

bodies bodies bodies
A24/Divulgação

Nesse contexto, o grupo celebra seu hedonismo enquanto furacão causa seus estragos lá fora. Para deixar as coisas mais emocionantes, eles decidem jogar Bodies Bodies Bodies, um jogo que é meio esconde-esconde, meio gato mia, mas em que as pessoas “morrem” quando são descobertas. 

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Uma disputa de egos entre David e Greg deixa o clima mais pesado entre a galera e a capacidade de julgamento de todo mundo já está um tanto comprometida pelo festerê. Uma queda de energia em meio à tempestade deixa tudo um pouco mais sinistro, mas é a morte de David, estrangulado do lado de fora de casa, que aterroriza de vez o pessoal, que agora precisa descobrir quem deles é o assassino.

A paranoia crescente põe à prova laços de amizade que se mostram absolutamente frágeis, além do preconceito em relação ao pessoal “de fora” (Bee e Greg) e verdades inconvenientes sobre cada um daqueles jovens vêm à tona. Tudo isso dentro da cartilha “woke” dos dias de hoje, com direito a expressões como “você é tão tóxico” e um simulado respeito a condições relacionadas à saúde mental.

Mas, acima de tudo, a vaidade ainda impera entre os sobreviventes, que não querem perder a pose diante dos que estão ali. Mesmo com um assassino à solta, o pensamento de “o que os outros vão pensar de mim” parece se sobrepor ao risco iminente de vida que todos correm. Prioridades, né?

Bodies Bodies Bodies é legal?

A paranoia é sempre um componente interessante para todo whodonit (aquele subgênero do suspense de descobrir quem é o culpado de algo). Trazer essa atmosfera para a GenZ é uma proposta absolutamente válida, pois os modelos de slashers com os millenials já estavam soando meio antiquados pela galera de 20 e poucos anos.

Porém, ao mesmo tempo em que insere de maneira divertida alguns trejeitos e preocupações dessa geração, o roteiro parece cair apenas no campo do escárnio, ao invés de uma sátira um pouco melhor embasada. Ninguém dessa geração participou da produção do roteiro, o que deixa o resultado com cara de um bando de gente mais velha reclamando das novas gerações. “Porque na minha época o assassino corria mascarado atrás dos jovens e era mais legal” não é o tipo de argumento que cabe aqui.

Um dos principais problemas de se perder tanto nessa pegação de pé com a geração que chamou muitos de nós de cringe é não conseguir fazer com que o público se identifique com os personagens. E a empatia é necessária para torcermos pelos sobreviventes em qualquer slasher. Em Bodies Bodies Bodies a gente meio que só quer ver quem vai ser o próximo e como vai ser a morte.

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A24/Divulgação

O longa já foi até chamado de “Euphoria, só que slasher”, em alusão à série da HBO que tem Zendaya como protagonista. Além de superficial, a comparação só pode ter sido feita por alguém que nunca assistiu à série, que mergulha bem fundo nas vivências e angústias de seus personagens. Lá a gente torce de verdade por eles (tanto para o bem como para o mal), mesmo sem compartilhar daqueles valores.

Mas vamos ser justos também, Bodies Bodies Bodies não tem essa pretensão de traçar reflexões psicológicas e sociológicas sobre seus personagens. É um slasher, um filme para causar sustos e divertir em cima das limitações de seus personagens — por mais que eles tentem manter a pose o tempo inteiro. Se a sua intenção é justamente dar essa desligada e ver umas cabeças rolando, o filme cumpre o que promete.

A melhor parte é quando acaba, mas não pelos motivos que você pensa

Sem dar mais spoilers do que já foi feito até aqui, o final do filme funciona como uma espécie de xeque-mate para toda a sua crítica. Aquilo que “parece ser” se tornou muito mais importante para o grupo do que a verdade em si, um ultimato que não se restringe apenas à Geração Z, mas a toda uma sociedade que não precisa de muito para criar suas teorias conspiratórias em vez de ir atrás da verdade.

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A24/Divulgação

No fim das contas, Bodies Bodies Bodies pode até funcionar como uma crítica muito mais profunda do que aquilo que aparenta ser e também mais ampla do que um grupo de jovens mimados isolados durante um furacão. Desde a dependência exacerbada da tecnologia até o medo de um mal invisível incomprovado, o quanto somos parecidos com esses personagens? Quanto tempo perdemos buscando culpados em vez de buscar a verdade? Cuidado para não perder a cabeça antes de descobrir a resposta.

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Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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