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Como foi a Era do Cinema Mudo em Hollywood

Lon Chaney marcou personagens inesquecíveis sem dizer uma palavra sequer

13/02/2024

Lobisomem, corcunda, vampiro, palhaço, fantasma, homem, mulher… Lon Chaney foi tudo isso em uma época em que as imagens não precisavam de palavras para se comunicar. Mesmo tendo ficado imortalizado como “o homem das mil faces”, o ator manteve uma vida bem discreta, diferentemente da maioria das estrelas de cinema.

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Um pouco sobre a vida do multifacetado artista pode ser conhecida em Fala Comigo, Lon Chaney, uma graphic novel de Pat Dorian que é uma verdadeira homenagem à grandiosidade desse mestre da maquiagem e da atuação. A arte de Chaney influenciou muitos profissionais ao longo do último século, fazendo com que o seu legado fale alto até os dias de hoje.

fala comigo lon chaney

Quando o silêncio valia ouro

A Era do Cinema Mudo, entre 1920 e 1929, consolidou o sistema dos estúdios de Hollywood, estabelecido nas décadas anteriores e que se estenderia até a década de 1950. Com o crescimento econômico observado nos Estados Unidos após a Primeira Guerra Mundial, os magnatas da indústria, como William Fox, Samuel Goldwyn e os irmãos Warner fortaleceram o seu controle sobre o cinema.

Os estúdios começaram a filmar histórias que repetiam temas e estruturas, dando início ao que hoje conhecemos como gêneros dos filmes. As produções de faroeste se tornaram bem populares na década de 1920, aproveitando as locações na paisagem californiana. 

No entanto, foi a comédia que conquistou as maiores audiências durante a Era do Cinema Mudo. Isso foi possível graças a nomes como Charlie Chaplin, Buster Keaton, Harold Lloyd, Harry Langdon e, claro, Lon Chaney (que navegou por outros gêneros além da comédia).

charlie chaplin

Junto do materialismo e do otimismo da década, Hollywood começou a se mostrar glamorosa, ao mesmo tempo em que desafiava as convenções de uma sociedade moralista. Com medo de que as produções contivessem conteúdo inapropriado, os primeiros órgãos reguladores passaram a surgir para controlar o conteúdo dos filmes.

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Estrelas de cinema que desafiam a noção de mulher ideal

Ícones como Clara Bow e Joan Crawford eram vistas como símbolos da liberdade da Era do Jazz, substituindo os ideais pós-vitorianos de feminilidade retratados por nomes como Mary Pickford, Lilian e Dorothy Gish e Bessie Love. A atriz Gloria Swanson conferiu ainda mais sofisticação com seus looks nas telonas.

Fortemente estabelecidos em Hollywood, os estúdios passaram a importar talentos da Europa, como diretores e atores. A polonesa Pola Negri foi a primeira atriz europeia a desfrutar de toda a atenção de uma estrela de cinema. 

Greta Garbo foi outra mulher que ajudou a desafiar os padrões da época. Suas cenas quentes com John Gilbert — com quem ela também estava envolvida fora dos sets — entregou uma sensualidade e vulnerabilidade que eram inéditas no cinema. 

greta garbo
MGM/Reprodução

Ação e terror em Hollywood

Os talentos de dentro dos Estados Unidos também ficaram em evidência nessa época, como foi o caso de Lon Chaney. Sua feição irreconhecível em personagens grotescos nos filmes O Corcunda de Notre Dame (1923) e O Fantasma da Ópera (1925) não era mérito apenas da distorção nas câmeras ou de suas habilidades com maquiagem: Chaney atuava com todo o corpo, transformando-se de verdade nos monstros que interpretava. Tal dedicação aumentou a responsabilidade de demais atores que viriam pela frente.

lon chaney

A Era do Cinema Mudo também popularizou filmes de ação, como os de Douglas Fairbanks. Títulos como A Marca do Zorro (1920) e Robin Hood (1922) valorizavam o porte e habilidades atléticas de seus protagonistas.

Os primeiros filmes falados e o fim do cinema mudo

Com toda a prosperidade do cinema na década de 1920, o terreno estava propício para uma inovação radical. Em 1926, a Warner Bros. apresentou seu primeiro programa sincronizando a imagem com o áudio de um disco em um sistema chamado Vitaphone

vitaphone

A principal intenção do estúdio era oferecer aos proprietários de salas de exibição um substituto às apresentações ao vivo que ocorriam durante a transmissão de filmes, como era o caso das orquestras que tocavam as trilhas nas salas. Por causa disso, o primeiro longa deles com som, Don Juan, não é considerado um filme falado, pois o único som era o da trilha.

O grande avanço veio no ano seguinte, com o lançamento do primeiro filme bem-sucedido com som: O Cantor de Jazz (1927), também da Warner. O longa tinha dublagem da trilha sonora e também de alguns diálogos. O sucesso foi tão grande que deu início ao movimento de diversos estúdios que se renderam à tecnologia e trabalharam para fazer filmes com som.

A mudança criou muita resistência na indústria, até mesmo entre atores como Charlie Chaplin. Os impactos dessa transição podem ser melhor compreendidos em filmes como Crepúsculo dos Deuses (1950), Cantando na Chuva (1952) e O Artista (2011)

crepúsculo dos deuses
© 1950 – Paramount Pictures

A mudança para o cinema falado revolucionou a forma com que os filmes eram escritos, dando mais ênfase aos personagens e aos diálogos e tornando obsoleta a profissão do escritor de letreiros. Com o tempo, os cineastas aprenderam a contornar os problemas técnicos de ruído e a entregar filmes bem próximos daquilo que assistimos até os dias de hoje. Ainda assim, a Era do Cinema Mudo foi crucial para o aprimoramento e amadurecimento de uma indústria que até hoje alimenta com som e imagem a imaginação de audiências em todo o mundo.

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Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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