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Monstros Clássicos da Universal: Dos livros para o cinema

Drácula, Frankenstein e outras criaturas integraram o primeiro universo compartilhado do cinema

Quem hoje acompanha os universos cinematográficos de filmes de super-heróis nem imagina que o conceito de vários longas interligados surgiu no gênero de terror. Entre as décadas de 1920 e 1950 a Universal Pictures lançou diversos filmes de monstros no cinema, a maioria deles adaptados da literatura, como Drácula, Frankenstein e O Fantasma da Ópera.

Desde a época do cinema mudo filmes de terror eram bem recebidos pelo público. Afinal, tratava-se de uma nova forma de trabalhar o gênero, de forma mais visual do que os livros permitiam. Prova disso é o sucesso do filme Nosferatu (1922) que, apesar de ter tentado se distanciar do original, é considerado a primeira adaptação do clássico de Bram Stoker.

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Neste período, a Universal Pictures iniciou suas produções de terror, com a adaptação de O Fantasma da Ópera, do livro de Gaston Leroux. O filme ainda foi feito no formato mudo, mas já deu o impulso para que o estúdio olhasse com mais atenção para temas assustadores.

O universo compartilhado dos monstros clássicos

Já na era do cinema falado, o vampiro de Bram Stoker voltou às telonas. Desta vez, pelas mãos da Universal Studios, que estava prestes a inaugurar um universo formado pelas criaturas mais assustadoras do cinema. Em 1933 o estúdio lançou Drácula, que imortalizou Bela Lugosi no papel do vampiro.

Drácula

A imagem que temos até hoje do Conde da Transilvânia se deve ao clássico da Universal. Hoje é inconcebível imaginar que os produtores não queriam Lugosi para o papel, principalmente pelo fato de ele já ter interpretado o personagem no teatro anteriormente. 

Apesar de ser um filme falado, as cenas em que Drácula atacava suas vítimas foram mostradas ao público em silêncio completo, sem ao menos uma trilha sonora. A ideia era conferir mais tensão a estes momentos. Os jornais da época noticiaram que na estreia algumas pessoas desmaiaram por causa do choque.

Um fato curioso é que o livro de Bram Stoker não havia alcançado patamares de clássico até então. Foi o filme com Bela Lugosi que tornou Drácula o vampiro mais conhecido do mundo da ficção até os dias de hoje.

No mesmo ano, outro monstro da literatura viria a assombrar as telonas: Frankenstein. Embora no romance de Mary Shelley o nome seja do cientista, até hoje o associamos à criatura interpretada por Boris Karloff. Sua indistinguível cabeça achatada e remendada tornou este morto-vivo um dos monstros mais icônicos de terror.

Foi o bom desempenho de Drácula que levou o estúdio a produzir Frankenstein. Com o sucesso do segundo, sendo considerado até mais assustador, a Universal percebeu o nicho que tinha em mãos e desatou a produzir filmes de outros personagens assustadores, bem como continuações para as produções já lançadas.

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Dentre outras criaturas que ganharam seus filmes e franquias temos: múmia, lobisomem, o Homem Invisível e o Monstro da Lagoa Negra. De 1931 a 1956 foram mais de 30 títulos relacionados a estes personagens, com direito a continuações envolvendo A Noiva do Frankenstein (1935), A Filha de Drácula (1936), O Filho de Frankenstein (1939), A Mulher Invisível (1940), entre outros.

A fórmula estava funcionando tão bem e a Universal tinha marcado os atores em seus papéis de forma tão consistente que o estúdio chegou até a promover crossovers. Em 1943 foi lançado Frankenstein encontra o Lobisomem, com Bela Lugosi no papel do monstro de Mary Shelley e Lon Chaney Jr. como o homem-lobo, personagem mais popular naquela época.

Um dos segredos para o sucesso de criaturas tão repugnantes é o fato de a Universal conseguir representá-los como vítimas de tragédias, conquistando a simpatia do público. Frankenstein só era mau porque seu criador lhe deu um cérebro perverso, Drácula tinha virado vítima de uma maldição que o impedia de morrer e o Lobisomem havia sido atacado por outro monstro do tipo, além de constantemente buscar uma cura para sua condição.

Com a fórmula do terror se desgastando e virando motivo de risadas, a Universal Pictures tinha um novo rumo para seus monstros icônicos: a comédia. Do final da década de 1940 até os anos 1950 o estúdio investiu na franquia dos personagens Abbott e Costello, que, ao longo de quatro filmes, depararam-se com Frankenstein, o Homem Invisível, o Médico e o Monstro e a Múmia.

A era dos remakes

Com menos consistência, o estúdio voltou a explorar seus monstros nas décadas seguintes. Em 1979, Drácula foi repaginado com a interpretação de Frank Langella e somente 20 anos depois a múmia voltaria às telonas, inaugurando a trilogia estrelada por Brendan Fraser. O Lobisomem também voltou às telonas em 2010 e chegou a levar o Oscar de Melhor Maquiagem, apesar de não ter repetido o sucesso que o personagem teve na década de 1940.

O caçador de vampiros Van Helsing ganhou seu próprio filme em 2004, estrelado por Hugh Jackman. A direção foi de Stephen Sommers, que também dirigiu a franquia de A Múmia. O filme foi um fracasso gigantesco de crítica.

A era dos reboots e o Dark Universe

Em 2014 o estúdio lançou o primeiro de uma série de filmes que não apenas revisitaria os monstros, mas que lhes daria uma nova origem e contexto. A primeira produção foi Drácula: A História não Contada. No mesmo ano, o estúdio anunciou o selo Dark Universe, dando início a um novo universo compartilhado de personagens do terror.

A ideia era dar uma nova roupagem aos filmes de sucesso das décadas de 1930, 1940 e 1950. Alguns dos personagens anunciados foram o Médico e o Monstro, Frankenstein, o Homem Invisível, o Lobisomem e o Monstro da Lagoa Negra.

No entanto, o fracasso do segundo filme do Dark Universe faria o estúdio repensar seus planos. A Múmia (2017), estrelado por Tom Cruise, foi uma decepção de público e de crítica, levando à demissão de pessoas envolvidas no projeto do universo compartilhado.

Em janeiro de 2019, o estúdio anunciou o fim do Dark Universe, esclarecendo que todos os filmes seriam projetos individuais, sem pretensão de crossovers. O primeiro a ser lançado sob este novo advento, de maior independência das produções, é O Homem Invisível. A adaptação do livro de H.G. Wells se passa nos dias atuais e traz um relacionamento abusivo como centro da produção de suspense e terror, inserindo o personagem neste contexto.

Outras produções que devem ser lançadas na era dos reboots envolvem um crossover dos monstros clássicos intitulado Dark Army e dirigido por Paul Feig (de Missão Madrinha de Casamento), um filme com o Conde Drácula como protagonista, uma nova versão para o Frankenstein dirigida por James Wan (Invocação do Mal) e Mulher Invisível com direção de Elizabeth Banks. Além destes títulos, a Universal pretende lançar um reboot para A Noiva de Frankenstein. Os nomes mais cotados para a direção são John Krasinski (Um lugar silencioso) e Sam Raimi (Uma noite alucinante: A morte do demônio). 

Fica a torcida para uma nova safra de filmes icônicos de terror.

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