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Conheça C. Auguste Dupin, o pai dos detetives de ficção

Personagem criado por Edgar Allan Poe é citado em conto de Livros de Sangue vol. 2

Grandes escritores buscam inspiração e mentoria em outros grandes escritores. Em Livros de Sangue volume 2, Clive Barker presta homenagem ao mestre do suspense Edgar Allan Poe. No conto “Novos Assassinatos na rua Morgue”, o autor traz um possível descendente de C. Auguste Dupin, personagem criado por Poe.

LEIA TAMBÉM: LIVROS DE SANGUE VOL. 2: FOBIAS BIZARRAS QUE ATORMENTAM A MENTE HUMANA

Mas Dupin não é apenas mais um detetive da ficção, ele foi o pai de todos. Se hoje conhecemos as histórias de Sherlock Holmes e Hercule Poirot, foi o personagem de Poe que abriu o caminho. Aliás, Dupin foi criado antes mesmo do termo “detetive” existir e estabeleceu a maior parte dos elementos das histórias de investigação como as conhecemos até hoje.

Os leitores mais vorazes da Caveira já o encontraram em outro livro: Edgar Allan Poe: Medo Clássico volume 1. A coletânea traz os três contos em que Dupin aparece: “Os assassinatos na rua Morgue”, “O mistério de Marie Rogêt” e “A carta roubada”, originalmente publicados em 1841, 1842 e 1844, respectivamente.

O primeiro deles é a principal referência utilizada por Barker, que inclusive emprega a mítica rua Morgue como parte da ambientação. O mistério em questão é investigado por um personagem chamado Lewis, que seria sobrinho-neto do próprio C. Auguste Dupin. Na história ele conta que os eventos originais dos assassinatos na rua Morgue foram contados por seu avô ao próprio Edgar Allan Poe durante uma viagem aos Estados Unidos, inspirando-o a escrever o conto. 

Quem é C. Auguste Dupin

Como o próprio Clive Barker cita em seu conto, Dupin é a visão de Poe do detetive perfeito: calmo, racional e com magnífica percepção. O método do detetive foi definido pelo seu criador como “raciocinação”, uma mistura de raciocínio com imaginação.

A origem do personagem remonta a uma família que já foi muito rica, mas que uma variedade de infortúnios a levou a um estilo de vida mais humilde, levando Dupin a se contentar com somente o necessário. O investigador mora em Paris com seu amigo próximo, que é o narrador anônimo de suas histórias.

Os hobbies preferidos de Dupin são desvendar enigmas, adivinhas e decifrar hieróglifos. Ele possui o título de Chevalier, ou seja, é um cavaleiro da Legião de Honra, a mais elevada condecoração de mérito militar e civil da França. 

Em sua primeira história, “Os assassinatos na rua Morgue”, Dupin investiga o assassinato de mãe e filha em Paris – vários elementos são referenciados na história de Clive Barker. Em “O mistério de Marie Rogêt” ele investiga outro homicídio, baseado na história real de Mary Rogers, uma vendedora de tabacaria em Manhattan que teve seu cadáver encontrado flutuando no rio Hudson. Sua última aparição, em “A carta roubada”, é sobre a investigação de uma correspondência roubada da rainha da França.

Apesar de estar constantemente envolvido em investigações, Dupin não é oficialmente um detetive. Além disso, suas motivações mudam conforme a história. No caso da rua Morgue, ele se envolve para provar a inocência de um homem falsamente acusado, recusando recompensas financeiras. Já em “A carta roubada” ele está justamente atrás do prêmio para quem solucionar o mistério.

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Desvendando o “Método Dupin”

O primeiro detetive da ficção provoca várias discussões até hoje sobre qual seria o seu método infalível para decifrar mistérios. Afinal, o que seria a tal “raciocinação” de Edgar Allan Poe?

Segundo o biógrafo Joseph Krutch, C. Auguste Dupin é retratado como uma máquina de pensar quase desumana – mais ou menos como 30 anos mais tarde se tornaria seu herdeiro Sherlock Holmes. Nesta abordagem, o detetive estaria interessado somente na lógica.

Segundo Krutch, sua destreza dedutiva é evidenciada pela primeira vez quando o detetive parece ler a mente do narrador ao racionalmente rastrear sua linha de pensamento dos quinze minutos anteriores. 

Esta seria a tal “raciocinação”: a capacidade de Dupin em se colocar na mente do criminoso. Ao saber tudo o que o investigado sabe, ele é capaz de resolver qualquer crime. Com isso, ele combina sua lógica científica com imaginação artística, atuando como um observador, que presta uma atenção especial àquilo que não é intencional, como hesitação, ansiedade ou descuidos com as palavras.

O método do detetive também evidencia a importância de ler e escrever. Muitas das pistas captadas por ele surgem de jornais ou relatórios da prefeitura. A beleza disso está na capacidade de engajar o leitor na busca, já que ele também estará procurando por pistas nos eventos da história.

A influência de Dupin na literatura

O primeiro detetive da ficção deixou um grandioso legado. Ele serviu de protótipo para diversos investigadores que foram criados a seguir, como o Sherlock Holmes de Arthur Conan Doyle e o Hercule Poirot de Agatha Christie. O próprio Conan Doyle em determinado momento questionou: “Onde estavam as histórias de detetive antes de Poe ter lhes dado o primeiro sopro de vida?”.

Algumas das características mais reproduzidas de Dupin nos detetives são: a excentricidade combinada com brilhantismo, a polícia desajeitada que precisa da ajuda de um expert e a narração em primeira pessoa feita por uma pessoa próxima ou amigo do detetive. Poe também inaugurou com Dupin a técnica narrativa em que o detetive primeiro anuncia a solução para depois explicar a lógica que o levou a tal conclusão

Fiodor Dostoievski também afirmou ter se inspirado em Dupin para escrever o clássico Crime e Castigo, em que um homem é atormentado pela paranoia de ter cometido um assassinato.

O personagem também ajudou a destacar as histórias de detetive da amplitude do gênero de mistério, com ênfase na análise e não no formato de tentativa e erro para solucionar casos. Desta forma, privilegiou-se o pensamento analítico, permitindo que o leitor também possa solucionar o caso, que não está além da compreensão humana. De certa forma, Dupin tornou todos nós um pouco detetives.

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Sobre DarkSide

Eles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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