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Conheça as inspirações e o processo de criação de O Príncipe e a Costureira

Autora Jen Wang se inspirou em reality shows e no Pinterest para desenvolver a história vencedora do Eisner Award.

Dizer que O Príncipe e a Costureira é uma obra sobre um jovem príncipe que gosta de usar vestidos pode até ser verdade, mas é uma visão limitada do trabalho de Jen Wang. A autora aborda temas como amadurecimento, amizade e a sensação de não pertencer a um padrão com sensibilidade e a empatia que muitos jovens leitores buscam.

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A HQ vencedora do Eisner Award 2019 também é uma explosão de criatividade, permeada por sensibilidade e pelos traços delicados da artista. É sobre sentir a pressão para se encaixar em alguns padrões, algumas fórmulas, mas ainda assim querer ser fiel a sua essência. De certa forma, O Príncipe e a Costureira se aplica a vários dilemas que as pessoas irão enfrentar em diferentes momentos da vida, desde a infância, passando pela adolescência, fase adulta e até mesmo na terceira idade.

Fã declarada de programas de TV que envolvam trabalhos manuais e criativos, como Project Runway e Ru Paul’s Drag Race, Jen Wang se inspirou nestes reality shows na construção de sua história, conforme declarou em entrevista à Forbes: “Faz algum tempo que eu queria escrever uma história com uma personagem cujo superpoder é fazer roupas que mudem a pessoa que veste”.

Unindo estas influências com a vontade de criar algo que se parecesse com um musical da Disney, a escritora ainda conseguiu inserir expressão de gênero na receita de uma história em quadrinhos sensível e com uma mensagem forte. Para ela, todos os elementos se encaixaram rapidamente como em um “efeito dominó”.

Referências para a arte de Jen Wang 

Um aspecto que contribui para a leveza da HQ está no traço e no uso das cores adotadas pela artista. Chama a atenção o fato de seus protagonistas Frances e Sebastian serem visualmente muito parecidos, exceto pelo nariz e pelos cabelos. Wang explicou à Paste Magazine que eles são baseados em um boneco padronizado, que ela “consegue fazer de olhos fechados”. “Eu dei a Sebastian um nariz distinto porque seria fácil o personagem se perder em tantas mudanças de roupas. Eu acho que funcionou”.

Em relação às cores, a artista revelou que esta é sempre a última etapa do seu trabalho e que geralmente se sente um pouco encurralada nesta fase. “Eu não passo muito tempo construindo um conceito para a coloração, mas eu amo ver as coisas tomando sua forma final”. Por passar tanto tempo envolvida com o projeto, ela já tem uma boa ideia de como quer colorir os cenários e que tipo de sentimento quer transmitir aos leitores.

Em busca de referências para a composição do livro, como cenários e figurino, a autora passa um bom tempo desbravando pastas no Pinterest. “Foi uma mina de ouro para referências fotográficas usadas no livro. Há muitas referências de construções francesas, roupas, acessórios e prédios. Por sorte, há uma grande comunidade de roupas históricas na internet, de onde eu consegui bastante material”.

Apesar de toda esta pesquisa, Jen Wang confessa que a precisão histórica não é o objetivo dela com a obra: “Eu queria que o livro fosse contemporâneo e fantasioso, mas ter referências e inspiração é muito importante”. A falta de fidelidade à moda histórica casa bem com o caráter desafiador do enredo, conforme defende a autora: “A Frances faz roupas que parecem novas e modernas e eu queria que eles desafiassem as silhuetas e convenções da época”.

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A representatividade e a mensagem de O Príncipe e a Costureira

Quando pensou em escrever O Príncipe e a Costureira, Wang tinha vislumbrado seus protagonistas como personagens mais maduros, porém, decidiu adaptá-los ao público-alvo da história. “Com personagens adolescentes tudo é ampliado. Você está descobrindo quem é, entrando em conflito com seus pais e se apaixonando. Também tem mais esperança, eu acho, porque você trabalha com personagens que têm suas vidas inteiras pela frente e que estão aprendendo como podem impactar o mundo sendo sinceros consigo próprios. É este sentimento de esperança e positividade que eu espero que os jovens leitores levem consigo”.

Apesar de temas como identidade de gênero parecerem exclusivamente atuais, Jen Wang incluiu em sua pesquisa histórica figuras que já desafiavam estas convenções em suas épocas, como o diplomata Chevalier d’Eon, que também era um espião. Vestido como Lea de Beaumont, ele espionou a imperatriz russa e até virou sua dama de honra.

O tema de O Príncipe e a Costureira pode até soar polêmico e controverso para algumas pessoas, mas a autora defende que este não é o propósito da obra. Concebida antes de figuras públicas se assumirem trans, como Caitlyn Jenner, a HQ acabou sendo lançada em uma época em que o debate da questão de gênero tem mostrado ampla evolução, embora ainda existam muitos desafios.

Longe da polêmica, Jen entende que a mensagem de sua obra é muito mais simples e fácil de assimilar por qualquer pessoa. “Eu quis fazer um livro que eu teria amado quando eu era adolescente. Algo esperançoso, divertido e positivo que permita que o leitor explore seus próprios sentimentos sobre quem ele é. Então não precisa ser algo intimidador ou estranho, porque só fala sobre aprender quem você é e amar esta pessoa, e isso é algo universal”.

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