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O UNIVERSO DARK DE FÃ PARA FÃ

Graphic Novel

Quantas vezes você já se sentiu representado em uma história?

Confira o depoimento emocionante de Camila Cerdeira sobre a leitura de O Príncipe e a Costureira.

Por Camila Cerdeira

Quantas vezes você já viu histórias que lhe representassem? Quantas vezes você já leu histórias de pessoas que tinham experiências e vivências como as suas? Eu devo confessar que eu não tive muitas. Assim como boa parte das crianças eu cresci amando contos de fadas e histórias da Disney. Eu lembro de quando era criança, ter quatro ou cinco anos, e me encantar completamente pelo personagem Aladdin, por Agrabah e suas cores, as músicas, todo aquele universo era fascinante. Chegou o carnaval da escola e minha mãe me vestiu de Jasmine e eu fiquei completamente desconfortável sem conseguir entender o motivo… Hoje eu sei. 

Eu queria ser o Aladdin e não a princesa. Os anos passaram e a Disney lançou Mulan e algo acendeu em mim. Eu nunca fui de ganhar VHS de presente, a gente não tinha tanto dinheiro assim, mas eu consegui convencer meus pais a me darem Mulan especificamente. E eu guardei esse presente tão precioso que, mesmo hoje aos 31 anos, a fita ainda está aqui comigo. Eu sei recitar cada fala dessa animação, eu choro sempre que escuto a música “Reflection” (que no Brasil ganhou o nome de “Imagem”) porque essa música toca em uma parte que meu eu criança não compreendia muito bem. Hoje eu sei, a imagem de quem sou se revelou e mostrou que eu sou uma pessoa não-binária.

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Mulan não é uma história não-binária, a protagonista se veste de homem, mas ela não é um homem em si. Mas como eu disse, eu não cresci tendo muitas histórias que me representassem, então eu aceitei aquelas que eu consegui. Então a DarkSide® me chega com o lançamento O Príncipe e a Costureira de Jen Wang, um moderno conto de fadas sensível sobre um protagonista não-binário que encontra aceitação e amor. Foram 31 anos procurando essa história sem saber que era exatamente ela que eu queria.

É curioso como eu acho que Sebastian saberia apreciar e se identificar com (a música) “Reflection” tanto quanto eu. Temos aqui uma jovem pessoa dividida em ser quem realmente é ou atingir as expectativas sociais que lhe foram impostas. Ele vive esse dilema de fazer os pais felizes ou se fazer feliz. E acho que é muito importante pontuar que Sebastian, ao contrário de Mulan, é sim uma pessoa trans não-binária. Ele é os dois gêneros, as duas personas; é Sebastian e também é Lady Crystallia. Além dessa brilhante jornada de autodescoberta temos também uma jornada de amor.

Muito raramente vemos pessoas trans sendo romanticamente amadas por quem são. A primeira vez que vi uma genuína história de amor para com uma pessoa trans foi em Pose, série que retrata a vida de gays e trans nos anos 1980 na cultura do Ballroom — outra produção que acredito que Lady Crystallia iria gostar muito. Pose é uma série fashionista, glamourosa e muito realista sobre como foi ser trans nos Estados Unidos durante a epidemia da AIDS. O amor que se vê na série é um amor adulto, lindo e complexo. 

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Mas O Príncipe e a Costureira é adolescente, é gentil e puro. É como se permitir dar uma espiada em uma história Disney e ter esse gostinho de final feliz. Eu não esperava. Comecei a ler O Príncipe e a Costureira achando que teríamos um protagonista LGBT e era isso, acontece que o interesse amoroso também é uma pessoa LGBT, afinal o interesse amoroso está apaixonado tanto pelo Sebastian como por Lady Crystallia. É um magnífico trabalho. O roteiro e a arte da graphic novel são de encher os olhos. É uma história sensível e tocante que, como eu disse, estive esperando minha vida inteira para encontrar. E fico muito feliz que agora muitas outras pessoas Não-Binárias e Queer irão encontrá-la.

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Camila Cerdeira
Nerd de criação, negra, não-binárie e feminista, trabalha com escrita, fotografia e teatro. Mora em Fortaleza, onde também faz parte dos podcasts Orgulho Contra Ataca e Bisão Voador. Espalhada virtualmente, é quase sempre possível encontrá-la no Twitter @CamilaAngel ou Instagram @camilacerdeira, discursando sobre questões sociais ou sobre nerdiandade, mas provavelmente sobre ambos ao mesmo tempo.

5 Comentários

  • Daniel Rocha

    4 de setembro de 2020 às 18:06

    Parabéns Darkside por celebrarem a boa arte, ainda mais quando ela possibilita a representatividade entre as pessoas, e parabéns Camila Cerdeira pelo belo e sensível texto. Abraços a todxs!

  • Franz Andrade

    7 de setembro de 2020 às 02:55

    Uma resenha muito linda. Sou mulher trans e assim que vi algumas imagens da Novel já me senti super feliz. Queria eu ter essa representatividade nas HQs que lia quando criança. Vou ler essa com certeza! Parabéns!

    • DarkSide

      8 de setembro de 2020 às 10:48

      A representatividade é essencial exatamente por isso, para que todes tenham a oportunidade de ver suas experiências e identidades espelhadas em histórias. Esperamos que seja uma ótima leitura para você.

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