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Conheça seus demônios

Saiba as diferenças entre Mefisto, Fausto, Belzebu, Pazuzu e outros seres demoníacos

Do mundo antigo aos tempos atuais, as palavras têm poder. Antigamente acreditava-se que falar o nome de um demônio em voz alta funcionava como uma espécie de farol, algo que o atraía simultaneamente para quem quer que o havia chamado. Até hoje algumas pessoas ainda empregam alguns apelidos, com medo de verbalizar um possível vocativo ao capiroto.

LEIA TAMBÉM: LANÇAMENTO: MEFISTO, POR KLAUS MANN

Mas para alguns personagens, receber uma visita demoníaca se transforma em uma oportunidade de alcançar seus mais profundos desejos. É isso o que faz Fausto, protagonista da peça clássica de mesmo nome escrita por Johann Wolfgang von Goethe. Ele troca sua alma pelos prazeres mundanos, além de conhecimento ilimitado.

A história serve de paralelo para Mefisto, o romance de Klaus Mann que finalmente chega às estantes da Caveira. Aqui o pacto diabólico se dá entre um artista e o Partido Nazista em troca de fama e poder, abdicando de seus ideais revolucionários. 

Mas afinal, quem é Mefisto? Como ele se relaciona com Fausto? E o que o diferencia de outras entidades demoníacas? Para responder a essas perguntas e elucidar outras comparações diabólicas que podem surgir, a Caveira recorreu ao Dicionário dos Demônios, de M. Belanger, para pôr um pouco de ordem no Inferno.

Dicionário de Demônios

Quem é Mefisto?

O personagem que dá nome ao romance de Klaus Mann vem da lenda germânica do dr. Fausto, que originou a famosa peça de mesmo nome. Em Mefisto, o ator Hendrik Höfgen alcança fama nacional após conseguir o apoio do Partido Nazista, em ascensão na década de 1930, antes da Segunda Guerra Mundial. O ápice de sua carreira se dá justamente quando ele interpreta Mefistófeles, da peça escrita por Goethe. A trajetória do personagem traça um paralelo a Fausto.

O demônio também é conhecido como Mefistófeles, que, segundo o Dicionário dos Demônios, é identificado como um dos Sete Grandes Príncipes dos Espíritos. Segundo o Sexto e Sétimo Livros de Moisés, ele aparece na forma de um jovem ao ser evocado, manifestando-se prontamente, pronto para servir. O demônio oferece ao mago auxílio em toda e qualquer arte, além de fornecer espíritos familiares, e é particularmente habilidoso em buscar tesouros, de acordo com os caprichos de quem o conjurou.

Mefisto

Como Mefisto se relaciona com Fausto

Na peça de Goethe, Fausto é um acadêmico entediado e deprimido com a sua vida. Após uma tentativa de suicídio, ele conjura o Diabo para ampliar seus conhecimentos e obter poderes mágicos que o permitam aproveitar todos os prazeres e sabedoria existentes na Terra. O Diabo mandou um representante, Mefistófeles, que faz uma barganha com Fausto: ele concederá tais poderes por um determinado número de anos, mas ao fim do acordo, seu chefe terá direito à alma de Fausto, que será escravizado para toda a eternidade.

Mefistófeles é uma criatura que faz parte do folclore germânico. Ele aparece originalmente na literatura como o demônio na lenda de Fausto, baseada na história de Johann Georg Faust, um alquimista, astrólogo e mago da Renascença Alemã. A lenda virou a peça de Goethe e até hoje inspira histórias com pactos macabros especificados como barganhas faustianas, como é o caso de O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde.

o retrato de dorian gray

De onde vem Belzebu?

Popularizado na canção “Bohemian Rhapsody” do Queen, Belzebu aparece no grimório veneziano do século XVII chamado Segredos de Salomão. Ele é um dos três principais governantes do Inferno, ao lado de Lúcifer e Elestor, detendo o título de príncipe — um grau abaixo do imperador Lúcifer. 

De acordo com o grimório, cada demônio ficaria responsável por um continente e Belzebu era encarregado da África nesse contexto. Identificado como uma criatura terrena, ele é poderoso o suficiente para se materializar.

LEIA TAMBÉM: A DEMONOLOGIA E OS EXORCISMOS DO MUNDO MODERNO

Onde Lúcifer entra na história?

Detentor de um dos termos mais conhecidos para se referir ao Diabo, Lúcifer certamente faz jus à sua fama. Com um nome que significa desde “estrela da manhã” até “portador de luz”, a narrativa mítica o posiciona como um anjo que uma vez teve o maior destaque nos Céus, ficando em segundo lugar apenas para Deus. Seu pecado, porém, era o orgulho, o que acabou levando-o a se rebelar contra o seu criador.

Ele reuniu um grupo de rebeldes e travou uma guerra contra as tropas do Senhor, da qual saiu derrotado e expulso do Paraíso. Segundo a narrativa do Apocalipse, um terço dos anjos caiu com ele. Lúcifer foi condenado ao Abismo, de onde estaria buscando vingança, descontando sua raiva no mundo mortal, torturando e atormentando a humanidade

Lúcifer
Netflix

Quem é Baphomet na fila da capirotagem?

Frequentemente representado com uma cabeça de bode, hermafrodita e às vezes com asas, Baphomet estreou nos anais da demonologia em documentos ligados aos julgamentos dos Templários. Os registros da época sugerem que “Bafomet” seria uma corruptela de “Maomé”, comumente grafado como “Mahomet” naqueles tempos. Se isso for verdade, poderia indicar que os Templários eram acusados de terem se convertido à fé dos muçulmanos, que deveriam ser seus inimigos. Não há qualquer registro da Ordem mencionando esse ser.

Baphomet reapareceu no século XIX como um ídolo demoníaco associado ao oculto. Em 1854 o ocultista Eliphas Lévi incluiu uma imagem de Baphomet no seu livro Dogma e Ritual da Alta Magia, descrevendo-o como o “Bode de Sabá”, aproximando o demônio das representações já conhecidas do Diabo.

Satanás: O dono do rolê?

Também conhecido como Satã, seu nome é derivado de uma palavra hebraica que significa “o Adversário”. No Antigo Testamento, a maioria das menções não se refere necessariamente a um nome próprio, mas sim a uma função. Porém, com o tempo, Satanás acabou se tornando o Adversário em si, o Senhor dos Demônios que comanda os exércitos do Inferno. 

Na demonologia europeia posterior, Satã se tornou o chefe dos diabos, cujo único propósito é torturar e tentar os seres humanos. Dessa forma, ele acaba sendo equivalente ora a Lúcifer, ora a Belzebu ou Belial — todos situados no topo da hierarquia infernal. 

Vai um exorcismo de Pazuzu por aí?

Quem já assistiu a O Exorcista uma quantidade maculada de vezes, lembra-se muito bem que o demônio que o padre tenta expulsar do corpo da jovem Regan se chamava Pazuzu. William Peter Blatty, autor do livro, criou o personagem baseado na mitologia assíria e babilônica, em que a entidade era considerada o rei dos demônios do vento

Porém, nas religiões da antiga Mesopotâmia, Pazuzu tinha uma função dupla, nem sempre tão maligna. Ao mesmo tempo que ele tinha uma natureza destrutiva e perigosa manifestada nos ventos, também servia como um repelente para outros demônios, podendo ser considerado um protetor dos lares. Bom, acho que Regan não concordaria muito com essa conotação.

O Exorcista
© 1973 – Warner Bros. Entertainment

De uma vez por todas: Exu não é demônio!

Assim como ocorreu com diversas religiões e crenças que não seguissem a cartilha cristã, as do continente africano também não foram poupadas. Na época da colonização europeia do século XVI, Exu foi configurado erroneamente como o diabo cristão pelos europeus. Por ser provocador, astucioso e sensual, acabou sendo comparado a Satanás, o que é um equívoco, até porque na teologia iorubá ele não faz qualquer tipo de oposição a Deus nem é considerado uma manifestação do mal.

É importante frisar que nessa religião não existem diabos ou entidades associadas ao mal, como ocorre no cristianismo. Na mitologia iorubá, assim como no candomblé, cada orixá tem sua posição positiva e negativa, tal qual o próprio ser humano.

Nesse contexto, Exu é o orixá da comunicação e da linguagem, atuando como mensageiro entre os seres humanos e as divindades. Ele é cultuado na África pelo povo iorubá e em países como Brasil, Cuba e Haiti. Não deve ser confundido com os exus da umbanda, que possuem cosmologia diferente.

Conhecimento é poder e uma das melhores maneiras de enfrentar medos, quebrar dogmas e combater preconceitos. Para os curiosos por demonologia, o Dicionário dos Demônios é um guia mais do que completo para identificar, diferenciar e enfrentar esses seres infernais.

LEIA TAMBÉM: O RETRATO DE DORIAN GRAY E OUTROS EXEMPLOS DE BARGANHA FAUSTIANA

Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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