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David Small: “O leitor é o sonhador do livro”

Conheça o processo criativo por trás da HQ Escuridão

Quem lê as mais de 400 páginas de Escuridão nem imagina que a graphic novel levou mais de quatro anos para ser feita e exigiu muito retrabalho por parte de David Small. Misturando ficção e memórias da adolescência do autor, a obra consegue ambientar nos anos 1950 dilemas sociais tão presentes nos tempos de hoje.

Em entrevista a Alex Dueben do portal The Comics Journal, Small compartilhou um pouco de suas inspirações e relatou o tortuoso processo para que a HQ fosse finalizada. Conhecido por seu perfeccionismo, ele chegou em um ponto que refez o trabalho praticamente do zero, mas mantendo a ideia central do que era crescer nos anos 1950 e garantindo que a história fosse permeada pela sua verdade.

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Créditos: Mark Bugnaski

Inspirações cinematográficas e raciocínio visual

Apesar de nunca ter sido leitor de quadrinhos, David Small encontrou no formato a liberdade que buscava para deixar sua história respirar e também para expandi-la. O autor disse que passou a se interessar pelas HQs em uma viagem a Paris, quando teve contato com o trabalho de artistas como Blutch, de Grecy e Gipi. “Estes artistas eram obviamente influenciados pelos mesmos artistas que eu e pelos filmes que eu havia estudado como manifestações artísticas desde os anos 1960, quando os grandes filmes começaram a sair da Europa por meio de diretores como Bergman, Fellini, Antonioni e Polanski.”

As possibilidades de uma graphic novel também casaram com a forma de pensar de Small, que é mais visual. “Eu tentei escrever em prosa, mas as palavras sempre acabavam me escapando. Eu sou um pensador visual. Se eu consigo visualizar algo, isso se torna mais tangível e menos imaginário.”

Apesar dos diversos silêncios e respiros de sua narrativa e da imponência de seus traços, o quadrinista reforça que o centro de tudo ainda é a história. Apesar de nunca ter frequentado aulas de escrita, ele sempre leu livros e assistiu a peças, o que fez com que as leis básicas da escrita criativa fossem naturalmente internalizadas por ele.

Small explica que antes de começar a desenhar ele sempre escreve tudo de maneira bem meticulosa. O artista faz questão que suas histórias tenham bons começos, meios e fins, e que, por mais que tenham elementos visuais mais abstratos, eles tenham uma função na história e possam ser compreendidos pelo público. “Até mesmo sonhos têm uma lógica básica, pelo menos para o sonhador. O leitor é o sonhador do livro, ou pelo menos é colocado nesta posição”, exemplifica.

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Memórias da adolescência que se misturam e ganham vida

Inicialmente, a ideia por trás de Escuridão não partiu de vivências do autor, mas sim de um amigo dele chamado Mike. Em uma conversa dos dois sobre histórias da juventude, Mike, que tem a mesma idade que Small, contou ao autor sobre um verão em especial em que ele os amigos haviam construído um forte na floresta – o tipo de experiência que o quadrinista gostaria de ter tido na infância, mas não pôde por causa de problemas de saúde.

O artista se interessou ainda mais pela história quando um antagonista possivelmente psicopata surgiu na narrativa de Mike. Na cidade do amigo, alguma criança estava matando animais de maneiras macabras e um garoto se tornou o principal suspeito. Certo dia, um dos amigos de Mike deu uma surra neste garoto, o que ele se questiona até hoje se eles teriam pego o menino certo.

As incertezas deste evento foram o que mais chamou a atenção de David Small: será que a surra teria lhe ensinado alguma lição? Será que o encontrariam de novo? Será que ele estamparia as manchetes policiais algum dia? Com a aprovação do amigo, o autor começou sua história.

Se não está perfeito, é melhor refazer

Tudo estava correndo bem no trabalho de Small, até que ele teve a sensação de que havia algo errado ali. “Eu sentia que a obra soava um tanto fraudulenta e não sabia dizer por quê. Até que meu agente me disse que aquela não era a minha voz. Eu estava tentando imitar a voz e a visão de mundo do Mike, mas faltava autenticidade.”

Reforçado pela avaliação de um amigo, que lhe falou da importância da voz do autor em uma obra, mesmo que de ficção, ele se dedicou a refazer praticamente tudo. “Quanto mais eu me inseria na história, mais verdadeira e crível ela se tornava.” O personagem Russell, que era inspirado em Mike, ganhou atributos da personalidade de Small. “Meu novo Russell – assim como eu aos 13 anos – não teve nenhum exemplo do que era ser homem. Ele é desesperadamente inseguro e faria qualquer coisa para se encaixar.”

O processo criativo completo de escrita e desenho de Escuridão levou quatro anos. “Provavelmente o que me manteve persistindo por quatro anos foi a dor de ter que abandonar outra história”, brinca o autor. Mesmo com todo o roteiro, diálogo e narrativa bem encaminhados, ele decidiu refazer toda a parte artística: “Levei o livro inteiro para o México e redesenhei lá, todas as 400 páginas, em um papel aquarela italiano, para que minhas pinceladas se parecessem com seda.”

Apesar de toda a frustração de ter que refazer um trabalho tão extenso e pessoal, David Small não se arrepende do tempo e esforço extra. “O negócio é o seguinte: eu não vou soltar nada no mundo que pareça automatizado só para ganhar uns trocados. Eu estou num ponto da minha carreira em que eu não estou desesperado para ter outro livro publicado. Eu quero mesmo é continuar trabalhando até cair de cara no meu tinteiro, mas por que se conformar com algo apressado ou medíocre?

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Sobre DarkSide

Eles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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