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Deadly Blessing: Wes Craven, pesadelos e Sharon Stone

Uma pérola esquecida do criador de Freddy Krueger

12/04/2024

Alguns mestres supremos do terror se tornaram tão fortemente associados a algumas de suas criações que se tornou praticamente impossível separá-los. O nome de um desses progenitores é Wes Craven e o personagem icônico em questão é Freddy Krueger, talvez vocês tenham ouvido falar. Pois senhor Krueger nasceu de um medo real do ainda menino Wes Craven, quando um estranho usando um chapéu e um moletom surrado ficou encarando-o à noite, pela janela de seu quarto. Craven associou a essa imagem alguns imigrantes cambojanos que estavam morrendo durante o sono e ali estava ele: Freddy Krueger. Outro filme que marcaria a carreira de Craven é o violentíssimo The Hills Have Eyes, que conta com o avassalador Michael Berryman no elenco.

deadly blessing

Na coluna de hoje não falaremos (diretamente) de Freddy, mas falaremos de pesadelos, de Berryman e de Sharon Stone em seus primórdios no cinema, através de um filme pouco conhecido do mestre Wes Craven, que nessa fase já incubava o que se tornaria Nightmare On Elm Street, três anos mais tarde. Com um orçamento discreto, Deadly Blessing chegaria ao mundo em 1981, gerado pela placenta cinematográfica do senhor dos pesadelos, Wes Craven. Por aqui o filme recebeu o re-batismo de Bênção Mortal, o que soa bastante razoável.

deadly blessing

Deadly Blessing começa soturnamente, com imagens estáticas e antigas, fotografias que retratam e expõem o que parece ser o dia a dia de uma comunidade fechada, que integra algum tipo de culto. Existe um tom lúdico nesse início, que contrasta com uma aura de insegurança e mistério. 

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Em poucos segundos sentimos a tensão religiosa presente entre os colonos, em um ataque furioso de Willian Gluntz (Berryman) contra uma jovem que pintava um quadro. Gluntz a condena ao inferno, chama-a de íncubos (um demônio sexual), tenta agredi-la e é impedido por outro morador da comunidade, Jim Schmidt, que dirige um trator nos campos e parece ser um dos pilares racionais do elenco.

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Nesse pequeno início também conhecemos o líder do grupo, o extremista religioso Isaiah Schmidt (interpretado pelo excelente Ernest Borgnine), e seu filho mais jovem, John Schmidt, irmão de Jim. Os cultistas comandados por Isaiah são conhecidos como hititas (o culto tem algum tempero de Amish em suas características). Jim não pertence mais à comunidade, mas mora por perto, na propriedade Our Blessing, com sua esposa Martha.

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E a tranquilidade termina quando Jim é brutalmente assassinado em sua fazenda. 

Martha está sozinha e grávida. Depois de dar um enterro digno ao marido, ela convoca suas amigas Lana Markus (Sharon Stone) e Vicky Anderson (Susan Bukner) para passar algum tempo com ela, a fim de ajudá-la a superar o luto.

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De início, desconfiamos que o responsável pela morte de Jim tenha sido Gluntz, mas ele se mostra apenas um homem preso na infância, possivelmente por culpa de algum distúrbio mental. Gluntz não tem maldade maior que a de uma criança, mesmo sendo um homem adulto. Logo Gluntz também é atacado, e não retorna para a comunidade.

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Enquanto isso, as amigas de Martha passam a se integrar com a comunidade, em uma mistura de comportamentos que pode ser o combustível para um novo surto de violência dentro do povoado liderado por Isaiah.

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A habilidade de Craven aparece em muitos momentos desse filme, na escalada de tensão, na clara fixação por “mãos” em situações de agressão, na mistura entre realidade e pesadelos, nas cenas no banheiro (e banheira) esfumaçado; é notável que a direção está trilhando o caminho que levará a algo muito maior e mais poderoso em breve. Existe uma cena muito particular onde também podemos notar certa influência de outro gênio, o nosso padrinho José Mojica Marins (o eterno Zé do Caixão), mas vocês me dizem depois de assistir ao filme — tem relação com aranhas, teias e belas mulheres. Na sequência dessa cena, o cadáver de Gluntz é descoberto.

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As coisas já não são as mesmas em Our Blessing e Martha decide se armar a fim de se proteger do pior. Do lado hitita, nada caminha em melhor estado, e a culpa recai sobre o herdeiro de Isaiah, John, que anda se engraçando com Vicky, uma das amigas de Martha. John se revolta e acaba se confrontando com o pai. A outra amiga de Martha, Lana (Sharon Stone), está traumatizada desde que encontrou o corpo de Gluntz, e vive em um estado de choque que transita entre o pavor do desconhecido e a realidade.

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A essas alturas do filme não sabemos quem está cometendo os assassinatos, não sabemos se é humano ou um demônio, mas suspeitos não faltam, quase todos eles concentrados na comunidade religiosa. Os homens hitita são severos, rígidos, as mulheres oscilam entre a devoção desmedida e um certo flerte com a loucura, mesmo as que não estão diretamente ligadas ao agrupamento. 

E agora chegamos ao ponto onde não podemos dizer mais nada, sob o risco da danação eterna dos spoilers — afinal de contas, esse é um filme que transita entre o terror e o suspense. Mas podemos dizer que Deadly Blessing vale a audiência por vários motivos, seja por visitar Sharon Stone e Michael Berryman, seja por acompanhar um filme bem autêntico e interessante (e com dois plot twists totalmente inimagináveis no final!), vale principalmente por mapear um espaço que Wes Craven ocuparia irreversivelmente nos próximos anos: o de mestre dos pesadelos que podem ou não ser completamente reais.

Com tudo isso na mesa, esperamos que a diversão por aí seja tão grande quanto a nossa. Por fim, sintam-se mortalmente abençoados a frequentarem essa experiência.

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Bora apertar o play?

Tem trailer sim!

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Sobre Cesar Bravo

amplificador cesar bravoCesar Bravo é escritor, criador de conteúdo e editor. Pela DarkSide® Books, publicou Ultra Carnem, VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue, DVD: Devoção Verdadeira a D., 1618 e Amplificador.

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