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White of the Eye: Segredos grandes demais para serem revelados

Medo e incompreensão com doses do Giallo italiano

29/03/2024

Verdade seja dita: o gênero horror possui muitas farpas. Mais do que isso, o gênero que tanto amamos é composto por pontas, incêndios, serras afiadas, cortes e alguns, muitos, infinitos gatilhos. Se você não gosta desses atributos, meu conselho é precaução, principalmente na coluna de hoje: a Firestar & DarkBlog não estão para brincadeira.

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White of The Eye, batizado por aqui de O Maníaco do Olho Branco chegou ao mundo em 1987, pela direção de Donald Cammell, e adaptado por ele e sua esposa, China Kong, a partir do romance Mrs. White, de Margaret Tracy (que aliás é um pseudônimo dos irmãos Laurence Klavam e Andrew Klavan). Distribuídos os devidos créditos, vamos ao que interessa — e estejam prontos e confortáveis para serem sacudidos em seus assentos.

white of the eye

Começamos o filme de uma forma silenciosa, em uma estrada se esticando na paisagem desértica. A introdução é estranha, começa e oscilar entre paisagens, cenas de natureza selvagem, cidades, e cores extravagantes se misturam, uma apresentação curiosa, desconcertante e atraente na mesma proporção. Existe um tom predatório, cru, percebemos logo de cara.

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Em segundos estamos na companhia de uma mulher rica. Ela termina suas compras, chega em casa com seu carro, e existe alguém a observando, a emboscando. A primeira cena de ataque é brutal, carregada de imagens poderosas e cores vermelhas, e é notável a influência do bom e velho Giallo italiano nessa produção, algo que acontecerá mais vezes ao longo desse excelente filme.

white of the eye

Do assassinato, migramos para uma conversa entre mãe e filha sobre sociedade e falta de sociabilidade, e continuamos nossa peregrinação pelas paisagens do estado do Arizona, que seguem nos transmitindo a ideia de dureza e isolamento.

white of the eye

Não demora e conhecemos o casal protagonista do filme, Paul White (interpretado por David Keith) e Joan White (Cathy Moriaty), e descobrimos que Paul tem uma habilidade especial quando à captação e compreensão da propagação de sons — não por acaso, Paul ganha a vida instalando equipamentos de som de alta-fidelidade na casa dos ricaços locais. Joan e Paul têm uma filha, a pequena Danielle, a menina que aprendia sobre sociabilidade no comecinho do filme.

white of the eye

Seguimos com os White, e o filme nos coloca a par do passado do casal, em uma época onde Joan ainda estava namorando com um outro homem, Mike DeSantos. Aparentemente, DeSantos gostava mais da estrada e de todo o resto do que de Joan. Ela, por sua vez, era uma garota rebelde e bastante abusiva com DeSantos (que por sua vez era um homem naturalmente esquisitão, confuso e meio mala-sem-alça).

white of the eye

De volta ao presente, Paul começa a ter problemas. Em sua profissão, ele atendeu alguns clientes que foram assassinados, e esteve próximo a outras pessoas da vizinhança que foram também assassinadas. A polícia está desconfiada que Paul possa estar envolvido e, para piorar tudo, os detetives têm algumas evidências contra ele (a mais forte é a marca de um pneu específico, pouco comum, que Paul tem em seu carro). E some a isso o fato de Paul White ter sido um grande caçador em seu passado pré-casamento.

white of the eye

Mantendo o tom de Giallo, com pouco mais de meia hora de filme já temos três suspeitos para os assassinatos de mulheres na região, mas não vamos dizer quem são eles, porque sua lista pode ficar bem maior. Sobre esse mesmo tom Giallo, ele não é exatamente uma premissa, mas um tempero, um ingrediente que o filme usa muito bem, diluindo-o em uma produção que possui muitas camadas e intenções. Uma delas é especular a vida íntima das pessoas que aparecem na tela, expondo peculiaridades estranhas, inesperadas, e que muitas vezes acabamos reconhecendo nos bastidores da vida real.

white of the eye

Com novos assassinatos, Paul é pressionado pela polícia, que agora o coloca encabeçando a lista de suspeitos, ainda sob a evidência da marca de pneus de seu carro. Paralelamente, os oficiais também falam com sua esposa, Joan White, para encontrar alguma inconsistência nas declarações de Paul. Tornando tudo mais delicado, o casamento dos dois enfrenta turbulências, e o motivo principal é a infidelidade de Paul, que anda fazendo hora extra na casa de algumas clientes. Furiosa, Joan decide colocar tudo pra fora, mas seu desabafo fornece um álibi consistente para Paul com a polícia. Para essa gentileza, Joan expõe o nome da amante e do seu marido (uma grande cena desse filme, no mínimo poeticamente justa).

white of the eye

Depois disso, a ladeira da loucura descarrila e White Of The Eye entrega dilemas subversivos, controversos, e que dificilmente poderiam ser resolvidos em um relacionamento conjugal mais longo sem um bocado de… desespero. As transformações dos atores nos atos finais são impressionantes, e se você procura um filme pra te colocar no olho de um furacão, White Of The Eye é uma grande pedida. 

white of the eye

Os momentos finais são uma verdadeira ode à psicopatia em seu estado mais puro, e mesmo que essas cenas mexam com você, o deleite estará garantido. Assim como o medo, a incompreensão — e a certeza de que certas coisas são inimagináveis —, você perceberá nesse filme que elas podem acontecer com muito mais frequência do que chegaríamos a supor.

white of the eye

Essa é uma história que precisa ser experimentada sem spoilers, então espero ter convencido todo mundo a apertar o play. É um grande filme, bem trabalhado, com grandes atores, excelentes interpretações e uma ótima trama (além muitas de escolhas visuais memoráveis). Em White Of The Eye, o que começa como um Giallo envereda por subgêneros mais profundos, e termina em uma plena e gratificante explosão da loucura

Agora sim: chegou a hora de apertar esse play.

O trailer vocês conferem aqui:

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Sobre Cesar Bravo

amplificador cesar bravoCesar Bravo é escritor, criador de conteúdo e editor. Pela DarkSide® Books, publicou Ultra Carnem, VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue, DVD: Devoção Verdadeira a D., 1618 e Amplificador.

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