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Com direção de Sam Raimi, Doutor Estranho é um aceno da Marvel ao terror

Longa traz heróis, sustos e feitiçaria

Sam Raimi, cineasta que já tem longa história nas produções de terror, passeia por gêneros cinematográficos e entrega um super herói sombrio com o destino não apenas do universo, mas dos multiversos em suas mãos. Doutor Estranho no Multiverso da Loucura é, além de tudo, um aceno da Marvel ao universo do terror.

Samuel Marshall Raimi, mais conhecido como Sam Raimi, é um veterano diretor, escritor, produtor e ator que começou sua carreira no cinema ainda na década de 1970. Seu currículo inclui filmes como a franquia Evil Dead — um clássico para os DarkSiders —, O Grito e Arrasta-me para o Inferno. Mas o diretor também se aventurou pelo faroeste, suspense noir e drama, sempre adicionando seu toque pessoal à produção, seja pelas técnicas inovadoras de câmera e maquiagem, seja pela direção em que seus personagens caminham.

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Raimi assumiu a direção de Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, o segundo filme protagonizado pelo super herói, após a saída do diretor Scott Derrickson — responsável pelo primeiro filme — alegando “diferenças criativas”. Com um roteiro precisando ser reescrito e um prazo apertado, Raimi precisou lidar com todas as referências já existentes no MCU (o universo compartilhado da Marvel) para que seu filme contasse uma história que se encaixasse nas outras. A tarefa não foi fácil, afinal, o desafio envolvia dar sequência a uma história que se liga a 27 outros filmes e 15 séries.

Créditos: Divulgação

Dando sequência direta aos acontecimentos da série WandaVision, o filme gira em torno da Feiticeira Escarlate disposta a atravessar todos os multiversos possíveis até encontrar um em que seus filhos sejam reais e ela possa viver com eles em paz. O problema é que mexer com o multiverso não é uma tarefa tão fácil e para isso ela precisa do poder de America Chavez, uma garota que torna-se protegida do Dr. Estranho. Disposta a tudo, até a matar para conseguir o poder sobre o multiverso, a Feiticeira Escarlate se arrisca em feitiços, rituais e magia proibida doa a quem doer. Cabe ao Strange resolver a situação antes que seja tarde demais para a humanidade.

Na mesma emtrevista, o cineasta contou um pouco sobre o processo de produção do filme: “A Marvel me permitiu total liberdade criativa. No entanto, tive que seguir muitas coisas no folclore da Marvel, [então] mesmo que eu tivesse total liberdade, os filmes anteriores e para onde a Marvel quer ir no futuro realmente direcionaram o caminho de uma maneira incrivelmente específica. Dentro desses parâmetros, tenho liberdade, mas tenho que contar a história desses personagens de uma maneira que se vincule a todas as propriedades simultaneamente.”

Créditos: Divulgação

Dentre as histórias que deveriam ser seguidas pelo cineasta, estão os eventos de uma trilogia de super herói que ele também dirigiu: Homem Aranha (2002), Homem Aranha 2 (2004), Homem Aranha 3 (2007). 

Os elementos do terror

O filme vem sendo apontado como o primeiro filme “de terror” da Marvel, e não apenas pela história sombria que envolve o Doutor Estranho e a Feiticeira Escarlate, mas também por usar elementos clássicos do gênero que fazem jus à carreira de Raimi, como sustos, sangue, mortes consideradas pesadas e cenas que fazem referência a clássicos do terror, bem diferente de tudo o que os fãs já haviam acompanhado até então. 

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Créditos: Divulgação

Em entrevista à Rolling Stone, Raimi conta sobre o seu interesse pelo filme e dá pistas sobre o processo de criação: “Amo me aventurar no terror. Sempre foi um aspecto divertido para mim na criação de filmes. Além disso, eu me interesso pelo Doutor Estranho como personagem porque ele é um mágico. Quando criança, eu era mágico em festas infantis e casamentos e coisas desse tipo. Gostava muito da ideia de criar uma ilusão. Então, um super-herói que é um ilusionista e um mágico é particularmente interessante.”

Raimi brinca com seu próprio universo ao inserir outros trabalhos seus no longa, como zumbis e referências à clássica cena da mão saindo da cova. Também existem algumas cenas divertidas que são easter-eggs de Evil Dead. O longa também conta com rituais de feitiçaria, cenas de possessão e luzes piscando, trazendo aquela atmosfera clássica dos filmes de terror antigos que segue assustando até os dias de hoje. 

Outra referência que o diretor traz no filme é ao primeiro grande sucesso de Stephen King, Carrie. Em uma cena que a Feiticeira Escarlate exibe seus poderes e se torna a verdadeira vilã, ela afirma que é “apenas uma mãe, não um monstro e não faria mal a ninguém”, frase que remete a “Ela não era um monstro, era só uma garota”.

Sam Raimi por Ivan Gavar | Créditos: Getty Images

Doutor Estranho no Multiverso da Loucura assusta por brincar com a realidade e transformá-la em um caleidoscópio de possibilidades onde o medo do desconhecido se torna enlouquecedor. Outros elementos que Raimi traz são alguns jump scares, uma trilha sonora marcante (criada por outro veterano, Danny Elfman) e cenas sangrentas com um toque gore. 

Em outra entrevista à Rolling Stone, o cineasta conta sobre a forma que lida com a direção de seus filmes: “Acho que aprendemos nossa lição de cinema mais importante, que é que o público sempre pode criar algo em sua mente de forma mais eficaz do que podemos mostrar. Nós apenas temos que fornecer as ferramentas certas para eles construírem esse monstro.”

O heroísmo na obra de Sam Raimi

Desde o começo de sua carreira, Raimi apresenta personagens dotados de características heróicas, mas isso ficou mais claro com o lançamento de Darkman: Vingança sem Rosto (1990) onde temos um herói justiceiro que precisa lidar com seus traumas passados.

Darkman | Créditos: Divulgação

No filme, um brilhante cientista descobre uma forma de produzir pele humana de forma artificial. Ao ser atacado por criminosos, ele fica desfigurado e recebe um tratamento experimental que o salva. Agora, ele busca vingança contra seus agressores.

Em Rápida e Mortal (1995), Raimi nos apresenta à Ellen (Sharon Stone), uma mulher movida por um desejo de vingança que se divide em dois :a morte de seu pai e a destruição de sua cidade, que se tornou tão desolada quanto o deserto que ela mesma atravessa.

Sharon Stone em cena de Rápida e Mortal | Créditos: Divulgação

Apesar de ser um filme de faroeste e não envolver nenhum super herói, temos aí os elementos que movem a maior parte dos heróis e anti-heróis modernos: a morte de alguém importante para o personagem e a destruição de um bem coletivo, nesse caso, a própria cidade que enfrenta um aumento abusivo de impostos por parte de John Herod — um fora-da-lei implacável.

Trabalhando com personagens cuja bússola moral muda de acordo com suas necessidades, chega a causar um estranhamento inicial ver Raimi trabalhando diretamente com super heróis, mas esse estranhamento logo dá lugar a um sentimento de agradável surpresa pela maestria com que o cineasta lida com cada um deles.

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Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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