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E se a bruxaria acontecesse na favela?

Conheça a Bruxaria Urbana e Favelada

Olá! Aqui quem fala é a Bruxa Preta! Mas, vamos de apresentação para você que ainda não me conhece. Meu nome é Pam Ribeiro, tenho 28 anos, sou Taróloga, Astróloga, Terapeuta Reikiana, Bruxa Urbana e Favelada. Atualmente trabalho com o objetivo de facilitação da consciência espiritual, me utilizando das ferramentas mágickas e faveladas que possuo.

É importante que você saiba que o meu trabalho consiste na integração da espiritualidade num ponto de vista marginal, e principalmente, decolonial, ou seja, aqui pautamos as nossas percepções por meio de uma ruptura com o pensamento canônico.

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Dito isso, nada mais justo que o primeiro artigo neste site que amo, seja sobre quais são as prerrogativas nesse rolê que chamo muito carinhosamente de Bruxaria Urbana e Favelada.

Pensando no meu histórico, acredito que a favela é como um grande portal de feitiçaria subversiva, onde longe dos centros urbanos também fazemos acontecer a nossa Mágicka. Logo, é muito sobre mostrar que existimos e praticamos os nossos ritos de passagem dentro da vivência que possuímos, respeitando nosso contexto social.

O que eu quero dizer? Bem, nem todos vamos traçar nossa construção ritualística dentro dos estereótipos do que se propõe ser uma “bruxa de verdade”, na realidade, estamos atrelando o nosso cotidiano aos processos do fazer místico, dentro do movimento que fazemos parte, ou seja, dificilmente estaremos no meio da floresta, (seria ótimo se acontecesse), mas, não se não temos as condições, que a criemos o lugar que perpetua nosso trajeto, assim sendo, a favela.

Em, “Grimório das Bruxas” o autor traz o seguinte diálogo:

“Os europeus do início da era moderna acreditavam que as bruxas atacavam vizinhos ou parentes ou, excepcionalmente, símbolos da elite dentro da própria unidade política, como um aristocrata ou um rei”.

Neste trecho, podemos entender que as premissas sobre a bruxaria por aqueles que a consideravam ainda uma heresia, era e ainda é um desafio, por isso conseguimos identificar o quanto ser bruxa é estar à margem, ressignificando o próprio termo a partir do momento em que nos apropriamos dele.

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Grimório das Bruxas – Moon Edition

Assim, não faria sentido desassociar outras formas de concepção dentro do meio esotérico, pois por si só, estamos falando de uma disrupção com dogmas impostos pelos sistema que estamos inseridos.

Portanto, para um primeiro post de apresentação, diria que a bruxaria é o que é porque rompemos com os condicionamentos impostos e auto-impostos sobre nossos corpos, e principalmente, existência. Abrir espaço para que novas narrativas mágickas se constituam é abrir espaço para a emancipação de nós mesmos.

E como eu posso fazer isso?

Entenda as suas raízes e o contexto social ao qual faz parte

Quando comecei os meus estudos eu não tinha condições, mas sempre fui curiosa e deixei que a curiosidade fosse uma parte atrelada ao meu caminho para que pudesse me mover para além dos estigmas. Busquei conhecimento sobre bruxaria em diversos fóruns, mas para além deles, me adentrei em estudos sobre qual era o meu lugar na sociedade. É quase como um exercício mútuo, que inicialmente pode não fazer sentido.

Foi preciso também me aproximar das raízes que não me eram ditas, eu as descobri com o tempo estudando com as ferramentas que tinha nas mãos, livros, principalmente. É importante entender que a Bruxaria é sobre tradição, não conservadorismo. Logo, quando acessamos aqueles que vieram antes de nós, não é com o intuito de fazer igual, mas, seguir honrando seus passos em direção a um movimento que nos liberte de correntes doutrinárias e autoritárias. 

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Crie o seu espaço a partir da própria vivência

Aqui a gente já começa a falar sobre você construir a sua narrativa mágicka. Embora existam inúmeras referências, elas são importantes para que a gente consiga delinear minimamente nosso caminho, é bacana perceber que este é o seu caminho. E o processo de autoconhecimento e compreensão do universo holístico que melhor lhe abraça virá diretamente ligada a sua própria ideia sobre ser bruxo.

Respeito às subjetividades mágickas

Entendendo o seu processo, fica muito mais fácil entender o do outro para que assim possamos dar vida a uma comunidade “bruxistica” que faça sentido, onde ninguém fere a existência de ninguém.

Preconceito não combina com a história da bruxa, é importante dentro dessa formulação toda perceber que existem inúmeros tipos, e quando abrimos espaço para que a favela seja mais deles, não é para dentro dessa estrutura que agíssemos exatamente como agem conosco.

Muito pelo contrário, a história pode ser diferente.

Para que possamos nos permitir a libertação das normas de maneira transgressora.

É isso!

Nessa parceria com o DarkBlog começamos a falar sobre a construção da bruxa e, principalmente, quem é ela quando em contexto de marginalização. No livro “Grimório Das Bruxas”, você encontra toda a história da Bruxaria, e porque é tão importante que criemos nossas formas de realizar a mágicka na vida cotidiana, entendendo como se deu todo o processo para que chegássemos aqui, onde estamos agora.

Grimório das Bruxas – Witchcraft Edition

Espero que você tenha gostado do post, e para ler mais sobre este e outros conteúdos, me acompanhe nas redes sociais: @abruxapreta!

Sobre Pam Ribeiro

Prazer, eu sou a Pam Ribeiro, A Bruxa Preta, dona e proprietária deste portalzão favelado. Facilitadora do reencontro com a nossa natureza divina por meio da decolonização espiritual. Terapeuta reikiana, taróloga, e astróloga. Na busca por levar a magia preta através da escrita curativa e poética marginal.

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