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Ed Wood, ícone do movimento queer, está mais relevante do que nunca

Vida e obra do diretor rendem homenagens até hoje

Os anos 1980 viram surgir o movimento queer que, juntamente com diversos grupos de estudos, começou a dar voz a uma parcela da população que sofria os preconceitos por não se “encaixar” às ideias vigentes de construção social e identidade. O que originalmente era usado de forma pejorativa, aos poucos foi ganhando um novo sentido e passou a ser um termo guarda-chuva para minorias sexuais e de gênero.

Queer representa todos que não se encaixam na conformidade cis e heteronormativa, ou seja, pessoas que não se veem enquadrados nos papéis e expressões de gênero tradicionais masculino e feminino ou expressão de sexualidade hétero.

LEIA TAMBÉM: DESMISTIFICANDO A SOPA DE LETRINHAS LGBTQIA+

Mas bem antes do termo se popularizar, um diretor de cinema já era conhecido por desafiar esses papéis perante a sociedade: Edward D. Wood Jr, mais conhecido como Ed Wood, “o pior diretor de todos os tempos”. A execução de seus filmes pode até ter contribuído para que ele recebesse o infame título, mas algumas de suas ideias talvez estivessem apenas muito à frente de seu tempo. Trabalhos do cineasta podem ser conferidos do livro Ed Wood: Contos & Delírios, publicado pela DarkSide® Books.

O diretor acabou se tornando conhecido também pelo hábito de se vestir com roupas femininas, tal qual Tim Burton mostrou no filme Ed Wood, de 1994. A predileção pelas blusas angorá da sua namorada da época, Dolores Fuller, ganhou uma cena especial no longa.

Kathy O’Hara, que foi casada com Wood de 1956 a 1978 (ano em que o diretor faleceu), contou que esse comportamento tinha relação com o fato da mãe dele o vestir como menina quando ele era pequeno e que, por isso, essas roupas lhe traziam conforto. No entanto, as roupas femininas não tinham nenhuma inclinação sexual. Wood sempre se identificou como heterossexual e manteve relacionamentos com mulheres, o que não o impedia de também sair em público vestido como Shirley, seu alter-ego drag. 

Essa característica tão pessoal acabou se tornando boa parte do enredo de um de seus mais conhecidos filmes: Glen ou Glenda?, de 1953. O roteiro do longa conta duas histórias: uma delas é sobre Glen, interpretado pelo próprio Ed, que gosta de se vestir com roupas femininas e tem medo de contar isso para sua noiva Barbara, que também foi interpretada por Dolores.

Créditos: Screen Classics

A outra história é sobre Alan, um pseudo-hermafrodita que se submete a uma dolorosa cirurgia para se tornar mulher. Os dois casos são contados pelo Dr. Alton, que também dá uma aula sobre tolerância e compreensão. A chamada do filme era: “Amores estranhos… Daqueles que vivem e amam, mas nunca poderão se casar!”. Lembrando que tudo isso foi na década de 1950!

LEIA TAMBÉM: POR QUE TIM BURTON QUIS FAZER UM FILME SOBRE ED WOOD

Ed Wood, até hoje, é celebrado como um ícone queer por desafiar os papéis impostos pela sociedade da época, tanto em sua vida pessoal quanto em seus filmes.

Onde O Filho de Chucky entra nessa história?

Embora amargue uma nota 4,2 no IMDb, Glen ou Glenda? acabou sendo referenciado repetidas vezes em diversos filmes e séries. Um deles é O Filho de Chucky, uma das infindáveis continuações de Brinquedo Assassino.

No filme, Glen (ou seria Glenda?) vai a Hollywood para ressuscitar seus pais Chucky e Tiffany e entra em uma dinâmica familiar muito longe do comercial de margarina. Chucky e Tiffany têm opiniões bem diferentes quando o assunto envolve o filho: enquanto o pai acredita no potencial assassino de Glen, a mãe quer que a família inteira pare de matar. Mas isso não é tudo.

Créditos: Rogue Pictures

O boneco se identifica como menina para Tiffany e como menino para Chucky, conscientemente projetando as expectativas de cada um dos pais quanto ao que eles esperam de seu descendente. Chucky e Tiffany dão respectivamente os nomes de Glen e Glenda a ele/ela, em uma óbvia homenagem ao filme de Ed Wood.

Assim como Wood, o diretor de O Filho de Chucky não dá muito espaço para abordar todos os aspectos psicológicos e até as possíveis sutilezas da fluidez de gênero, optando pelo contraste de uma Glenda cheia de maquiagem e um Glen que se parece com o Tiny Tim.

Créditos: Screen Classics

O filme também funciona como uma sátira da própria anatomia dos bonecos destinados ao público infantil. A ampla maioria deles, independentemente do gênero que representa, não possui um design que represente os genitais. Sendo assim, por que toda essa pressão para definir um gênero específico para bonecos? Ou mesmo para pessoas? Por que escolher entre Glen ou Glenda quando se pode ser os dois?

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Glen/Glenda na série de TV

Na série de TV que estreou em 2021, Chucky faz uma breve referência a seu filho Glen/Glenda dizendo que ele faz parte da comunidade LGBTQIA+. Apesar de não ter aparecido no 1º ano da temporada, em Junho de 2022 o canal Syfy anunciou que Glen/Glenda estará na 2ª temporada e será interpretado por Lachlan Watson.

Lachlan Watson e Jennifer Tilly | Créditos: Instagram

Watson é um ator não-binário que ganhou destaque desde sua participação em O Mundo Sombrio de Sabrina, onde interpretava Susie/Theo, personagem transgênero.

Em prévia divulgada pelo canal, ficou claro que Glen/Glenda se transformou em duas pessoas diferente, mas ainda não foram divulgadas informações de como isso irá impactar no dia-a-dia da família.

A nova temporada estreia em 05 de Outubro nos Estados Unidos.

Ed Wood é DarkSide® Books

Ed Wood: Contos & Delírios reúne 33 histórias escritas pelo diretor ao longo da década de 1970 e chega aos leitores brasileiros em uma edição especial com ilustrações exclusivas de Laerte Coutinho, uma das quadrinistas mais conhecidas e consagradas do país, e introdução de Paulo Biscaia Filho, criador da peça teatral Acordei Cedo no Dia em que Morri (2017), uma homenagem carinhosa a Ed Wood. Tudo emoldurado em preto e rosa, as cores favoritas do cineasta.

Dono de um estilo próprio, Ed adorava aparecer vestido com seu angorá rosa, salto agulha e a inconfundível peruca loira para extravasar as tensões dentro e fora dos sets. Criou personagens para si e narrativas para o mundo, sobressaindo-se em meio a tantas barreiras — baixos orçamentos, mortes inesperadas e o desprezo total dos estúdios. Ao ser sugado para o estranho mundo de Ed Wood você vai encontrar um artista incansável que fez um pacto com a liberdade para se expressar por inteiro, e fazer cinema de corpo e alma.

Sobre DarkSide

Eles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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