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Por que Tim Burton quis fazer um filme sobre Ed Wood

Longa sobre o cineasta é um dos mais queridos de Burton

Houve uma época em que o cinema era conhecido como uma fábrica de sonhos. E quem melhor para movimentar essa indústria do que seus cineastas sonhadores? Orson Welles, Steven Spielberg, Guillermo del Toro, Tim Burton e, é claro, Edward Davis Wood Jr. são apenas alguns nomes que compõem a lista daqueles que respiravam ou ainda respiram a sétima arte.

Mas o cinema nada mais é do que a arte de contar boas histórias, e isso não precisa se limitar à tela. Ed Wood, por exemplo, deixou um legado de contos que foram reunidos no livro Ed Wood: Contos & Delírios, publicado pela DarkSide® Books. A irreverência e a paixão do cineasta eram tão intensas, que por muito tempo ele não se abalou com os empecilhos que encontrou.

LEIA TAMBÉM: LANÇAMENTO: ED WOOD: CONTOS & DELÍRIOS, DE ED WOOD

Wood era fã de Orson Welles, que era diretor, roteirista e ator ao mesmo tempo, uma multitarefa que Ed levava para o seu ofício. No entanto, ele nunca chegou perto do prestígio de seu ídolo, sendo considerado o pior diretor de todos os tempos

Sua história provavelmente teria se tornado absolutamente esquecida nos dias de hoje, se não fosse por um fato: em 1994 uma cinebiografia de Ed Wood foi dirigida por um diretor que estava eu seu auge naquela época: Tim Burton.

Como surgiu o filme de Ed Wood

Ao contrário do que muita gente pode pensar, a ideia do filme Ed Wood não partiu de Tim Burton. O conceito da biopic é mérito dos roteiristas Scott Alexander e Larry Karaszewski, que eram fascinados por Wood desde os tempos de faculdade.

Créditos: Touchstone Pictures

Os dois convidaram o amigo de faculdade Michael Lehmann para dirigir. O diretor, por sua vez, levou o projeto aos produtores Denise Di Novi e Tim Burton. Sim, inicialmente Burton seria apenas o produtor, mas ele gostou tanto da ideia que quis priorizar o projeto. O problema é que Lehmann estava muito ocupado dirigindo Os Cabeça-de-Vento.

Tim Burton tinha acabado de lançar Batman: O Retorno, que foi altamente controverso na época, apesar de hoje carregarmos certa memória afetiva com o Pinguim de Danny DeVito e a Mulher-Gato de Michelle Pfeiffer. Assim que o cineasta começou a soltar ideias para uma sequência, o estúdio decidiu que os dois filmes já eram o bastante.

Paralelamente, Burton estava desistindo da ideia de filmar O Segredo de Mary Reilly com a Columbia Pictures porque o estúdio insistia que a protagonista fosse Julia Roberts. Tim Burton queria Winona Ryder. No fim das contas o papel ficou com Roberts e a direção com Stephen Frears.

Aqui começam as semelhanças entre Tim Burton e Ed Wood. Ambos queriam autonomia para orquestrar seus filmes de acordo com a sua visão, livre das interferências daqueles que colocavam dinheiro nessas produções. Para poder abraçar Ed Wood, ele apressou o roteiro de Alexander e Karaszewski, que na época tinha apenas 10 páginas.

Créditos: Touchstone Pictures

Em apenas seis semanas, ele já tinha um rascunho de 147 páginas que ele levou com pouquíssimas alterações para apresentar à Columbia Pictures. Se isso ainda não tinha sido suficiente para que o estúdio tivesse receio de fazer o filme, a ideia de Burton de rodá-lo em preto e branco foi a gota d’água

A Columbia decidiu sair da jogada e Burton foi procurar outra casa para o longa. Foi na Disney, através da Touchstone Pictures, que ele conseguiu dinheiro e liberdade criativa para tirar o filme do papel — foi lá que ele havia feito O Estranho Mundo de Jack. Com um orçamento de 18 milhões de dólares, o estúdio achou que não era um risco muito alto. Tim Burton recusou receber um salário pelo trabalho de direção.

LEIA TAMBÉM: 5 DIRETORES QUE JÁ FORAM CONSIDERADOS RUINS E HOJE SÃO CONSAGRADOS

A conexão Wood-Burton e os ídolos do terror

Tim Burton havia começado a ler Nightmare of Ecstasy [Pesadelo de ecstasy], uma biografia sobre Edward D. Wood Jr., e algumas das cartas escritas pelo cineasta. Ele ficou comovido pelo modo como Wood escreveu sobre os próprios filmes como se ele estivesse fazendo Cidadão Kane, enquanto o resto do mundo o considerava o pior diretor de todos.

O cineasta confessou sempre ter sido um fã de Ed Wood, o que explica bastante o tom do filme feito por ele, focando em um período específico da vida do diretor, quando ele empregava todo o seu entusiasmo em produzir longas excêntricos, autorais e com pouquíssimos recursos. A produção não menciona os últimos anos de Wood, quando ele escrevia pornografia para viver e gastava todo o seu dinheiro com bebidas.

Embora Tim Burton seja um diretor com uma marca bem distinta e autoral, Ed Wood é possivelmente uma de suas produções mais pessoais, sendo considerada sua favorita pelo próprio diretor.

Créditos: Steve Forrest/NYT

Além da admiração de Burton por Wood e pelo fato de eles compartilharem essa vontade de fazer filmes com mais autonomia, há um aspecto bem em comum entre os dois: a amizade de Ed Wood com Bela Lugosi lembra bastante a de Tim Burton com Vincent Price.

Boa parte do filme foca na amizade entre o cineasta entusiasmado com Lugosi, um ídolo do terror que agora caía no ostracismo. A admiração de Ed por Bela era tão grande que ele dava um jeito de incluir o ator em suas produções

A relação tem fortes semelhanças com a de Tim Burton, que se tornou bom amigo de Vincent Price quando o ator já estava em seus últimos anos de vida. O filme Edward Mãos de Tesoura, um clássico da Burton, foi o último do ator, que também narrou o curta Vincent, de quando o diretor ainda nem era muito conhecido.

Pela época do falecimento de Vincent Price, em 1993, Tim Burton estava trabalhando em um documentário sobre a vida do ator e a amizade dos dois. Porém, ele ficou tão abalado pela morte do amigo que cancelou o documentário. 

Um ano depois, Ed Wood foi lançado. Filmado em preto e branco, em uma saturação bem parecida com a maioria dos filmes de terror de Price, é perceptível que o cineasta estava processando algo enquanto fazia o filme. 

Há um espírito de celebração, ainda que melancólica, à vida de Price, Lugosi e, claro, Wood. No fim das contas, Tim Burton fez de Ed Wood uma celebração à vida de sonhadores que ousaram dedicar suas vidas ao cinema.

LEIA TAMBÉM: O QUE FAZ DE ED WOOD O MELHOR PIOR DIRETOR DE TODOS OS TEMPOS

Sobre DarkSide

Eles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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2 Comentários

  • Anderson Tissa

    1 de junho de 2022 às 13:27

    Bacana!

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