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Edward Carey: “Eu evitava que pessoas de carne importunassem as pessoas de cera”

Autor de Madame Tussaud levou 15 anos para escrever romance histórico sobre a artista

Edward Carey poderia muito bem ter seguido os passos de seu pai e seu avô e ter entrado para a marinha britânica, porém, o mais próximo que ele chegou disso foi interpretar o Capitão Andy em uma encenação escolar da peça Showboat. Ele estava destinado a um caminho bem diferente, mas com tantas aventuras e descobertas que nem o próprio mar poderia oferecer.

Autor de Madame Tussaud, publicado no Brasil pela DarkSide® Books, Carey não dedica seu talento exclusivamente à literatura: ele também escreve peças de teatro e faz ilustrações. Nascido em Norfolk, na Inglaterra, em 1970, ele até chegou a estudar em uma escola náutica, mas em vez de seguir a carreira dos homens da família que o precederam, decidiu integrar um grupo de teatro e estudar drama na faculdade.

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Em sua carreira, Edward Carey já escreveu peças para o Teatro Nacional da Romênia e o Pequeno Teatro Nacional de Vilnius, na Lituânia. Na Inglaterra, suas peças e adaptações foram apresentadas no Young Vic Studio, no Battersea Arts Centre e no Royal Opera House Studio. Ele chegou até a participar em uma produção de Macbeth com fantoches que foi apresentada na Malásia.

Aliás, Edward Carey pode não ter sido um homem do mar, mas sua carreira lhe permitiu desbravar diversos territórios. Além da Inglaterra, o autor viveu na França, Romênia, Lituânia, Alemanha, Irlanda, Dinamarca e Estados Unidos. Atualmente ele vive em Austin, no Texas – que não fica nem um pouco perto do oceano.

Escrita e ilustração: Duas forças que se completam na obra de Carey

O primeiro livro publicado por Edward Carey foi Observatory Mansions, publicado em 2000, quando o autor tinha 30 anos de idade. Sua trilogia para jovens adultos Iremonger Trilogy foi traduzida para diversos idiomas e todas as publicações contam com ilustrações do próprio autor.

Ilustrar é uma parte importante do processo de criação de Carey. Ele sempre desenha as personagens que está escrevendo, mas muitas vezes suas figuras contradizem a descrição do livro e vice-versa – ele leva certo tempo para que elas casem em uma imagem definitiva. 

Créditos: edwardcareyauthor.com

Para Edward Carey, ilustrar as personagens é sua forma de conhecê-las devidamente, conforme afirmou em uma matéria ao site Literary Hub. “Às vezes o desenho desafia a escrita, então eu faço os devidos ajustes textuais”. 

As motivações e a jornada para produzir o livro Madame Tussaud

Publicado originalmente em 2018, Madame Tussaud está longe de ser apenas mais uma obra no cânone do escritor. O livro levou 15 anos para ficar pronto e aborda um tema especialmente próximo de Carey: ele trabalhou no Museu de Cera Madame Tussaud’s quando era mais jovem, em Londres.

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“Eu trabalhava com mais ou menos outras 20 pessoas para evitar que as pessoas de carne importunassem as pessoas de cera”, descreveu em entrevista ao site Book Page. Passar tanto tempo com manequins que impressionam pela sua semelhança com pessoas reais era algo que o fascinava e que mexia com a imaginação do futuro escritor: “Nós passávamos algum tempo sozinhos com as estátuas e inevitavelmente imaginávamos como seria viver em um corpo de cera. Você espera que elas se movam, você suspeita que elas possam se mover, mas que só eram muito teimosas e que estavam fazendo um joguinho com você”.

Carey, em sua fantasia de como seria viver como uma estátua de cera, confessa que sente uma pequena melancolia nisso: “Parece um pouco cruel elas se parecerem tanto com humanos e ainda assim nunca alcançarem a humanidade”.

Créditos: Larry D. Moore

Porém, o jovem Carey e seus colegas de trabalho encontravam uma forma de se divertir em meio às figuras de cera: “Depois de trabalhar lá por algumas semanas, era inevitável que qualquer funcionário se tornasse tão apegado às estátuas que em algum momento ele fingiria ser uma. Nós ficávamos bem paradinhos até que o público se aproximasse para dizer o quão realista eram as estátuas. Aí só dizíamos ‘não toque’ e elas gritavam”. 

No Museu de Cera Madame Tussaud’s de Londres ainda existem estátuas fabricadas pela própria artista que dá nome à atração, como as de Voltaire, Louis XVI e Maria Antonieta, por exemplo. Para Carey, estes eram os trabalhos que mais o impressionaram, bem como a estátua de cera da própria Marie Tussaud, feita em autorretrato. “Enquanto eu trabalhava lá, ao lado da obra de Tussaud e visitando todas as outras pessoas que passaram pela vida dela, eu me tornei profundamente fascinado”. O autor afirma que enquanto trabalhava lá fez questão de visitar o autorretrato da artista todos os dias e que queria desesperadamente escrever sobre ela.

Após 15 anos de muito trabalho, o livro finalmente saiu. À Entertainment Weekly, Edward Carey explicou que boa parte da demora na produção do romance se deve à pesquisa histórica envolvida. “Eu já tinha escrito outros livros antes, mas todos se passavam em lugares imaginários. Mas Paris aparentemente existe e a Revolução Francesa aparentemente aconteceu. Então eu tive que fazer muita pesquisa”. 

Outro fator ao qual o escritor se dedicou e que levou boa parte da produção do livro foi encontrar a voz de sua protagonista Marie Tussaud. “Foi o que me levou mais tempo, porque às vezes ela soava meio misteriosa e eu não achava que isso fazia sentido. Foi difícil captar o espírito dela corretamente”.

Em seu processo de criação, o livro Madame Tussaud teve diversos tamanhos, conforme explicou o autor. “Chegou a quase 700 páginas em certo ponto e foi reduzido para quase 250”. Carey confessou que deixou o material de lado várias vezes para poder retomá-lo com uma visão mais revigorada. “Vez ou outra eu pensei em abandonar o projeto para sempre, mas eu sempre acabava voltando. Alguns livros se comportam e outros não – este, especialmente, não se comportou”.

Para o escritor, Madame Tussaud foi a obra com quem ele teve a relação mais única ao longo de sua carreira. Além de lidar com personagens reais, compreender sua heroína e permitir que ela guiasse a obra foi a experiência mais intensa de Edward Carey. “De certa forma, eu acho que estive buscando por ela todos estes anos”.

Sobre Macabra

Macabra Filmes é a fazenda do terror. Compartilhamos o horror e a beleza, a vida e a morte. Brindamos com sangue as alegrias de existir. Cultivamos o primeiro suspiro, o abrir de olhos, o frio na espinha, o grito na montanha russa, o crepúsculo e a eterna escuridão. Para nós, o medo é natural — e a vida, um presente sobrenatural. É puro terror. 100% macabra.

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