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Ela Seria o Rei dá nova vida à história da Libéria

Lendas folclóricas se misturam à dura realidade da colonização do país

21/11/2022

Na metade do século XIX, os caminhos de três desconhecidos com superpoderes se cruzam na cidade de Monróvia, capital da Libéria. Juntos, eles usam suas habilidades sobrenaturais para tornar a sociedade um pouco mais justa em Ela Seria o Rei, romance de estreia de Wayétu Moore.

LEIA TAMBÉM: LANÇAMENTO: ELA SERIA O REI, DE WAYÉTU MOORE

Para muitas pessoas, a Libéria é apenas um minúsculo país na costa da África Ocidetal, em algum lugar entre o Atlântico, a Guiné, a Serra Leoa e a Costa do Marfim. Mas o que pouca gente sabe, e as aulas de história tendem a ser bem vagas (senão omissas) nesse sentido, é que esse pequeno país foi uma exceção no que diz respeito à colonização, não sendo povoado por europeus, como seus vizinhos.

Antes do século XIX, a Libéria abrigava suas populações nativas e chegou a ser visitada por viajantes portugueses e holandeses, que chegaram até a fixar um posto de troca de mercadorias no início do século XVII. Porém, nenhum outro tipo de instalação ocorreu por lá antes de 1821.

Desde o início de 1800, indivíduos e movimentos contrários à escravidão nos Estados Unidos se empenharam em libertar pessoas para, enfim, aboli-la. Ao mesmo tempo, os escravagistas do sul se recusavam a ter pessoas negras andando livremente na sociedade, o que levou a graves problemas de discriminação social.

Alguns abolicionistas, o que incluía afro-americanos, acreditavam que seria melhor se os negros libertos retornassem à África, onde poderiam prosperar com mais facilidade, segundo eles. Esse pensamento ignorava o fato de que muitas famílias de afro-americanos já haviam se estabelecido nos Estados Unidos há gerações, perdendo sua identificação com o continente de onde seus ancestrais vieram.

A American Colonization Society (ACS) [Sociedade Americana de Colonização] foi fundada em 1816, e em 1820 enviou seu primeiro navio para a África Ocidental, contendo 88 imigrantes livres e três agentes brancos, que se encarregariam de instalar a colônia num local ideal. Em 1821 eles conseguiram um pedaço de terra que se tornaria a Monróvia, que até então era governada pelo líder local conhecido como rei Peter.

história da libéria
Corbis/VCG via Getty Image

Desde o início, os imigrantes vindos dos Estados Unidos foram atacados pelos moradores locais, uma tensão que piorou quando os novos habitantes tentaram impor o estilo de vida que conheciam da América do Norte, por vezes se considerando superiores e mais civilizados do que as populações que sempre estiveram por lá.

A diáspora para a Libéria foi marcada por altas taxas de mortalidade: dos 4.571 imigrantes, apenas 1.819 sobreviveram até 1843. Mesmo ciente do elevado número de mortes, a ACS continuou a enviar pessoas para as colônias.

LEIA TAMBÉM: 5 MOTIVOS PARA LER ELA SERIA O REI

Por que Wayétu Moore decidiu escrever sobre a história da Libéria

Esse início repleto de imposições e conflitos rendeu uma história conturbada ao país, que também passa constantemente por crises econômicas, políticas, institucionais e sociais. Em 1989 o país foi palco de sua primeira guerra civil, o que forçou a família de Moore a deixar o país.

Com apenas 5 anos de idade, a pequena futura escritora se abrigou com a família no vilarejo natal de sua avó materna, próximo à fronteira com a Serra Leoa. Wayétu se recorda de ouvir os tiros a distância, o que o pai justificou como sendo o som de dragões lutando, tentando descaracterizar com fantasia o horror que a família estava vivenciando.

A mãe, que era acadêmica na Universidade de Columbia na época, providenciou a viagem da família para os Estados Unidos, onde Wayétu passou boa parte de sua vida, estudou e se formou. Segura, porém longe de suas origens, os pais sempre procuraram manter vivo o folclore da Libéria, ao contarem histórias de dormir aos filhos sobre o país.

wayetu moore
Bryan Derballa para o The New York Times

Por estudar em escolas norte-americanas, Wayétu Moore aprendeu muito pouco sobre a história da África, e muito menos sobre a Libéria. “Essa ausência, acredito, foi muito profunda”, mencionou em uma matéria do The New York Times. Inspirada pelas histórias sobrenaturais que ouvia antes de dormir e determinada a conhecer mais, ela aprofundou sua pesquisa sobre o folclore liberiano, em especial os da tradição Vai.

Ao adotar o realismo fantástico e protagonistas que são super-heróis, a autora não apenas conta para o mundo a história da Libéria, ela confere magia a uma dura realidade, despertando o interesse de pessoas que querem saber mais sobre aquele lugar e sua história tão peculiar. Ela mostra ao mundo que lugares aparentemente invisíveis têm muito a nos ensinar.

LEIA TAMBÉM: WAYÉTU MOORE: “A LEITURA É O QUE NOS ABRE PARA O NOSSO MUNDO INCRÍVEL”

ela seria o rei

Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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1 Comentário

  • Dayhara

    21 de novembro de 2022 às 15:36

    Ah que post incrível! Ela seria o rei é uma baita aula de história.

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