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Ela Seria o Rei dá nova vida à história da Libéria

Lendas folclóricas se misturam à dura realidade da colonização do país

Na metade do século XIX, os caminhos de três desconhecidos com superpoderes se cruzam na cidade de Monróvia, capital da Libéria. Juntos, eles usam suas habilidades sobrenaturais para tornar a sociedade um pouco mais justa em Ela Seria o Rei, romance de estreia de Wayétu Moore.

LEIA TAMBÉM: LANÇAMENTO: ELA SERIA O REI, DE WAYÉTU MOORE

Para muitas pessoas, a Libéria é apenas um minúsculo país na costa da África Ocidetal, em algum lugar entre o Atlântico, a Guiné, a Serra Leoa e a Costa do Marfim. Mas o que pouca gente sabe, e as aulas de história tendem a ser bem vagas (senão omissas) nesse sentido, é que esse pequeno país foi uma exceção no que diz respeito à colonização, não sendo povoado por europeus, como seus vizinhos.

Antes do século XIX, a Libéria abrigava suas populações nativas e chegou a ser visitada por viajantes portugueses e holandeses, que chegaram até a fixar um posto de troca de mercadorias no início do século XVII. Porém, nenhum outro tipo de instalação ocorreu por lá antes de 1821.

Desde o início de 1800, indivíduos e movimentos contrários à escravidão nos Estados Unidos se empenharam em libertar pessoas para, enfim, aboli-la. Ao mesmo tempo, os escravagistas do sul se recusavam a ter pessoas negras andando livremente na sociedade, o que levou a graves problemas de discriminação social.

Alguns abolicionistas, o que incluía afro-americanos, acreditavam que seria melhor se os negros libertos retornassem à África, onde poderiam prosperar com mais facilidade, segundo eles. Esse pensamento ignorava o fato de que muitas famílias de afro-americanos já haviam se estabelecido nos Estados Unidos há gerações, perdendo sua identificação com o continente de onde seus ancestrais vieram.

A American Colonization Society (ACS) [Sociedade Americana de Colonização] foi fundada em 1816, e em 1820 enviou seu primeiro navio para a África Ocidental, contendo 88 imigrantes livres e três agentes brancos, que se encarregariam de instalar a colônia num local ideal. Em 1821 eles conseguiram um pedaço de terra que se tornaria a Monróvia, que até então era governada pelo líder local conhecido como rei Peter.

história da libéria
Corbis/VCG via Getty Image

Desde o início, os imigrantes vindos dos Estados Unidos foram atacados pelos moradores locais, uma tensão que piorou quando os novos habitantes tentaram impor o estilo de vida que conheciam da América do Norte, por vezes se considerando superiores e mais civilizados do que as populações que sempre estiveram por lá.

A diáspora para a Libéria foi marcada por altas taxas de mortalidade: dos 4.571 imigrantes, apenas 1.819 sobreviveram até 1843. Mesmo ciente do elevado número de mortes, a ACS continuou a enviar pessoas para as colônias.

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Por que Wayétu Moore decidiu escrever sobre a história da Libéria

Esse início repleto de imposições e conflitos rendeu uma história conturbada ao país, que também passa constantemente por crises econômicas, políticas, institucionais e sociais. Em 1989 o país foi palco de sua primeira guerra civil, o que forçou a família de Moore a deixar o país.

Com apenas 5 anos de idade, a pequena futura escritora se abrigou com a família no vilarejo natal de sua avó materna, próximo à fronteira com a Serra Leoa. Wayétu se recorda de ouvir os tiros a distância, o que o pai justificou como sendo o som de dragões lutando, tentando descaracterizar com fantasia o horror que a família estava vivenciando.

A mãe, que era acadêmica na Universidade de Columbia na época, providenciou a viagem da família para os Estados Unidos, onde Wayétu passou boa parte de sua vida, estudou e se formou. Segura, porém longe de suas origens, os pais sempre procuraram manter vivo o folclore da Libéria, ao contarem histórias de dormir aos filhos sobre o país.

wayetu moore
Bryan Derballa para o The New York Times

Por estudar em escolas norte-americanas, Wayétu Moore aprendeu muito pouco sobre a história da África, e muito menos sobre a Libéria. “Essa ausência, acredito, foi muito profunda”, mencionou em uma matéria do The New York Times. Inspirada pelas histórias sobrenaturais que ouvia antes de dormir e determinada a conhecer mais, ela aprofundou sua pesquisa sobre o folclore liberiano, em especial os da tradição Vai.

Ao adotar o realismo fantástico e protagonistas que são super-heróis, a autora não apenas conta para o mundo a história da Libéria, ela confere magia a uma dura realidade, despertando o interesse de pessoas que querem saber mais sobre aquele lugar e sua história tão peculiar. Ela mostra ao mundo que lugares aparentemente invisíveis têm muito a nos ensinar.

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ela seria o rei

Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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1 Comentário

  • Dayhara

    21 de novembro de 2022 às 15:36

    Ah que post incrível! Ela seria o rei é uma baita aula de história.

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