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Entenda os diferentes conceitos de viagem no tempo da ficção científica

Afinal, um viajante no tempo pode ou não mudar o futuro da história?

Você está prestes a embarcar em uma viagem rumo ao passado. Mesmo se você for um passageiro frequente preste atenção às nossas instruções: não mude absolutamente nada sob pena de criar uma realidade paralela ou de ameaçar a sua própria existência. Ou simplesmente faça o que quiser, o passado já aconteceu com a sua visita e nada pode mudar isso. Confuso? Estas são as regras mais conhecidas do uso de viagem no tempo na ficção científica.

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Para a ciência, o conceito de viagem no tempo consiste na possibilidade de mover-se para trás e/ou para frente através de pontos diferentes no tempo. Há algumas teorias da física que exploram este conceito e até mesmo as chances de transporte, como é o caso dos famosos buracos de minhoca

Porém, do ponto de vista prático, os físicos estão convencidos de que tais viagens seriam muito improváveis. Até os cientistas que se dedicam um pouco mais ao tema fazem isso de forma discreta, com medo de virar motivo de piada no meio acadêmico. Afinal, se a viagem no tempo algum dia se tornasse uma realidade, por que não recebemos visitantes do futuro até agora?

A própria ciência tem algumas respostas para esta pergunta. Uma das teorias sustenta que não é possível viajar a um passado em que a tal máquina do tempo não tenha sido criada – como atualmente não se sabe de nenhuma máquina deste tipo, os viajantes estariam circulando somente pelo futuro. Outra explicação é a de que nesta realidade a viagem no tempo é impossível, mas em universos paralelos ela já ocorreria. Embora provas disso também não existam.

Enquanto a possibilidade de viagem no tempo não avança no campo da ciência, na ficção científica ela é um tema recorrente. H.G. Wells é um dos responsáveis pela popularização do conceito com seu romance A Máquina do Tempo, publicado em 1895. No último século esta teoria se abriu a diversas possibilidades na ficção, seguindo duas cartilhas principais sobre como ocorreria este tipo de viagem. Apresentamos as duas a seguir:

Possibilidade 1: A história não pode ser mudada

Esta linha de pensamento sobre a viagem no tempo é a que gera menos confusão e que tem chances menores de gerar furos no roteiro. Alguns entendimentos de causa e consequência podem causar um pouco de estranheza, mas se você entender bem as regras desta teoria fica bem mais fácil de entender.

Quando pensamos que a história não pode ser mudada estamos nos referindo a uma linha de tempo, de acontecimentos, que é estática. Os personagens que viajam no tempo são incapazes de mudar os eventos do passado porque ele já aconteceu exatamente desta forma, inclusive prevendo o rolê no espaço-tempo daquele viajante.

Nesta teoria a História é consistente, tudo sempre aconteceu assim e sempre irá acontecer. Qualquer tentativa para violar esta consistência está fadada ao fracasso, conforme preconiza o princípio de auto-consistência de Novikov. Se existe um evento que possa dar origem a um paradoxo, ou causar qualquer mudança no passado, então a probabilidade deste evento ocorrer é zero. Isto inviabiliza a possibilidade de criar paradoxos de tempo.

Para entender melhor, pense em um livro que você está lendo (preferencialmente da Caveira). Todas as páginas já foram escritas no momento em que você começou a ler. A história e suas personagens seguirão para o mesmo desfecho, independentemente da sua velocidade de leitura ou de quantas vezes você decida reler algum capítulo. Por mais que você queira, isso não será capaz de mudar o fim da história.

Um tipo de acontecimento que pode causar um pouco de confusão neste tipo de cenário é quando um viajante no tempo aparentemente interfere no passado, mas sem alterar o curso das coisas. A tentativa de interferência pode até ser a causa daquilo que o personagem tentava evitar. No entanto, a história continua seguindo o curso que sempre seguiu e foi a tal “interferência” que possibilitou isso. No presente daquele personagem o mesmo passado já havia ocorrido, inclusive com sua presença. Não há livre arbítrio aqui, tudo já aconteceu.

Dark é uma série que trabalhou bastante com este conceito (pelo menos até a segunda temporada). Quando Jonas viaja no tempo para tentar fechar o portal de viagem no tempo, ele acaba contribuindo para a sua criação. Ou como no caso do cientista H.G. Tannhaus, que recebe do futuro um livro que ele ainda não publicou – só que é justamente este “presente” que o faz publicar tal livro. Um exemplo ainda mais bizarro envolve uma personagem que é mãe de sua própria mãe (!). Por incrível que pareça, quando tratamos o tempo como algo definido e imutável, isso é possível (na ficção, claro).

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Outras obras que também abordam a viagem no tempo desta forma são o livro A mulher do viajante no tempo e O Exterminador do Futuro, em que a tentativa de evitar o nascimento do líder de uma revolução é justamente o que faz com que os pais do tal líder se conheçam. 

Outra possibilidade explorada ainda dentro desta teoria é a de que uma viagem ao passado não seja capaz de alterar o futuro, mas de criar uma nova realidade, com uma história paralela, em um outro universo. Isso significa que a linha do tempo de onde veio o viajante do futuro continua a existir, só que sem este personagem, que agora vive na nova linha do tempo.

Este tipo de possibilidade é explorada com certa frequência no universo dos super-heróis dos quadrinhos, mesmo quando adaptado para o cinema, como ocorre em Vingadores: Ultimato. Na década de 1980, a administração de um multiverso pela DC Comics se tornou tão excessiva e confusa, que a editora criou a saga Crise nas Infinitas Terras para fazer uma faxina e acabar com alguns personagens redundantes.

Possibilidade 2: A história pode ser alterada

É aqui que o bicho pega quando o assunto é viagem no tempo! Alterar o passado pode ter consequências catastróficas, como já aprendemos com De Volta para o Futuro e Efeito Borboleta

A partir daqui, para que esta teoria consiga se sustentar, podemos seguir por dois caminhos: ou a história tem uma grande resistência à mudança ou ela pode ser mudada facilmente. As duas trazem consigo desfechos muito mais complexos do que a ideia de que a história não pode ser mudada.

Este estilo de viagem no tempo, que pode alterar o curso das coisas, é abordado na trilogia Chronos, de Rysa Walker. No primeiro volume, uma pequena interferência na linha do tempo faz com que os pais da protagonista, Kate, sumam do mapa e tudo indica que ela será a próxima. Para evitar que isto ocorra, ela precisa voltar no tempo e evitar um homicídio, mas isso também terá um custo pessoal alto.

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Algo semelhante ocorre com Marty McFly em De volta para o futuro. No primeiro filme, uma pequena interferência dele no passado põe em risco o namoro de seus pais e seu próprio nascimento, por isso, ele precisa consertar as coisas antes que seja tarde. 

As duas obras focam mais nos reflexos que tais alterações teriam na vida das próprias personagens, algo mais pessoal. Porém, como explicar que estas alterações não tenham consequências muito mais abrangentes, mudando, inclusive, o curso da História? Uma das teorias dentro da possibilidade de interferência no passado sugere que, assim que os acontecimentos são mudados, o universo busca entrar em curso novamente. Ele “corrige” tais alterações impedindo a descoberta de formas de viajar no tempo.

Já uma outra corrente de pensamento prevê um número muito grande de viajantes, que causam infinitas mudanças na História, até que se estabilize em uma versão na qual formas de viajar no tempo não seriam descobertas. De qualquer forma, a linha do tempo só poderia ser novamente estabilizada quando tais viagens deixassem de existir.

O grande risco de roteiristas embarcarem em viagens com possibilidade de alteração dos fatos é cair em algum tipo de furo de roteiro. Afinal, quando se muda o curso da História, mudam também as memórias das pessoas, incluindo as do viajante do tempo. Na maioria das tramas isso não ocorre, deixando a personagem que viajou ciente da sua interferência, no entanto, isso pode acarretar em novos erros na linha do tempo, já que a personagem responsável pela alteração teria uma lacuna de lembranças entre o momento da história que foi alterado e o presente de onde ele viajou.

Para as obras de ficção científica, a saída mais simples para evitar todo este caos é restringir a capacidade de viajar no tempo a alguns poucos “escolhidos”, seja através de poderes psíquicos, máquinas do tempo, um medalhão ou um DeLorean modificado. Em todos os casos, tais viajantes ganham consciência da sua responsabilidade em voltar a outras épocas e das consequências de seus atos nos rumos da humanidade.

Enquanto a viagem no tempo se restringe à ficção, tudo o que podemos fazer como meros espectadores é cuidar do tempo que temos, que é meramente o presente. Sabemos que não podemos alterar o passado, mas fica a reflexão: se você tivesse a oportunidade de ver seu futuro, que atitudes gostaria de tomar hoje para que ele aconteça do jeito que você sonha?

3 Comentários

  • Emerson

    6 de julho de 2020 às 00:16

    Gostaria de saber se vai ter a tradução do livro da série Dark só achei ele em alemão.

    • DarkSide

      6 de julho de 2020 às 16:14

      A Caveira desconhece o título publicado no Brasil.

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