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King: Novo single de Florence + The Machine entrega feminismo, magia e ligações com o tarô

Vocalista da banda terá livro publicado pela DarkSide

03/03/2022

Você consegue ouvir os cavalos? Pois eles estão vindo para os fãs brasileiros da banda Florence + The Machine. Além do recente anúncio de que a DarkSide® Books irá publicar o livro Useless Magic: Lyrics and Poetry, da vocalista Florence Welch, o grupo lançou um novo single repleto de feminismo, magia e referências sobrenaturais.

LEIA TAMBÉM: FLORENCE WELCH: USELESS MAGIC CHEGARÁ AO BRASIL

“King” é a primeira música de trabalho do tão aguardado novo álbum da banda, que ainda não tem nome e nem data de lançamento. Mas tanto nas letras como no clipe, Florence retorna ao aspecto mais místico de sua arte, que marcou o segundo álbum do grupo, Ceremonials, de 2011.

No videoclipe a vocalista surge com um capuz violeta que num primeiro momento relembra a imagem de uma santa. Porém, antes mesmo do refrão chegar o visual quase cristão se converte na imagem de uma sacerdotisa pronta para dançar com o seu coven.

Créditos: FLOOD Magazine

O clipe é repleto de simbolismo sobre o que a própria letra da música diz a respeito das difíceis escolhas de ser mulher e precisar equilibrar a carreira com desejos pessoais, como o de formar uma família, por exemplo. Ambientado em um prédio meio abandonado e meio inacabado, ele reflete a ruína de algo que nem ao menos se concretizou, como uma vida a dois, por exemplo.

Para contextualizar, a própria Florence Welch divulgou uma declaração explicando que a canção fala sobre as identidades rasgadas que sente entre ser uma mulher querendo iniciar uma família e ser uma artista. A cantora afirmou que nunca tinha pensado nessa disparidade de gêneros até chegar aos trinta e poucos anos e se dar conta de que para ela começar uma família talvez não seja algo tão simples como para os ídolos homens nos quais se inspirou.

A letra descreve um casal que briga na cozinha sobre ter filhos e sobre as ambições da mulher serem a ruína daquilo tudo. O clipe, que começa em uma atmosfera mais clara, torna-se sombrio no momento em que Florence quebra o pescoço do homem (que pode ser interpretado tanto como seu parceiro e suas relações como pelo seu eu lírico masculino). Neste exato momento a letra diz “não sou uma mãe, não sou uma noiva, eu sou rei”, remetendo às decapitações ordenadas pelos reis, figuras que representam a autoridade máxima.

Porém, mesmo após matar a figura masculina, ela continua a carregá-la consigo – o que pode significar tanto um peso carregado como o tema de suas canções, os relacionamentos naufragados, como a bagagem que ela emprega em suas composições. Ao sair do prédio em ruínas com as dançarinas, fica evidente o contraste das roupas vibrantes contra o concreto cinza. Alguns fãs interpretam que as cores rosa e violeta vestidas simbolizam a natureza feminina, que é o que a faz se sentir livre e levitar.

O fim do clipe marca a conclusão à qual a cantora chega: de que ela não pode separar suas duas identidades (feminina e masculina) e acaba mesclando as duas ao devorar a figura masculina. A antropofagia também pode representar que ela se alimenta de seus relacionamentos para fazer sua arte.

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Referências a trabalhos anteriores

Não coincidentemente, a diretora de “King”, Autumn De Wilde, também dirigiu o videoclipe de Big God, single do álbum anterior, High as Hope, de 2018. Os dois vídeos mostram bailarinas servindo a uma deusa/sacerdotisa poderosa: a própria Florence. A ideia da vocalista dançando no meio de algo meio ritualístico já começou no primeiro álbum, Lungs, com o clipe de Drumming Song”.

O tal Deus da canção de 2018 tem muita semelhança ao rei do novo single, uma vez que os antigos monarcas eram considerados representantes diretos dos deuses e supostamente conquistavam seus tronos por meio de desígnios divinos.

A escolha de Florence é muito consciente ao referir a si própria como “rei” e não “rainha”, já que a figura dele é considerada a mais poderosa da mitologia. Também é um contraste à canção “Queen of Peace”, do álbum How Big, How Blue, How Beautiful, de 2015. A letra descreve uma rainha mais pacífica e disposta a agradar a todos – uma característica que não é esperada dos reis.

Referências do tarô

Todo o lançamento do single e a antecipação para o novo álbum estão baseados em uma estética de cartas de tarô. Dois dias antes do lançamento da canção e do videoclipe, fãs na Inglaterra começaram a publicar nas redes sociais fotos de painéis digitais com uma foto de Florence em roupas medievais. No mesmo dia, fãs receberam pelo correio um envelope contendo uma carta no interior: a mesma foto da artista com a palavra “King”, no estilo de uma carta de tarô.

O rei pertence aos arcanos menores no tarô, representado pelos reis dos quatro naipes (copas, ouro, paus e espada). Nas tradições primordiais ele era considerado o modelo do herói, representando o homem universal, o Adão que leva o propósito da encarnação ao seu maior potencial.

A coroa que um rei carrega na cabeça simboliza suas realizações e sua dignidade intransferível. Na letra de “King”, Florence diz que carrega sua “coroa dourada de tristeza”, ou seja, o que lhe causa mais sofrimento é justamente aquilo que lhe proporciona realização e sucesso. 

Mas as referências ao tarô não devem parar por aqui. No site da banda, há apenas um baralho com quinze cartas e somente a primeira delas virada para cima: “King”, com uma cartola dizendo “Chapter 1”. Alguns fãs especulam que este será o nome do álbum, porém, o site dá a ideia de que “King” é apenas o primeiro de quinze capítulos que serão revelados.

(Captura de tela de https://florenceandthemachine.net/)

A torcida dos fãs é a de que a banda repita a proposta de The Odissey, um curta-metragem feito a partir dos videoclipes do álbum How Big, How Blue, How Beautiful, que mostra a jornada de Florence após um relacionamento tóxico e a passagem pelo abuso de substâncias. Com o final inconclusivo de “King”, a expectativa para que os próximos capítulos continuem contando esta história fica ainda maior. A resposta para este anseio, ao que tudo indica, está nas cartas.

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Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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