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Machado, a Cidade e seus Pecados: Conheça os 7 Pecados Capitais

Vícios enumerados pelo cristianismo têm forte influência na cultura ocidental há séculos

O comportamento humano é permeado por vícios e virtudes. Na coletânea Machado, a Cidade e seus Pecados, as obras do escritor brasileiro Machado de Assis estão mais interessadas nos vícios. Os contos reunidos no livro têm relação direta com o conceito cristão dos sete pecados capitais, encenados pelas personagens machadianas.

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Até quem não é cristão já ouviu falar deles, que são referenciados até os dias de hoje na cultura pop. Um dos exemplos preferidos do cinéfilos é o longa da década de 1990 Se7en: Os sete crimes capitais, um thriller policial com um serial killer que utiliza os vícios de suas vítimas na sua tática de assassinato.

Origens dos 7 Pecados Capitais

A enumeração de vícios humanos é um conceito que antecede o próprio cristianismo. De formas um pouco diferentes, eles já estavam presentes nas conversas de governantes e filósofos antes mesmo do nascimento de Cristo. A Bíblia não apresenta a lista consolidada destes sete pecados, mas tem várias citações que reforçam a gravidade deles. Um dos exemplos mais próximos está nos 10 Mandamentos que Deus entregou a Moisés – uma espécie de código de conduta para os hebreus nortearem a sua sociedade.

A noção dos pecados começou a ser elaborada no século 4 através do monge grego Evagrius Ponticus, que selecionou as oito atitudes mais graves que os cristãos poderiam cometer. Dois séculos mais tarde a lista chegou às mãos do papa Gregório I, que deu a atribuição de “capital” aos pecados, referindo-se aos pecados-chave.

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Créditos: Hieronymus Bosch

Foi apenas no final do século 13 que foi produzido o documento Suma Teológica de São Tomás de Aquino, dando aos sete pecados capitais a formação que conhecemos até hoje. Eles foram popularizados pouco depois por Dante Alighieri em sua obra A Divina Comédia, um dos poemas épicos mais importantes da literatura.

Os cânticos narram a jornada do autor através dos planos do Inferno, Purgatório e Paraíso, em busca de sua amada Beatriz. Apesar de alguns dos vícios fazerem uma participação especial nos círculos do Inferno, todos os pecados capitais se encontram na parte do Purgatório – a mais autoral de todas, já que os sete pecados eram um dogma bem recente para a Igreja Católica.

O Purgatório é constituído por uma montanha altíssima que surge do mar no meio do hemisfério austral. Ela é contornada por terraços e vai se afinando até chegar ao plano do Paraíso Terrestre. A primeira parte da escalada é dedicada às almas que se arrependeram na última hora e devem aguardar a sua admissão pela Porta de São Pedro.

Créditos: Hippolyte Flandrin

Depois que as almas conseguem entrar no Purgatório, elas devem cumprir diversas penas correspondentes aos seus pecados em vida para poderem ser aceitas no Paraíso. Cada terraço corresponde a um pecado capital, organizados do mais grave para o menos grave: orgulho, inveja, ira, preguiça, avareza, gula e luxúria.

Nem todo mundo sabe, mas cada um destes vícios tem como contraparte uma virtude. Conheça melhor cada um deles a seguir:

1. Orgulho

Virtude oposta: humildade. 

Também conhecido como vaidade ou soberba, este é considerado o pior de todos os pecados capitais. Foi a vaidade que fez com que Lúcifer se sentisse mais alto que o próprio Deus. Para São Tomás de Aquino e para o papa Gregório I, ele é tão pecaminoso que deve ser tratado separadamente, pois é o orgulho que abre as portas para que todos os outros vícios tomem conta do ser.

Créditos: Jacques Callot

Além da questão estética, a vaidade tem a ver com narcisismo, autoafirmação e arrogância. Influenciada por Santo Agostinho, a definição de soberba como um dos pecados capitais considera esta a transgressão suprema, por ser uma atitude que inclui simultaneamente a presunção, a vaidade e a vanglória. Para a Igreja, o orgulho excessivo destrói a relação de respeito com Deus

2. Inveja

Virtude oposta: caridade.

Trata-se do desejo exagerado por posses, status, habilidades e tudo o que outra pessoa tenha. Foi incorporada pelo papa Gregório ao panteão do mal como invidia, que é o nome da deusa romana que envenenava tudo a sua volta. 

Créditos: Hieronymus Bosch

A inveja é considerada pecado porque uma pessoa tomada por ela ignora suas próprias bênçãos e prioriza o status de outra pessoa em vez de valorizar o próprio crescimento espiritual. Além disso, o invejoso se sente mal com o que não tem e começa a desejar que ninguém mais tenha.

3. Ira

Virtude oposta: paciência.

Também conhecida pelo nome de cólera, a ira é o sentimento humano de externar raiva e ódio por algo ou alguém. É um forte desejo de causar mal ao outro e uma das grandes responsáveis pelos conflitos e guerras em todo o mundo na história da humanidade. 

Créditos: Giovanni Battista Tiepolo

A ira é considerada o pecado mais instintivo e mortal, apesar de até mesmo Deus se render a ela nas punições dadas aos humanos nas histórias do Primeiro Testamento. Justamente por isso, ela é tratada como um impulso natural. O grande desafio para a humanidade é se libertar da cultura da ira, da violência e da guerra.

4. Preguiça

Virtude oposta: diligência.

De acordo com a definição da Igreja, os preguiçosos são pessoas que vivem em estado de falta de capricho, de esmero e de empenho. São caracterizados pela negligência, desleixo, morosidade, lentidão e moleza.

Créditos: Hieronymus Bosch

Isso não significa que você não possa dormir até mais tarde quando estiver cansado uma vez ou outra. Para os religiosos, ela é caracterizada pela apatia espiritual, a incapacidade de se importar com o próximo ou com qualquer coisa, procrastinação e sensação de autopiedade e letargia. A preguiça, neste conceito, também abrange uma espécie de antítese da fé, que leva pessoas ao suicídio.

5. Avareza

Virtude oposta: generosidade

A avareza é o pecado das pessoas que se apegam muito a seus bens materiais. Há algumas interpretações que elencam pessoas bem-sucedidas financeiramente na categoria dos avaros, mas este pecado diz menos respeito ao acúmulo e mais ao apego ao que se tem. E não estamos falando de ter um carinho especial por algo com valor sentimental, mas de um sentimento marcado pelo excesso e pelo desejo desenfreado por riqueza e status.

Créditos: Jacques Callot

Para o papa Gregório I, a avareza não diz respeito apenas às pessoas mesquinhas. Este pecado engloba as transgressões, chamadas de sete filhas: traição, fraude, mentira, perjúrio, inquietude, violência e dureza no coração. A avareza ainda se refere aos gananciosos, egoístas, corruptos, ladrões e aos excessivamente ciumentos.

6. Gula

Virtude oposta: temperança.

Há milênios as pessoas têm uma relação esquisita com alimentação. Antes mesmo do cristianismo o poeta romano Horácio já dizia que comer demais retirava a energia das pessoas. No contexto dos sete pecados capitais, a gula é o desejo insaciável por comida e bebida, mas também está relacionada ao egoísmo humano de querer adquirir sempre mais e mais, não se contentando com o que já se tem.

Créditos: Hieronymus Bosch

Penetrando um pouco mais na crença cristã, a gula também representa a dependência do mundo material em detrimento da valorização de Deus. No século 20 a gula ganhou ainda outro tipo de condenação, sendo considerada um grave pecado social de acordo com os padrões de beleza impostos pela sociedade.

7. Luxúria

Virtude oposta: castidade.

Curiosamente, um dos pecados tão abertamente condenados pelos puritanos é o menos grave da lista, pelo menos na obra de Dante Alighieri. A luxúria é o desejo passional e egoísta pelos prazeres sensuais e materiais. Ela consiste no apego aos prazeres carnais que corrompem os costumes, na sexualidade extrema, lascívia e sensualidade.

Créditos: Hieronymus Bosch

Na concepção de São Tomás de Aquino, a luxúria também diz respeito às pessoas que se deixam dominar pelas paixões, sejam elas de poder, dinheiro ou comida. Novamente, percebemos uma conexão entre este e outros pecados capitais.

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Eles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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