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Mulheres Extraordinárias que inspiram

Mary Wollstonecraft e Mary Shelley: Mãe e filha quebraram as regras de sua época e mudaram a forma como pensamos.

Imagine um tempo em que homens tinham completo controle suas esposas, podendo castigá-las pelos mais variados motivos. Mulheres eram completamente dependentes deles socialmente e financeiramente. Publicar um livro ou ter filhos fora do casamento era algo impensável. Felizmente, esta mentalidade ficou no passado e temos muito a agradecer a Mary Wollstonecraft e Mary Shelley por isso.

As duas são o tema de Mulheres Extraordinárias: As Criadoras e a Criatura, de Charlotte Gordon. A publicação será lançada no Brasil pela DarkSide® Books pelo selo Darklove.

LEIA TAMBÉM: MULHERES EXTRAORDINÁRIAS: AS CRIADORAS E A CRIATURA

Mãe e filha viveram entre os séculos 18 e 19, quando mulheres ainda eram relegadas a funções reprodutivas, de criação dos filhos e organização do lar. Mas as Marys se recusaram a ser apenas o que a sociedade esperava delas. Por meio de suas obras e de seus estilos de vida elas ajudaram a derrubar barreiras e a abrir caminhos para mulheres em todo o mundo.

Mary Wollstonecraft nasceu em Londres no ano de 1759. Desde muito nova ela aprendeu e praticou a sororidade dentro de casa, tentando proteger a mãe de seu pai violento e também suas irmãs. Um exemplo disso foi o fato de ter infringido a lei para resgatar sua irmã do marido abusivo – uma expressão que nem existia naquela época. Além de contrariar as normas sociais daquele período (que não determinavam qualquer tipo de direito a mulheres e não permitiam o divórcio), ela teve a audácia de lutar pela independência das mulheres.

Mary Wollstonecraft

De um relacionamento com o filósofo político William Godwin nasceu sua filha Mary, que, a sua maneira, também quebraria as regras de seu tempo. Infelizmente a convivência das duas foi muito breve, já que Wollstonecraft faleceu apenas 10 dias após dar à luz.

Mas a pequena Mary teve muita sorte por poder contar com uma rica educação providenciada pelo pai, que circulava pelo meio intelectual de Londres. A garota cresceu com grande admiração pela mãe que ela mal chegou a conhecer e traçou seu próprio caminho que deixou um legado celebrado até hoje.

Assim como a mãe, Mary Shelley se relacionou com intelectuais e teve filhos fora do casamento. Fascinada pela ciência e amante da literatura, a escritora quebrou as barreiras de seu tempo ao publicar um romance de terror imortalizado há séculos: Frankenstein.  

LEIA TAMBÉM: MONSTROS CLÁSSICOS DA UNIVERSAL: DOS LIVROS PARA O CINEMA

Como estas mulheres extraordinárias influenciam as gerações atuais

É fato que as mulheres conquistaram muitos direitos desde as épocas vividas por Shelley e Wollstonecraft. Hoje elas podem comprar propriedades, votar, escrever seus próprios livros sem se esconder sob um pseudônimo masculino, pedir o divórcio, entre tantas outras possibilidades que há até pouco tempo eram exclusividade dos homens.

Ainda assim, Mary Wollstonecraft e Mary Shelley se mantêm fortes ícones para conquistar aquilo que ainda não foi alcançado – e aqui podemos estender a luta a outras causas além do feminismo, como o racismo, a liberdade de expressão e qualquer tipo de injustiça social, por exemplo. Estas mulheres foram modelos de resiliência em um tempo em que tudo estava contra elas e, apesar disso, tiveram coragem de se fazer ouvir.

Mary Shelley

Hoje temos grande admiração pelas duas, mas em suas respectivas épocas as pessoas viravam as costas quando entravam em algum ambiente. Ambas foram alvo de comentários maldosos e eram ridicularizadas por seus inimigos. Foram chamadas de “vadias”, mas nunca pararam de escrever. Elas encararam a solidão em prol de seus ideais, até mesmo quando foram abandonadas por aqueles que elas amavam.

A lição mais valiosa que mãe e filha nos deixam é a de falar, mesmo quando parece que ninguém está nos ouvindo. É a lição de confiar nos nossos instintos, nunca esquecer os nossos ideais e acreditar no poder dos livros. Ideias podem mudar o mundo, mas apenas se elas forem expressadas. Foi isso o que Mary Shelley e Mary Wollstonecraft fizeram: elas falaram alto porque sabiam que um dia o mundo iria ouvir. Pode ter demorado, mas hoje todos nós estamos ouvindo. Não apenas ouvindo, mas celebrando a vida e a obra destas duas mulheres extraordinárias.

LEIA TAMBÉM: MARY SHELLEY, CRIADORA DE FRANKENSTEIN, ETERNIZOU O NOSSO MEDO DO DESCONHECIDO

3 Comentários

  • Marli

    11 de setembro de 2020 às 16:53

    Gostei muito do texto. Ainda temos um longo caminho mas seria maior sem pessoas como elas. Vou comprar o livro em breve.

  • Deborah

    16 de setembro de 2020 às 21:32

    Sou fã de ambas.
    “Não quero que as mulheres tenham poder sobre os homens, mas sobre elas mesmas.” – Mary Wollstonecraft

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