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O Envenenamento de Charles Bravo: Um Crime Vitoriano Macabro

Acidente, suicídio ou homicídio?

A Era Vitoriana foi marcada pela prosperidade do Reino Unido, mas também pela sua relação com o macabro. Muitos dos crimes da época tinham relação com as condições precárias de vida da sociedade londrina, como as mortes de mulheres causadas por Jack, o Estripador. Porém, nem a mais alta sociedade estava livre da violência.

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Um dos casos narrados em Crimes Vitorianos Macabros envolve um respeitado advogado: Charles Bravo. Seu misterioso envenenamento possui peculiaridades que podem ser encontradas nos mais elaborados whodunnits e um drama digno de novelas mexicanas

Nunca solucionado formalmente, o crime levanta até hoje teorias de quem teria cometido o assassinato: a esposa, a dama de companhia, o ex-amante da esposa ou até mesmo o próprio Bravo de maneira acidental ou como uma forma de cometer suicídio. Todas as possibilidades deste complexo jogo de tabuleiro têm alimentado as mais elaboradas teorias e acaloradas discussões. Afinal, quem é o responsável pela morte de Charles Bravo e por quê?

Charles Bravo by Lombardi & Co, albumen carte-de-visite, 1876

Uma história de riqueza, luxúria e pecado

Antes mesmo de seu casamento com Charles Bravo, a vida de Florence Ricardo já encheria as colunas de fofoca nos tempos atuais. Filha do político Robert Campbell, ela teve um primeiro casamento conturbado com Alexander Louis Ricardo. O casal chegou a se separar por causa dos casos extraconjugais do marido e de sua atitude violenta em decorrência do alcoolismo.

Mas Alexander não foi o único que buscou prazer fora do casamento. Florence manteve um caso com o médico da alta sociedade James Manby Gully – que também era casado. A diferença de 37 anos de idade entre o Dr. Gully e Florence não os impediu de ter um caso tórrido que escandalizou a sociedade londrina e causou uma péssima reputação para a mulher.

Florence acompanhou seu amante durante as férias na Alemanha, onde ele tinha ido para aprender sobre hidroterapias. Só que ela retornou grávida desta viagem. Para evitar um escândalo ainda maior, Gully operou sua amada para “a retirada de um tumor” – um óbvio eufemismo para encobrir um aborto. Mesmo separada, Florence ainda estava oficialmente casada com Ricardo.

Só que a operação a deixou gravemente debilitada. Em sua recuperação, ela contou com a ajuda de sua governanta: uma viúva mãe de três crianças chamada Jane Cox. Em 1871, foi a própria Florence quem ficou viúva de Ricardo, recebendo uma confortável herança.

No ano de 1874, a viúva se mudou para uma residência chamada The Priory. Nesta época ela era uma mulher rica e independente, que aproveitava o melhor do seu estilo de vida, com direito a quatro cavalos em seus estábulos, um mordomo, um lacaio, um cozinheiro, pelo menos duas empregadas, duas criadas, três jardineiros e uma dama de companhia, a devotada sra. Cox.

O Dr. Gully continuou a fazer companhia para Florence, que vivia isolada de seus vizinhos escandalizados e também da própria família, que era contra seu relacionamento com o médico. O fato de estar afastada de tudo e de todos provavelmente foi o que pesou na sua decisão de se casar novamente, desta vez com Charles Bravo, no inverno de 1975. Para ele, a fortuna da pretendente fazia de Florence um ótimo partido.

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Florence Bravo – Imagem de domínio público

O casamento dos Bravo e o misterioso envenenamento

As aparências diziam que Florence e Charles formavam um casal feliz, mas a vida era muito mais turbulenta na mansão. Florence sofreu dois abortos espontâneos nos primeiros quatro meses de casamento e demorava a se recuperar – fato que não era respeitado por seu marido, que, segundo diziam os empregados, abusava dela e a humilhava sexualmente.

Enquanto isso, os pais de Bravo viviam tentando interferir na forma com que Florence usava seu dinheiro, por considerarem-na uma figura extravagante. Charles começou a despedir diversos funcionários, e os que restavam acumulavam cada vez mais funções, como foi o caso da empregada Mary Ann Keeber, que acompanhava Florence há anos e precisou trabalhar como faxineira e dama de companhia.

Certa noite, quando os dois estavam casados há cinco meses, Florence pediu a Mary Ann mais uma taça de vinho quando já estava recolhida em seus aposentos após o jantar. Isso irritou Charles, que achava que a esposa bebia demais. Florence ignorou seu aborrecimento e permaneceu no quarto com Jane Cox, que tricotava. 

Instantes depois, Charles Bravo chamou a esposa desesperadamente e pediu água quente. Mary Ann foi a única que atendeu seu chamado, enquanto Florence e a sra. Cox permaneceram indiferentes no quarto. O advogado foi encontrado por Mary Ann e Jane vomitando descontroladamente pela janela. Cox assumiu controle da situação e pediu que Mary Ann trouxesse água quente, mostarda e cânfora. Florence dormia profundamente em seu quarto.

Quando a sra. Bravo foi finalmente acordada, mostrou-se alarmada e mandou que chamassem o médico mais próximo. Nos dias seguintes, a saúde de Charles foi se deteriorando de uma forma dolorosa. Todos os médicos concordaram que ele havia ingerido alguma substância venenosa.

Uma das poucas criadas que ficou ao seu lado em seus últimos dias foi Mary Ann, a quem ele teria admitido que sabia que estava morrendo. Jane Cox disse aos médicos que o patrão tinha lhe falado que ingeriu laúdano para uma dor de dente e que pediu que ela não contasse a Florence, alimentando a tese de um possível suicídio ou morte acidental. Mary Ann disse que nunca ouviu o patrão falar sobre isso.

Quem poderia querer a morte de Charles Bravo?

Após a declaração dos médicos de que o advogado havia morrido por envenenamento, seu falecimento foi investigado. Como em seu leito de morte ele demonstrou pouco interesse sobre a identidade de seu possível assassino, foi levantada a possibilidade de suicídio ou morte acidental.

Porém, após as investigações terem sido concluídas, o veredito foi de que ele havia sido intencionalmente envenenado por outra pessoa. No entanto, não existiam evidências para apontar qualquer culpado. Assim como num livro de Agatha Christie, existiam diversos personagens com motivos para querer Charles Bravo morto. Vamos aos principais suspeitos:

Florence Bravo

A esposa era quem provavelmente tinha mais possibilidades de estar ligada à morte de Bravo, tanto intencionalmente como acidentalmente. Acostumada à sua vida de solteira e a ter controle sobre a própria fortuna, ela poderia ter se aborrecido com a nova vida. Além disso, Florence havia contado a seu médico que estava cansada de ser abusada pelo marido e temia uma nova gravidez, principalmente após os problemas de saúde causados pelo aborto. Em seu primeiro casamento ela havia conseguido se separar do marido, mas isso seria muito mais difícil desta vez, já que Bravo era um advogado articulado, e não um bêbado.

Somente no século XX a morte de Charles Bravo foi associada a envenenamento por antimônio. Sabe-se que as mulheres da Era Vitoriana usavam tártaro emético (um medicamento baseado em antimônio) para controlar a libido de seus maridos, deixando-os indispostos. Talvez Florence tivesse errado a dose acidentalmente – ou não.

Jane Cox

Apesar de ela ter apresentado o casal, a sra. Cox não estava feliz com a forma que Charles administrava a casa, sentindo-se ameaçada em seu emprego. Na época, foi levantada esta hipótese até pela situação precária em que ela vivia – viúva e com três filhos. Porém, descobriu-se mais tarde que ela herdaria grandes propriedades de terra. Outra possibilidade é a de que Jane Cox tivesse envenenado o patrão para proteger Florence, de quem era muito próxima.

Dr. Gully

Um dramalhão vitoriano não está completo sem um amante ciumento. Alguns defendem que Gully não suportasse ver sua amada casada com outro homem. Ou quem sabe até para protegê-la, após Jane Cox ter lhe contado sobre o comportamento abusivo de Charles. Em uma de suas obras, a própria rainha do suspense, Agatha Christie, defende a tese de que ele era inteligente o suficiente para o crime, e que poderia ter conspirado com a dama de companhia.

George Griffith

Este novo nome adicionado ao mistério é do cocheiro da propriedade. Sabe-se que ele tinha acesso a antimônio nos estábulos e que ele mantinha um rancor por ter sido demitido por Bravo. Griffith se torna uma figura ainda mais interessante por ter trabalhado no passado para o Dr. Gully e saber muito sobre o caso dos dois.

Suspeitos não faltam, e aparentemente motivos para o crime também não. No fim das contas, este dramalhão repleto de intrigas se mostra um quebra-cabeça cada vez mais indecifrável e a possibilidade de um desfecho é praticamente nula, tornando-o um dos mais instigantes crimes vitorianos macabros

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Sobre Macabra

Macabra Filmes é a fazenda do terror. Compartilhamos o horror e a beleza, a vida e a morte. Brindamos com sangue as alegrias de existir. Cultivamos o primeiro suspiro, o abrir de olhos, o frio na espinha, o grito na montanha russa, o crepúsculo e a eterna escuridão. Para nós, o medo é natural — e a vida, um presente sobrenatural. É puro terror. 100% macabra.

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