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O fascínio da Era Vitoriana pelo Macabro

Gabinetes de curiosidades, o interesse pela botânica e pela anatomia, fotografias post-mortem... a Era Vitoriana teve diversas peculiaridades e um fascínio especial pelo macabro.

O macabro, o fantástico, o sensacional… Histórias que são capazes de arrepiar os pelos de nossas nucas, que nos deixam acordados durante à noite e nos fazem temer as tempestades sempre fizeram muito sucesso. Mas, em alguns períodos, essas histórias se sobressaem. Este parece ser o caso da Era Vitoriana. Não somente sua produção artística foi pautada pelo sombrio e pelos mais diversos questionamentos humanos, como também o dia a dia de sua sociedade acabou sendo sugado por essa aura de estranheza. Livros e filmes foram escritos e a respeito, utilizando do período como cenário.

Mas de onde vem esse sentimento? Por que a sociedade da Era Vitoriana se sentia atraída pelo macabro?

A Era Vitoriana foi marcada por forte efervescência cultural, social e política. É neste momento que se desenvolvem uma série de conceitos que ainda hoje são importantes para a sociedade. As disciplinas em escolas e faculdades como conhecemos hoje começaram a se moldar por uma racionalidade que era debatida amplamente entre as camadas de pensadores, mas as camadas populares debatiam suas próprias questões, também.

Algo que era comum entre todas as esferas sociais, mais altas e mais baixas, era o fascínio pelo macabro, o sobrenatural e o fantástico. Após as engrenagens se movimentarem com o pontapé inicial do Iluminismo no pós-século XVIII, um fenômeno que foi pensado e discutido diversas vezes, por teóricos e interessados pela cultura num geral, é como a sociedade vitoriana tinha esse fôlego para o aterrador.

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Capa da partitura de The Belle of Belgrave Square, uma paródia de um romance de sensação no final do século XIX.

Não é de se espantar que nesse momento surgem os romances de sensação, os primeiros romances de ficção de terror, que estavam entre os mais vendidos como literatura. Diários médicos e notícias sobre crimes eram lidos e acompanhados frequentemente, seja nas camadas mais altas ou mais baixas da sociedade. Muitos dos olhos estavam voltados aos escândalos, aos criminosos, aos horrores que acontecem no dia a dia.

Esse fascínio também se conecta diretamente ao que foi chamado de “revolução de lazer”, conceito que foi, de certa forma, antecipado pelo escritor William Howitt. Após a Revolução Industrial, e todo um período difícil de construção da sociedade, acredita-se que os britânicos estavam cansados de dar duro e estariam procurando atividades mais amenas. Casas de banho, jardins botânicos e museus se tornam lugares muito procurados a partir dessa vontade de lazer e atividades ao ar livre.

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Almoço na Relva, de Édouard Manet

Uma intensa vontade de se conectar com a natureza, de trazê-la para os centros urbanos. Estudos de flores e plantas, de pequenos e grandes animais começaram a levantar muitas questões. Em ilustrações do período vitoriano podemos perceber como a presença de plantas era bem quista entre os britânicos.

A Grande Exposição de 1851 foi outro marco do século, uma gigantesca feira que procurava reunir trabalhos interessantes da indústria mundial, algo sem precedentes até então. Ficou aberta ao público durante 140 dias, rendeu uma grande quantia de lucro e iniciou uma tradição de exposições grandiosas para os anos seguintes.

A Grande Exposição de 1851, por McNeven, J.

Entre exposições megalomaníacas, a febre das samambaias — durante o período vitoriano todos queriam ter uma samambaia em suas casas, mais uma curiosidade sobre essa ligação entre a revolução do lazer e o contato com a natureza —, o naturalismo e a curiosidades dos britânicos sobre os segredos da vida, do pós-vida, da anatomia e do que o corpo humano e animal poderia nos dizer, só aumentava.

Em 1839 surgia o daguerreótipo, uma forma mais barata de comercializar fotografias, e logo o público vitoriano curioso descobriu uma nova atividade para a inveção: as fotografias post-mortem. Nada de pedaços de pessoas e coisas assombrosas saídas de um episódio de CSI. As fotografias post-mortem eram arrumadas e delicadas, com flores e parentes ao lado de seus filhos, pais ou companheiros mortos. Essas lembranças eram guardadas com carinho pelos que ficavam.

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Um exemplo de fotografia post-mortem

Caso não quisesse uma foto de seu familiar morto, você também poderia optar por alguma joia que representasse seu luto. As “mourning jewelry”, ou jóias de luto, eram vendidas em diferentes tamanhos e preços, com diversos formatos para se adaptar ao gosto do cliente. E não somente isso: as cores diferentes também eram para momentos diferentes do luto.. Essas jóias não eram específicas do período vitoriano, mas tiveram um crescimento arrebatador durante o século XIX. Poderiam ser relicários com imagens da pessoa falecida, ou anéis com uma pedra falsa para se guardar alguns fios de cabelo. As possibilidades para representar carinho e respeito aos mortos eram inúmeras. 

O luto passou a fazer parte da sociedade vitoriana de modo ainda mais firme a partir de 1861. No início daquele ano, a rainha Vitória perdeu a mãe e entrou em uma tristeza profunda. Alguns meses depois, em dezembro, o príncipe Albert, esposo de Vitória, também faleceu. A rainha vestiu o luto pelo resto de sua vida, sempre vista de preto para onde quer que se encaminhasse.

Entretanto, um dos hobbies do período que mais chama a atenção são os gabinetes de curiosidades. Apesar de terem surgido séculos antes, os gabinetes vitorianos acompanharam uma tendência de interesse pelo exótico. Muito desse interesse, aliás, surgiu das explorações da Inglaterra além-mar. A colonização britânica atingiu um ponto alto no século XIX, e não era incomum que elementos dessas culturas até então desconhecidas para a sociedade britânica chamassem a atenção. O desconhecido, quando não era considerado perigoso, era considerado exótico.

Pintura representando o antiquário Joseph Mayer em seu Gabinete de Curiosidades

Os gabinetes, que poderiam ser quartos inteiros ou somente um móvel no canto da sala, eram cheios de curiosidades dos mais variados tipos. Dependendo da personalidade daquele que o possuía, poderiam se ter daguerreótipos, pedaços de cabelo de pessoas amadas, instrumentos médicos, quadros entomológicos, tecidos e outros itens vindos de países distantes, onde os possuidores do gabinete poderiam nunca ter pisado na vida. O que valia era a curiosidade, ter um pedacinho desse mundo que ainda estava sendo descoberto — e dominado, cada vez mais — por perto.

Todos esses interesses surgiram de processos pelos quais a Grã-Bretanha passava por aquele momento. Seja a colonização, os grandes domínios britânicos em outros continentes ou as várias revoluções pelos quais o Reino Unido passou, tudo isso contribuiu para que os grupos de indivíduos fossem afetados e se apegassem às modas da época. Mais que isso, essas tendências podem ser vistas também na literatura do período e mais adiante, ainda hoje fascinando os fãs do macabro.

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O livro Crimes Vitorianos Macabros, reúne quatro renomados historiadores do tema que revelam as realidades terríveis desse aspecto da vida vitoriana, oferecendo um perfil não apenas dos criminosos e suas vítimas, mas também de policiais, cientistas forenses e outros que mergulharam nas densas sombras do século XIX.

Sobre Macabra

Macabra Filmes é a fazenda do terror. Compartilhamos o horror e a beleza, a vida e a morte. Brindamos com sangue as alegrias de existir. Cultivamos o primeiro suspiro, o abrir de olhos, o frio na espinha, o grito na montanha russa, o crepúsculo e a eterna escuridão. Para nós, o medo é natural — e a vida, um presente sobrenatural. É puro terror. 100% macabra.

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