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O Jardim Secreto e os vários isolamentos que vivemos

O isolamento em Jardim Secreto também se faz presente em outras obras publicadas pela Caveira

O livro O Jardim Secreto, de Frances Hodgson Burnett, é muito mais do que uma bela história protagonizada por crianças. A trama aborda temas universais e que atravessam gerações, como a necessidade de amadurecimento, a amizade, acreditar no potencial do outro e também o isolamento.

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Aliás, este último tema passou a ser mais notado pelas pessoas no último ano, por causa das medidas de prevenção durante a pandemia de covid-19. O isolamento e o distanciamento foram impostos a todos nós para conter a disseminação do vírus. Uma imposição necessária e que no começo nem parecia tão trabalhosa para muitos. Porém, com o tempo, tal afastamento começa a pesar.

Passado mais de um ano com muitas pessoas em trabalho remoto, aulas a distância, sem ver familiares e amigos e muitas vezes sem conhecer pessoas novas, todas estas ausências começam a formar um vazio. Para crianças e adolescentes, tal solidão pode ter consequências muito mais profundas, interferindo inclusive no desenvolvimento de suas habilidades sociais.

Isso não significa, é claro, que tais cuidados devem ser deixados de lado, mas que devemos encontrar mecanismos para conseguir conexões humanas significativas neste período. Pode não substituir por completo os benefícios do convívio em sociedade, mas ajuda a nos sentirmos menos sozinhos.

Os isolamentos para além da pandemia

Mary Lennox não precisou de uma pandemia para saber o que é o isolamento. Primeiro ela vivia longe de sua terra natal e em descompasso com seus pais, que a deixavam aos cuidados dos criados. Depois, foi enviada para uma casa que fica em uma área retirada, sem grandes companhias além dos empregados da residência.

Um isolamento diferente vivia seu primo Colin, recluso em seu quarto por causa de sua condição de saúde e escondido do mundo pelo pai. Duas crianças solitárias que descobriram na amizade formas de viverem ao máximo.

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Em O Jardim Secreto estas crianças não tiveram muita escolha para suas condições solitárias. Mas se pensarmos nos dias de hoje, quantos isolamentos acabamos vivendo pelas comodidades que a tecnologia tem nos possibilitado?

Ao mesmo tempo em que as redes sociais oferecem infindáveis oportunidades para manter contato com um amplo número de pessoas, a qualidade da nossa convivência com elas tem caído. A ironia é que justamente estas redes “sociais” estão nos deixando menos sociáveis.

Antes da pandemia, quantas vezes você deixou de se encontrar com pessoas por causa de um “Netflix and chill”? Quantas vezes preferiu o delivery a ir a um restaurante repleto de pessoas? E, mesmo que não se identifique com estas situações, quantas vezes esteve em uma mesa num grupo de amigos em que todos estavam grudados nas suas telas de celular em vez de conversarem?

A comodidade da lista de seguidores ou de contatos faz com que muitos se esqueçam de que pessoas não são “estocáveis”, é preciso alimentar relações, trocar ideias, valorizar o diálogo. Aliás, o próprio diálogo parece ter se tornado uma tarefa cada vez mais difícil: pessoas não querem ser confrontadas com ideias diferentes das suas e a internet permite que elas se refugiem em bolhas ideológicas de quem pensa da mesma maneira. 

Com a pandemia, estas relações pessoais presenciais podem tomar dois rumos: serem cada vez mais deixadas de lado, pela adaptação da nossa rotina remota, ou justamente o oposto, a abstenção do convívio presencial pode ser um incentivo para que estes encontros sejam cada vez mais valorizados.

No caso de Mary e Colin, duas crianças solitárias encontraram no companheirismo formas de superarem os efeitos dos diferentes isolamentos que permearam suas vidas. Quem sabe nós, seres humanos, ainda temos uma chance de resgatar estas relações, não é mesmo?

5 Livros da DarkSide sobre isolamento

O isolamento também se faz presente em outras obras publicadas pela Caveira. Seja uma cidade inteira que vive reclusa por causa de um grande segredo, um homem que se conecta com a natureza ou duas ex-estrelas isoladas para preservar as lembranças do passado, cada uma destas histórias aborda o tema de maneiras bem distintas:

1. HEX, de Thomas Olde Heuvelt

Em Black Spring ninguém entra e ninguém sai. Aliás, quando poucos visitantes chegam à cidade ocorre uma forte mobilização para esconder um segredo guardado por todos: há uma bruxa assombrando o vilarejo. A tecnologia também tem um papel aqui: um aplicativo notifica os moradores sobre o paradeiro de Katherine, que aparece nos lugares mais improváveis.

Em HEX, sair da cidade também não parece ser uma possibilidade: há sempre algo trazendo estas pessoas de volta. Tanto mistério existe para que os poucos moradores de Black Spring possam seguir o conselho máximo desta história horripilante: não perturbe a bruxa!

2. Silvestre, de Wagner Willian

Em Silvestre, o leitor acompanha a jornada de um velho caçador que atravessa e dialoga com lendas sobre divindades extintas, mergulhando na relação entre o homem e a natureza, e o respeito sobre o que a terra pode nos dar e o que somos capazes de oferecer. No isolamento de sua cabana, ele assa uma torta. Seu aroma cruza a memória, as paredes, a floresta, atraindo animais silvestres e criaturas fantásticas em um grande resgate ao convívio humano, digno de uma celebração selvagem e ritualística

O quadrinista Wagner Willian se inspirou na filosofia do escritor Henry David Thoreau, que em 1845 se retirou para a floresta, onde ergueu com as próprias mãos sua nova casa e mobília, buscando viver com o mínimo necessário e em total contato com a natureza.

LEIA TAMBÉM: HENRY DAVID THOREAU: “FUI PARA O BOSQUE PORQUE QUERIA VIVER DELIBERADAMENTE”

3. Onde Cantam os Pássaros, de Evie Wild

No premiado romance de Evie Wyld, a fazendeira Jake White leva uma vida simples numa ilha inglesa. Suas únicas companhias são rochedos, a chuva incessante, suas ovelhas e um cachorro, que atende pelo nome de Cão. Tendo escolhido a solidão por vontade própria, Jake precisa lidar com acontecimentos recentes que põem em dúvida o quanto ela realmente está sozinha – e o quanto estará segura. De tempos em tempos, uma de suas ovelhas aparece morta, o que pode ser muito bem obra das raposas que habitam a floresta próxima à sua fazenda. Ou de algo pior. 

Aos poucos, Onde Cantam os Pássaros revela ao leitor o passado da protagonista e o que acabou por conduzir White à uma vida de reclusão e isolamento. Sobre as contradições e diferenças entre um passado cheio de vida e calor, e o presente repleto de lama, frio e um ritmo mais desacelerado, paira uma atmosfera absolutamente brutal.

4. O que terá acontecido a Baby Jane?, de Henry Farrell

Às vezes as lembranças dos dias gloriosos são o seu refúgio para se isolar do mundo. Em O que terá acontecido a Baby Jane? duas irmãs vivem reclusas em sua mansão: Jane foi uma estrela mirim que nunca obteve o mesmo prestígio quando adulta e sua irmã Blanche tinha uma carreira estrelada em Hollywood, até que um misterioso acidente a deixou paraplégica.

As duas vivem sozinhas em uma mansão, com pouca interação com o mundo de fora, enquanto Jane busca formas de voltar a ser famosa, alienando ainda mais sua irmã do mundo. O livro de Henry Farrell ficou famoso com a adaptação para o cinema estrelando as eternas rivais de Hollywood: Bette Davis e Joan Crawford.

5. O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë

E quando o isolamento não é apenas físico, mas também emocional? No clássico O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë, Heathcliff é um homem que se isolou do mundo e dos sentimentos, vivendo com seus criados na distante propriedade do Morro dos Ventos Uivantes. O motivo para ele ter se fechado para tudo é a perda de sua amada Catherine, com quem nutriu um romance desde jovem. Porém, a ambição e o orgulho impediram que eles pudessem viver seu amor plenamente.

Toda a atmosfera de O Morro dos Ventos Uivantes evoca solidão, distanciamento e os mecanismos de defesa que as pessoas acabam utilizando para se isolarem e se blindarem até mesmo contra quem amam.

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Sobre DarkSide

Eles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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