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O que é a linguagem secreta das flores da Era Vitoriana?

Conheça a história e o uso da floriografia

16/05/2024

Quanta emoção uma flor pode carregar? Não é de hoje que elas acompanham nossos sentimentos de amor, felicitações e até mesmo de pesar. Mas houve uma época em que elas poderiam significar até mais: na Era Vitoriana.

LEIA TAMBÉM: LANÇAMENTO: FLORIOGRAFIA: A LINGUAGEM SECRETA DAS FLORES, POR JESSICA ROUX

É isso o que Jessica Roux explica no livro Floriografia: A Linguagem Secreta das Flores. O lançamento da marca Magicae é um verdadeiro convite para um mundo de mensagens entrelaçadas entre as folhas e os caules. Mais do que uma obra de arte, graças à escrita e às belas ilustrações da autora, o livro é um tributo à delicadeza da natureza e à profundeza das emoções humanas

Mas afinal, o que era a floriografia e por que ela se tornou tão popular na Era Vitoriana? Vem que eu te explico:

Conheça a secreta linguagem vitoriana das flores

Floriografia é o nome dado aos códigos utilizados durante a Era Vitoriana, também chamados de “linguagem das flores”. Graças a ela, foi possível que a intimidade emocional florescesse em uma época na qual ela era fortemente repreendida. 

Segundo a Sociedade Real de Horticultura, do Reino Unido, a prática dominou a cultura vitoriana lá e também nos Estados Unidos durante o século XIX. Apesar de ter sido esquecida por décadas, a floriografia está voltando a se tornar relevante.

floriografia

Presentes de flores, plantas e arranjos florais específicos eram utilizados para enviar uma mensagem criptografada ao destinatário, permitindo que o remetente expressasse seus sentimentos de romance e cortejo, que não poderiam ser falados em alto e bom som na sociedade vitoriana.

LEIA TAMBÉM: RAINHA VITÓRIA: A MAIS MACABRA DAS VITORIANAS

Armadas de verdadeiros dicionários florais, as pessoas da Era Vitoriana frequentemente trocavam pequenos “buquês falantes”, que poderiam ser usados ou carregados como um acessório estiloso. Também eram bem úteis, porque originalmente tais adereços foram usados para disfarçar o cheiro forte das ruas e dos odores corporais, frequentemente formados por ervas cheirosas, como lavanda, lima e rosas.

O significado das flores era determinado a partir de seus significados culturais e relações com mitos e lendas. Claro que havia variações entre as centenas de dicionários florais, mas também chegava-se a muitos consensos quanto aos principais significados, até porque muitas definições partiam do próprio comportamento da planta.

A flor mimosa, por exemplo, é muito sensível e representava a castidade. Isso porque suas folhas se fecham à noite ou quando tocadas. Da mesma maneira, a rosa vermelha e seus espinhos eram usados para simbolizar tanto o sangue de Cristo como a intensidade do amor romântico. Já as rosas cor-de-rosa representam uma afeição menos intensa, enquanto rosas brancas sugerem virtude e castidade, e a rosa amarela simboliza amizade ou devoção. A rosa preta é associada à morte e às trevas, graças às conotações ocidentais para a cor — nem preciso dizer que essa é a minha preferida, né?

rosa preta

Legado e popularidade recente

Apesar de esquecida por um bom tempo, a floriografia tem forte influência sobre algumas associações que fazemos com as flores até os dias de hoje — e o Dia dos Namorados está aí pra provar isso. 

Um dos exemplos mais simbólicos e recentes se refere às escolhas do Rei Charles no funeral de sua mãe, a Rainha Elizabeth II. Criado em uma tradição de não demonstrar suas emoções, o monarca expressou seu luto na escolha das flores: murtas para amor e prosperidade, ao lado do carvalho inglês, para representar força. 

A maneira como a floriografia influencia as nossas decisões ainda pode ser observada na cultura ocidental por quem trabalha com isso: floristas. Pelo menos um terço das pessoas escolhe as flores com base na cor do buquê, com o vermelho sendo a cor mais popular. Não à toa, a cor é associada ao amor e às paixões. Cor-de-rosa, por outro lado, possui muitos significados, dependendo de onde você mora. Na Tailândia ela representa confiança, enquanto no Japão é associada à boa saúde. Mas essa associação às cores só abrange uma camada muito superficial de todas as possibilidades que as flores representam.

flores

Pegue a ervilha-doce, por exemplo: uma flor de verão que vem numa variedade de cores e cujo significado permanece o mesmo desde a Era Vitoriana: um sinal de gratidão. Naquela época elas eram frequentemente enviadas quando você agradecia a um anfitrião por sua hospitalidade. Combinadas com outras plantas, ganhavam significados ainda mais completos: com zínias, uma flor que simboliza amizade duradoura, o seu buquê era capaz de diferenciar um conhecido casual de um amigo mais próximo.

Mas nem todas as flores têm bons significados. Você até pode achar que cravos são bonitos, mas eles têm um bom histórico de serem associados a sentimentos de desprezo. Não é à toa que foi o cravo que brigou com a rosa, ele é desdenhado na série Sex and the City e até citado com um shade na música “Maroon” da Taylor Swift — “Carnations you had thought were roses, that’s us”, ou seja, “Cravos que você achava que eram rosas, somos nós”. Agora tudo faz sentido.

cravos

Todos esses e muito mais simbolismos associados às flores estão em Floriografia: A Linguagem Secreta das Flores. Na obra, Jessica Roux explora o longo e diverso desenvolvimento da linguagem das flores, conforme ela própria explicou à BBC: “Os significados das flores foram retirados da literatura, mitologia, religião, lendas medievais e até mesmo das formas dos bulbos”.

Apesar de tais associações terem mudado e a nossa capacidade de expressão ter evoluído com o tempo, não estamos tão distantes das pessoas da Era Vitoriana no nosso desejo de dividir alguns aspectos sobre nós mesmos. Ainda há muitos de nós que se sentem presos por uma etiqueta que reprime algumas demonstrações de afeto, mas ainda nos importamos com a impressão que queremos deixar nos outros. “Não diria que vivemos em uma etiqueta repressora parecida nos dias de hoje”, diz Roux. “Mas realmente acredito que apresentamos somente certos aspectos de nós mesmos on-line.” 

Quem sabe conhecer essa linguagem não tão mais secreta nos ajude a deixar florescer um lado nosso que as redes sociais não conseguem ver. Quem sabe você nunca mais veja um buquê de flores da mesma maneira que antes. Ou, quem sabe, na próxima vez que você ouvir “Flowers” da Miley Cyrus você se pergunte quais flores ela quer comprar.

LEIA TAMBÉM: O FASCÍNIO DA ERA VITORIANA PELO MACABRO

Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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