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One Dark Night: Vamos reavivar seu medo dos mortos

Uma surra visual para devotos do horror

08/12/2023

Raios e trovões, um mausoléu e algumas dezenas de lápides. Não sei quanto a vocês, mas parece bastante promissor para mim (e digo o mesmo sobre o despertar de um pesadelo que chega logo na cena seguinte).

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One Dark Night chegou ao mundo em 1982 e possui um dos finais mais visualmente potentes da época. Dirigido por Tom McLoughlin e protagonizado principalmente (quase totalmente) por mulheres, por aqui recebeu o nome de Numa Noite Escura, e era figurinha carimbada nas sessões mais tardias da rede Globo (bons tempos, bons tempos…).

Mas de volta ao filme, o dia amanhece e estamos juntos com paramédicos e oficiais da polícia, abrindo caminho entre os curiosos para a remoção de alguns corpos em um apartamento. A cena do crime com várias vítimas não faz muito sentido, o imóvel possui detalhes inexplicáveis. Existe uma cadeira enfiada na parede, garfos magnetizados no cimento — além de meia-dúzia de corpos femininos empilhados em um pequeno armário. Oh, sim, já me esquecendo do corpo masculino que dispara uma rajada elétrica com a potência de um raio e chega a perfurar o teto.

one dark night

Sim, o filme provavelmente já fisgou muita gente nesse começo instigante, mas ainda teremos que confrontar alguns desafios e passar um tempinho no universo estudantil mais-do-que-clichê dos anos 1980, no qual Julie Wells (interpretada por Meg Tilly) está cansada de ser provocada e considerada uma garota frágil no colégio. Para provar o contrário, Julie pretende se submeter a uma prova das “Irmãs”, uma irmandade (dãããã) que de fraternidade não tem nada. Faz parte do jogo, vocês sabem como é.

one dark night

De toda forma, logo somos devolvidos à parte mais interessante do filme, que diz respeito aos crimes e aos elementos absurdos. Nesses momentos que englobam vítimas, sepultamentos e investigação, notamos a presença de um homem grisalho, que usa óculos escuros e carrega consigo uma pasta de documentos, uma valise. O nome do sujeito é Samuel Dockstader, cronista da revista O Mundo Oculto. Descobrimos sua identidade quando Samuel aborda a filha de Karl Raymar, Olivia McKenna (interpretada pela musa Melissa Newman). Karl Raymar é uma das pessoas mortas no apartamento de elementos inexplicáveis. Samuel alega ter sido amigo íntimo do falecido, então a filha do homem decide ouvi-lo.

one dark night

Por meio da conversa entre Samuel e Olivia, descobrimos que o velho Karl (que a essas alturas está mortinho) não era nenhum santo, e ainda tinha uma capacidade sobre-humana de vampirizar psiquicamente outras pessoas (ou seja, ele drenava a energia de outros e usava a favor de si mesmo, inclusive para telecinese, capacidade de mover objetos com a força da mente). Talvez por essa razão, o falecido Karl mantivesse distância da própria filha ao longo da vida.

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Percebemos mais ou menos nesse ponto do filme, que os caminhos da família de Karl Raymar irão se cruzar com os de Julie Weels, que se colocará à prova para entrar na irmandade comandada pela ex-namorada de seu atual amado, Steve. O rapaz bem que tenta avisar, mas tanto sua namorada caloura, quanto sua ex, veterana, estão irredutíveis em se confrontarem. A prova de coragem consiste em passar uma noite inteira no mausoléu dos ricos da cidade. E adivinhem só quem dorme em uma das gavetas?   

one dark night

Por mais corajosos que sejamos, o mausoléu é bastante intimidador, sendo inclusive mais assustador que o cemitério externo e tradicional. Existe um glamour sobre a morte ornamentada em granito, uma espécie de apelo à eternidade muito incômodo. Nas inscrições de identificação em bronze, podemos ler a tristeza de quem já foi obrigado a se despedir. Dentro das gavetas estão avôs, avós, pais, mãe e filhos. Neonatos que não conseguiram sobreviver. Familiares. Quem já assistiu Phantasm (1979), outro clássico, com certeza irá se lembrar desse ambiente. E quem já assistiu Carrie (1976) irá se lembrar que nem tudo é justo no mundo estudantil, principalmente quando uma das partes está ofendida pela atenção dada à outra (aquela palavrinha chamada ciúme e a outra chamada inveja, acho que todos conhecem). Nesse filme, não temos banho de sangue de porco, mas as garotas da irmandade decidem assustar a pobre Julia que está passando a noite no mausoléu — e ainda a dopam com algumas pílulas para confundir seus sentidos.

one dark night

Com o plano estabelecido, elas invadem o mausoléu e começam a perseguir e assustar Julia, e nesse ponto começamos a torcer pelo despertar dos mortos, enquanto descobrimos todas as capacidades psíquicas do falecido Karl através de uma fita deixada com sua filha. Desse ponto em diante, o filme fica ainda mais interessante, com a eminência de uma justiça que só um bom filme de terror é capaz de proporcionar.

Com tons de Carrie, Suspiria e Phantasm, One Dark Night se mostra uma produção divertida e honesta, uma criação com o selo de autenticidade dos anos oitenta — e um filme recomendadíssimo para você que acredita que o bullying adolescente possa escapar de graves consequências.

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Os momentos finais do filme são desesperadores, uma surra visual inesperada e um deleite para os devotos do horror, e garanto que algumas imagens e sequências ficarão gravadas em sua mente por muito tempo. Os efeitos práticos são fiéis ao que se espera, então prepare seus olhos para imagens de decomposição e putrefação bem próximas ao real. Se com tudo isso vocês ainda pretendem encarar esse filme, só me resta estar em sua companhia! 

Bora apertar esse play? 

O trailer vocês conferem aqui!   

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Sobre DarkSide

Avatar photoEles bem que tentaram nos vender um mundo perfeito. Não é nossa culpa se enxergamos as marcas de sangue embaixo do tapete. Na verdade, essa é a nossa maldição. Somos íntimos das sombras. Sentimos o frio que habita os corações humanos. Conhecemos o medo de perto, por vezes, até rimos dele. Dentro de nós, é sempre meia-noite. É inútil resistir. Faça um pacto com quem reconhece a beleza d’ O terror. O terror. Você é um dos nossos.

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